| O
Clube de Engenharia e a Sétima Rodada de Licitações
da ANP
Infelizmente,
para essa Sétima Rodada de Licitações, a
ANP não alterou as condições que levaram
o Clube de Engenharia a se posicionar, também em editorial,
contra a realização da Rodada anterior.
Naquela ocasião,
procuramos ressaltar a queda das reservas mundiais de petróleo,
com destaque para produção americana, que passou
por um pico em 1970, depois do que só tem decrescido. Da
mesma forma, a produção de óleo na porção
inglesa do Mar do Norte, maior reserva descoberta nas últimas
décadas, já passou por um pico de produção
em 1998 com 12,3 milhões de toneladas, caindo em maio de
2001 para 9,8 milhões de toneladas, ou seja, uma queda
de 21,5% em apenas dois anos e meio.
Segundo informações
da ANP, serão oferecidos, em outubro próximo, 1134
blocos exploratórios, numa área total de 397,6 Km²,
divididos em 34 setores e localizados nas seguintes bacias sedimentares:
Santos, Campos, Espírito Santo, Jequitinhonha, Camamu-Almada,
Potiguar, Barreirinhas, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas.
Na Sexta Rodada, as bacias de Santos, Campos e Espírito
Santo foram designadas como Bacias de Alto Potencial, como Bacias
Maduras enquadram-se as bacias terrestres Potiguar e Espírito
Santo e as demais bacias são classificadas como Bacias
de Fronteira Tecnológica.
Naquele momento,
o Clube de Engenharia enviou carta à Ministra Dilma Roussef,
solicitando o adiamento daquele leilão, para que o país
pudesse definir melhor uma política de incremento de nossas
reservas de petróleo e, em conseqüência, selecionar
melhor os blocos a serem licitados. Manifestamos também
a preocupação com a exploração predatória
de nossas reservas de petróleo e a colocação
em leilão de área já descobertas e exploradas
pela Petrobras. Isso tudo continua válido para essa Sétima
Rodada.
Ou seja,
expressamos a nossa discordância quanto a se leiloar blocos
nas áreas como as Bacias de Campos e Santos, disponibilizando
para as empresas internacionais o conhecimento de anos de trabalho
exploratório e fruto de tecnologia desenvolvida exclusivamente
pela Petrobrás. O acerto dessa posição do
Clube é, no momento atual, reforçado com a descoberta
do Campo de Mexilhão na Bacia de Santos, com reservas estimadas
em cerca de 400 bilhões de metros cúbicos de gás.
Se interessar
ao país ter investimentos estrangeiros no setor petróleo,
eles devem ser feitos nas áreas ainda não exploradas.
Não se justifica colocar em leilão áreas
onde a Petrobrás fez grandes investimentos de pesquisa,
pois isto é um ativo do país que precisa e deve
ser valorizado.
A questão
do gás tornou-se muito sensível, após os
incidentes políticos na Bolívia, com lideranças
políticas daquele país chegando a ameaças
de interromper o fluxo de exportação através
do gasoduto Bolívia-Brasil. Recentemente, em palestra de
apresentação do Plano Estratégico da Petrobras,
o seu Presidente, Dr Sérgio Gabrielli, declarou que a Petrobras
não pode garantir o suprimento do mercado de gás
natural veicular (GNV), crescendo a taxas de 20% ao ano, quando
ela tem por prioridade abastecer as usinas térmicas com
as quais tem contrato firme para fornecimento de gás. Além
disso, a Petrobras anunciou em seu plano investimento até
2010 na área de gás natural de US$ 4,1 bilhões,
o que representa 11% dos investimentos da companhia no período
2005-2010, capaz de elevar a produção de gás
para 27,1 Mm³ /dia.
Dentro desse
quadro de incerteza de suprimento de gás ao nosso próprio
mercado, não podemos deixar de protestar contra a política
da ANP de incluir blocos da Bacia de Santos, na qual poderá
ser encontrado mais gás além do Campo de Mexilhão.
Por isso, reafirmamos que permanecem válidas as razões
básicas, que nos levaram a nos posicionar contra a realização
da Sexta Rodada. Insistimos que se faz necessária uma ação
mais efetiva do CNPE-Conselho Nacional de Política Energética,
que àquela época já reclamamos, para ter
seu papel melhor definido nas questões de importação
e exportação de petróleo e gás, diante
da necessidade estratégica de preservarmos e aumentarmos
nossas reservas.
É
lamentável constatar que os argumentos do Clube de Engenharia
não foram levados em consideração, nem pela
Ministra nem pela ANP, e que a Sétima Rodada esta eivada
dos mesmos erros da sua antecessora. O discurso político
do Governo prega o diálogo com todos os segmentos sociais,
mas para a Engenharia e os engenheiros esse é um discurso
vazio de conteúdo, já que não temos sido
chamados a opinar e que quando opinamos não somos ouvidos.
Petróleo
é questão estratégica e de longo prazo. Cada
vez mais, é necessário mobilizar os engenheiros
em torno desta luta, a qual deve ser também de todos os
brasileiros e do Congresso Nacional, a quem cabe efetuar as alterações
na Lei 9478/97. As reservas brasileiras são capazes de
atender à demanda atual por cerca de 18 anos, respondendo
a produção da Petrobrás por 80% das necessidades
do país, com a possibilidade de atingir a auto-suficiência
em 2006. Não podemos colocá-las em risco com uma
política que permita acesso irrestrito às áreas
já pesquisadas e mapeadas pela Petrobras.
A Diretoria
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