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Complexo
de Itaboraí será o primeiro do mundo a usar
petróleo pesado como matéria-prima petroquímica
As Divisões Técnicas de Engenharia
Química (DTEQ), de Energia (DEN), de Recursos Naturais
Renováveis (DRNR) e de Engenharia do Ambiente (DEA) promoveram,
no dia 26 de outubro, a palestra "Complexo Petroquímico
do Rio de Janeiro", com o gerente geral do Empreendimento
Unidade Petroquímica Básica da Petrobras, Victor
Martins, e a consultora técnica e coordenadora de Projetos
de Pesquisa e Desenvolvimento relacionados ao Complexo Petroquímico
da companhia, Andrea Pinho. Ela afirmou que vem ocorrendo no
Brasil um forte aumento na produção de olefinas
leves nos últimos anos. A demanda por polie-tileno e polipropileno,
por exemplo, tem crescido mais rapidamente que o Produto Interno
Bruto e a demanda por derivados de petróleo.
– Este
novo complexo produzirá insumos petroquímicos a
partir do petróleo pesado nacional do tipo Marlim, de
baixo custo. Será o primeiro do mundo a usar petróleo
pesado como matéria-prima petroquímica – disse
Andrea.
Com investimento previsto em torno de US$ 8,3
bilhões,
o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, Comperj, marca
o retorno da Petrobras ao setor petroquímico e vai gerar
uma economia de divisas para o país de mais de US$ 2 bilhões/ano,
com o aumento da capacidade nacional de refino e a redução
da importação de derivados.
– Hoje o Brasil
consome aproximadamente dez milhões de toneladas de nafta
e precisa importar cerca de 30% desse volume. O restante é atendido
pela produção das refinarias da Petrobras – afirmou
Victor Martins.
Segundo o gerente geral, o Complexo está previsto
para entrar em operação em 2012 e é fruto
da parceria da Petrobras com o Grupo Ultra e o BNDES. O Complexo
terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo
pesado nacional. Em uma mesma planta industrial, sua estrutura
será formada por uma Unidade de Refino e 1ª geração
(Unidade Petroquímica Básica – UPB) para
produção de petroquímicos básicos,
como eteno (1,3 milhão de toneladas/ano), benzeno (600
mil toneladas/ano), paraxileno (700 mil toneladas/ano) e propeno
(850 mil toneladas/ano), além de um conjunto de unidades
de 2ª geração (Unidades Petroquímicas
Associadas – UPA's) que vai transformar estes produtos
básicos em produtos petroquímicos como estireno
(500 mil toneladas/ano), etileno-glicol (600 mil toneladas/ano),
polietilenos (800 mil toneladas/ano), polipropileno (850 mil
toneladas/ano) e PTA/PET (500 mil/600 mil toneladas/ano). Haverá ainda
uma Central de Utilidades (UTIL), responsável pelo fornecimento
de água, vapor e energia elétrica necessários
para a operação de todo o Complexo.
– As
indústrias de 3ª geração que serão
atraídas pelo Complexo serão responsáveis
por transformar esses produtos petroquímicos em bens de
consumo, tais como copos e sacos plásticos, além
de componentes para as indústrias montadoras de automóveis
e linha branca de eletrodomésticos – previu.
SALTO
TECNOLÓGICO
Estima-se que o Comperj vai gerar um total
de mais de 200 mil empregos diretos, indiretos e por "efeito-renda",
durante os cinco anos da obra e após a entrada em operação.
O objetivo é capacitar cerca de 30 mil profissionais da
região, em mais de 100 tipos de cursos gratuitos. Desse
total, 75% serão em nível básico, 23% em
nível técnico e 2% em nível superior.
Sobre
os cuidados que serão tomados com o manguezal que fica
nas proximidades do Complexo e sobre a grande demanda de água
necessária para o empreendimento, o palestrante afirmou
que todos os cuidados estão sendo tomados.
– O manguezal
na realidade fica a cerca de 10 km do Complexo. Serão
tomados todos os cuidados necessários sobre os rios que
margeiam o Complexo (Macacu e Caceribu) de forma a não
causar danos ao manguezal. Com relação a água,
a intenção é trazermos do Rio Guandú através
da CEDAE ou da represa de Juturnaíba , através
de uma adutora – explicou.
Para o especialista, a decisão
de implantar o Complexo no Rio de Janeiro foi fundamentada em
aspectos técnicos, econômicos, ambientais e sociais.
A existência de área disponível para uma
já prevista expansão do Complexo, após cinco
anos da entrada em operação, também foi
um dos fatores condicionantes para essa escolha. Ele explicou
que o Município de Itaboraí foi selecionado por
dispor de infra-estrutura logística adequada e por sua
proximidade de portos e terminais. Além disso, salientou,
o município é atendido por rodovias e ferrovias,
além das sinergias com a REDUC (50 km), com as plantas
petroquímicas da Rio Polímeros e da Suzano (50
km) e com o Cenpes (38 km), detentor da tecnologia de FCC Petroquímico
ou Craqueamento Catalítico Fluido, que é o grande
salto tecnológico desse empreendimento – explicou.
– O
FCC Petroquímico é uma tecnologia própria,
assim como foi a de produção em águas profundas.
Nenhuma outra empresa do mundo detém essa técnica.
Como o Brasil possui petróleo pesado em abundância,
há muito tempo a Petrobras aumenta a pesquisa nessa área.
Para isso, foram feitos testes de produção industrial
nas refinarias, no Cenpes e no Parque Tecnológico da SIX,
em Mateus do Sul, no Paraná – finalizou Victor Martins.
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