| Resgatar
a dignidade do engenheiro do serviço público
Nos idos de
1940, Getúlio Vargas, preocupado com a formação
e aperfeiçoamento de pessoal para servir ao Estado brasileiro,
criou o DASP –Departamento de Administração
do Serviço Público. Iniciava, assim, uma era de
formação de quadros profissionais, que foram essenciais
para implantação dos Institutos de Previdência,
e de outras áreas vitais da administração
pública. Essa medida modernizou o Estado brasileiro, marcando
uma ruptura em relação ao Estado patrimonialista
vigente durante a Republica Velha.
O Serviço
Público se constituía numa oportunidade para o desenvolvimento
de várias carreiras dentro do Estado brasileiro, e os seus
membros ganhavam salários dignos e desfrutavam de elevado
reconhecimento social.
Na última
década, com destaque para o Governo FHC, assistimos ao
desmontar do Estado brasileiro, através de processos açodados
de privatização e da continuada desvalorização
dos servidores públicos. Desde então, apoiados pelas
teorias do Consenso de Washington, buscou-se desarticular as estruturas
das empresas estatais e da administração direta,
pois ali se concentravam os defensores da valorização
profissional e aliados aos interesses nacionais.
Analisando
a situação particular do nosso Estado do Rio de
Janeiro, não podemos nos conformar com a situação
humilhante vivida pelos engenheiros, que recebem um piso salarial
de R$ 370,68 e, ao final de carreira com 35 anos de trabalho com
dedicação integral, irão se aposentar com
R$ 800,00 mais R$ 480,00 de triênios, totalizando R$ 1.280,00,
o que é uma situação vergonhosa.Não
é respeitado nem o salário mínimo profissional,
estabelecido por legislação vigente. Justiça
seja feita à Prefeitura que vem mantendo os salários
dos seus engenheiros atualizados.
Outro exemplo
no Estado do Rio são os acordos coletivos de trabalho,
direito previsto em lei para os celetistas, que também
não são respeitados há 11 anos, basta verificar
a situação dos engenheiros das companhias públicas
como a CEHAB-RJ.
Além
disso, não se realiza no Estado do Rio concursos para profissionais
públicos há pelo menos 20 anos, o que impede a transmissão
de conhecimentos aos mais jovens e, na ausência provocada
de profissionais, serve de desculpa para se terceirizar atividades
típicas do servidor público.
O Clube de
Engenharia não poderia deixar de se manifestar em apoio
aos profissionais do Estado do RJ, que vêm mantendo sob
a liderança da SEAERJ uma luta pelo direito de receber
salários justos e adequados à sua formação.
A responsabilidade
dos profissionais de engenharia, arquitetura, geologia e outras
especialidades começa com a discussão das políticas
urbanas, na execução do planejamento e no desenvolvimento
de projetos, assim como na realização de obras públicas
de interesse do povo desse Estado. Portanto, os Governos municipais
e estadual precisam dispor desse saber fazer e dessa experiência
acumulada ao longo de tantas obras.
Necessitamos ainda, lutar contra a prática segundo a qual
empresas de engenharia elaborem projetos fora, em geral copiando
projetos prontos e os enviem pela Internet, destruindo o acervo
de anos de engenharia nacional em todos os níveis. A engenharia
de detalhamento deveria ser feita totalmente no Brasil e estar
disponível para a fase de orçamentação
das obras.
A reativação da engenharia consultiva deve ser combinada
com o processo de valorização do servidor público,
que se materializaria na criação de um Banco de
Projetos. Essa iniciativa, que se justifica pelo seu baixo custo
e importância estratégica, teria a vantagem de permitir
o início dos empreendimentos já se conhecendo o
seu custo real, contribuindo para um planejamento realista das
ações do Estado.
Além dessa vantagem, podemos dizer que:
.O custo do projeto é uma pequena fração
( de 2 a 4%) do custo da obra, e seria motivo para valorizar a
função de planejamento;
. O Banco de Projetos fortalece o papel do Estado como indutor
do desenvolvimento a longo prazo;
. O Banco de Projetos viabiliza uma licitação mais
bem definida e um trabalho de melhor qualidade do engenheiro fiscal
da obra, servidor público;
Por entendermos
que o engenheiro servidor público que guarda a memória
da cidade, seu histórico e suas características,
o vemos como um profissional capaz de participar do debate das
escolhas exigido pelo planejamento de longo prazo das novas obras
da cidade e do Estado. Devemos, dessa forma, construir uma frente
de trabalho, na qual o Clube de Engenharia deve colocar seu prestígio
para, em conjunto com a SEAERJ – Sociedade de Engenheiros
e Arquitetos do Estado do RJ, trabalhar para que ela se transforme
numa realidade concreta.
A
Diretoria
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