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Juscelino
Kubistchek:
Um Projeto de Desenvolvimento para o Brasil
A
celebração dos 50 anos do início do Governo
JK, nos remete à sua escolha como candidato na convenção
do PSD, em 1955, quando Juscelino declarou, em entrevista à Ultima
Hora: "Não há abismo algum capaz de conter
o Brasil. O país é maior do que o abismo em que
há tanto tempo o pretendem lançar". Isto era,
sem dúvida, uma contraposição ao clima de
derrotismo e à tendência dos brasileiros de buscarem
inspiração e modelos no exterior.
Era o início da recuperação da auto-estima
do povo brasileiro e afirmação da sua criatividade,
que viria na música com a bossa nova, no teatro, no jornalismo
que se renovava, passando pelas inovações de Niemeyer
e Lúcio Costa no projeto de Brasília, até no
futebol mágico de Garrincha e Pelé, vencedor da
Copa do Mundo de 1958. Juscelino soube como injetar confiança
e orgulho na combalida alma nacional, fazendo com que, através
de um governo democrático, o povo assumisse o país
como seu.
Na época JK o país vivia um dos momentos mais democráticos
de sua história discutindo-se amplamente os rumos do desenvolvimento
nacional. A industrialização, o Estado como indutor
de atividades econômicas estratégicas, a defesa
de nossos recursos naturais da ambição internacional,
a educação como alavanca das reformas de base,
eram teses nacionalistas que empolgavam o país. Havia
a discussão por um projeto de país autônomo
ou atrelado às grandes potências mundiais.
Surgiu assim, durante
a campanha, a idéia do Plano de
Metas. Era uma peça de planejamento econômico, ainda
simples, mas que procurava fazer um balanço entre as necessidades
e recursos disponíveis , para acelerar o processo de formação
da riqueza, aumentar a produtividade e investir em atividades
multiplicadoras.
Os objetivos eram
a expansão dos serviços básicos
de energia e transportes; o conhecimento dos bens minerais, incluindo-se
o petróleo, para superar o ônus que isso representava
na pauta de importação, necessários a industrialização
de base; a racionalização da agricultura; o planejamento
regional e urbano; a valorização do trabalhador
e a educação para o desenvolvimento. Mais adiante, à medida
em que o Plano se desdobrava em um Programas de Metas, tornou-se
necessário quantificar as metas físicas a serem
atingidas em cada um dos setores.
Nas suas memórias Juscelino antevê o futuro quando
diz: "Impunha-se sobretudo, vencer as restrições
mentais à industrialização, superar a descrença
na capacidade brasileira de aproveitar nossos recursos materiais,
arquivar de vez o derrotismo que esvaziava a alma nacional. A
minha opção era clara e definitiva: o Brasil teria
de produzir tudo aquilo que constitui o núcleo original
do enriquecimento dos povos há mais tempo empenhados na
industrialização de grande porte. Industrializar
aceleradamente o país, transferir do exterior para o nosso
território as bases do desenvolvimento autônomo;
fazer da industria manufatureira o centro das atividades econômicas
nacionais – isto resumia o meu propósito, a minha
ação".
Não podemos abdicar da responsabilidade histórica
de termos um projeto nacional, capaz de enfrentar as novas condições
da adversa conjuntura internacional.Este é o caminho que
as lideranças de um povo de 180 milhões de pessoas,
mercado importante e depositário de grandes recursos naturais,
têm a obrigação de buscar para que o país
não fique à mercê das decisões tomadas
pelas grandes potências. Os resultados do Plano de Metas
foram um sucesso:
- Foi de 8,1% a taxa média de crescimento
da economia brasileira, entre 1956 e 1960, tendo em 1958 atingido
a marca recorde de 10,8%.
- A capacidade instalada de energia elétrica
cresceu 88%. Construiu-se obras como a barragem de Três
Marias, que possibiltou a regularização do baixo
São
Francisco e a ampliação da Usina de Paulo Afonso.
Em fevereiro de 1957 organizou-se as Centrais Elétricas
de Furnas.
- No petróleo, a meta atingida representou um incremento
de 95% na produção;
- O setor de transportes absorveu 29,6% dos investimentos
planejados, abrangendo o re-aparelhamento, a construção
de 3000 km novas ferrovias e de 20.000 km de rodovias.
- O setor das industrias de base absorveu 20,4% dos investimentos
do Plano, sendo que, na siderurgia, a produção
de aço bruto cresceu 70%;
- A produção de cimento cresceu 62%;
- Na industria automobilística a meta teve 92,3% de resultados
alcançados, com um índice de nacionalização
em torno de 90%;
- Na industria de construção naval a meta foi
100% atingida;
- A industria de produção de máquinas duplicou
a sua capacidade e a industria de material elétrico
teve um aumento de 200%;
O mais importante no período JK foi garantir o pleno
exercício da democracia, governar sem ódio e sem
mesquinharias, de modo que o povo brasileiro pudesse se desenvolver
na plenitude das suas capacidades. O momento de celebração
impõe ao Clube de Engenharia o dever de apresentar a sua
contribuição à sociedade, sobretudo nas
questões afetas à engenharia, tecnologia e política
industrial — um Plano Brasil, que aponte caminhos e defina
prioridades para que desenvolvimento se faça com soberania
e justiça social.
A Diretoria
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