A nova refinaria petroquímica da Petrobras no Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro teve a felicidade de ver acontecer, recentemente, dois eventos de enorme importância para o País: a obtenção pela Petrobras da auto-suficiência na produção de petróleo, com a qual contribui em mais de 82%, oriundos da Bacia de Campos e a decisão de implantar a nova refinaria, ou melhor o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, para processar óleo pesado na região de São Gonçalo e Itaboraí.

O Clube de Engenharia se congratula com a Petrobrás e o BNDES, por apostarem num projeto que permitirá processar o óleo pesado de Marlim e também gerar produtos petroquímicos. Sabemos que isso significa profundo envolvimento do Cenpes, o que quer dizer ativação da inteligência e capacidade de engenharia brasileiras e uma geração considerável de emprego durante a construção e operação do complexo.

As estimativas da Petrobras são de que, devido ao aumento da produção de petróleo pesado, impossível de ser totalmente processado pelas refinarias da estatal, ela estará exportando em 2010 nada menos que 500 mil barris desse tipo de óleo por dia. Como existe uma diferença de até US$ 15 por barril entre o preço do óleo pesado, menos valioso, e o do leve, esse dinheiro seria usado para comprar apenas 300 mil barris/dia de óleos leves do Oriente Médio, permitindo a composição do perfil de refino da empresa. Segundo estimativa da Petrobras, o pólo vai gerar 212 mil empregos diretos e indiretos até 2011, quando o complexo deve começar a funcionar, e mais 50 mil durante sua operação. A construção, em parceria com o grupo privado Ultra e com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está prevista para começar no ano que vem. Serão investidos mais de US$ 6,5 bilhões (13,8 bilhões em reais) na construção do novo Complexo, que deverá ser três vezes maior que o existente nas instalações da refinaria de Duque de Caxias (Reduc).

A Petrobras e o grupo Ultra deverão ter como sócio apenas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na construção da refinaria petroquímica de Itaboraí, central de matérias- primas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

O complexo, incluindo a segunda geração de produtos (resinas petroquímicas), terá pelo menos oito fábricas, segundo o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, responsável pelo projeto. Elas serão distribuídas por um terreno de 20 milhões de metros quadrados em uma área hoje rural do município de Itaboraí, na região metropolitana da capital, entra as bacias dos rios Macacu e Casseribu.

O valor da refinaria, inicialmente estimado em US$ 3 bilhões, foi anunciado oficialmente como de US$ 3,5 bilhões, o que pode elevar os investimentos na primeira e na segunda geração para até US$ 7 bilhões, já que o conjunto de fábricas de resinas está estimado entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões. Com a terceira geração, que é a fabricação dos produtos finais de matérias plásticas, a Petrobras estima que os investimentos totais no complexo deverão ultrapassar os US$ 10 bilhões.

A refinaria vai utilizar 150 mil barris diários de petróleo pesado (viscoso, com 19,6 graus API, medida oficial de densidade de petróleo) do campo de Marlim (Bacia de Campos, RJ) para produzir, por ano, aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de eteno, 900 mil toneladas de propeno, 360 mil toneladas de benzeno e 700 mil toneladas de paraxileno, todas matérias-primas básicas da cadeia petroquímica. Além disso, a refinaria vai gerar 13 mil barris/dia de óleo diesel, 5 mil barris de nafta e 700 milhões de litros diários de coque.

A Petrobras e Ultra vão escolher os projetos da segunda geração nos quais desejarão participar juntos ou em separado e a partir daí, passarão a discutir a entrada de novos sócios no projeto, levando em conta, por exemplo, a contribuição tecnológica. Grandes grupos nacionais como o Suzano e a Unipar já manifestaram interesse em se instalar no complexo.

Iniciativas como essa propiciam a valorização das nossas matérias primas, da nossa indústria e da engenharia brasileira que certamente têm condições de contribuir para que a implantação do projeto se faça com o máximo de conteúdo nacional possível. Isto é o que o país mais precisa para alcançar o desenvolvimento auto-sustentado. A Petrobrás, novamente, sai na frente, dessa vez e parceria com o Ultra.

Esse mega empreendimento vem ao encontro dos melhores anseios de um estado que contribui majoritariamente para a produção nacional de petróleo.

A Diretoria


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