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O
Clube de Engenharia nos séculos XIX e XX
Olavo
Cabral Ramos Filho
Lima
Barreto, a Escola, Eleições e o Clube
Lima Barreto
desceu as escadas. Atravessou o Largo de S. Francisco de Paula.
Deve ter cuspido grosso quando passou pelo assistente do professor
que o reprovara tantas vezes. Tantas que abandonou a escola.
Entrou na Rua do Ouvidor. Só então enfiou a chapéu
palheta. Não era novo. A fita interna estava bem sebenta.
Não escreveria nunca mais para A Lanterna, o órgão
oficioso da mocidade de nossas escolas superiores. Desceu Gonçalves
Dias, zigzagueou até a Rua S. José.
Vinte anos
passaram. Evitava passar no Largo de S. Francisco. Numa das
poucas vezes foi em 1910 quando ia votar em Rui Barbosa. Um
tanto a contra gosto. Achava-o mais Verbosa do que Barbosa.
Mais no marechal não votaria nunca. A seção
eleitoral era perto da Biblioteca Nacional. Havia uma boa fila.
Há meia hora já votavam. Veio a policia. Sem
maiores explicações fecharam a sala, levaram
a urna. Os que passaram ali no dia seguinte puderam ver o resultado
datilografado colado à porta: Hermes da Fonseca com
mais do dobro de votos.
Em junho
de 1918 desceu, sem olhar para trás, a Rua do Ouvidor. Dobrou a esquina da Avenida
em direção ao vento que entrava da Barra. Uma
esquina depois, na porta do Clube de Engenharia alguns notórios
engenheiros. Prenunciava-se uma categoria ainda mais influente
na vida do País. O século acabou sem confirmar
a previsão. Um mês depois Lima publicou no Brás
Cubas o artigo “O Clube de Engenharia” . A mágoa
antiga das reprovações do professor racista deu-lhe
o mote. Mas quantas razões tinha! Leiam o artigo todo. É transcrito
o final:
“E quando aqueles velhos gamenhos da porta do
Clube de Engenharia, dessa engenharia de que eles fazem parte
e com a qual conseguiram fazer desabar-lhe o edifício
duas vezes ou mais, lerem isto e rirem-se, eu lhes direi: ‘Rira
mieux qui rira lê dernier”’.
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