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Setor
Mineral: Atividade indutora de desenvolvimento econômico-social
No
Brasil a ausência de uma "mentalidade mineira" faz
da mineração uma atividade "fechada",
que pouco interage com a sociedade. Em geral, a mineração é vista
como poluidora do meio ambiente, não obstante as substâncias
minerais constituírem-se, sob a forma in-natura ou transformada,
em matéria prima que provê condições
para o conforto e bem-estar do homem. É inimaginável
a sociedade moderna sem fazer uso dos recursos minerais, incluindo-se
petróleo e gás natural.
A cadeia
produtiva do setor industrial demonstra que, em 9 bilhões de toneladas
métricas de material bruto de origem mineral consumido
anualmente no mundo, 1/3 desse total, equivalente a 3 bilhões
de toneladas métricas, corresponde ao consumo dos Estados
Unidos. Seria mera coincidência a relação
consumo de minerais/nível de bem-estar?
Na pesquisa
mineral a relação estatística mundial:
alvo/prospecto/mina aponta para a relação final
de 1000:100:1. Isto significa que, para cada mil áreas
pesquisadas (alvos), 100 são selecionadas para estudos
de detalhe (prospectos), e estas, após os estudos de
viabilidade econômica (tecnologia e mercado), apenas
uma área entra em produção, transformando-se
em mina.
Segundo a
Constituinte de 88, é função
do Estado assegurar um menor risco aos investimentos na pesquisa
mineral, provendo conhecimento geológico,que permita
fomentar a seleção de áreas potenciais
para estudos de detalhe, tornando a atividade mineira atrativa
aos investimentos da iniciativa privada, e estimulando o uso
dos recursos minerais de forma sustentável.
Estudos
estatísticos realizados pelo Ministério de Minas
e Energia sobre a cadeia produtiva da indústria mineral
brasileira, tomando por base a série histórica
para o período de 1978 a 2004, e considerando os investimentos
totais realizados pelo governo na pesquisa mineral, indicam
que cada 1 (uma) unidade monetária disponibilizada pelo
governo na geração de conhecimento geológico
básico induz a aplicação pelo investidor
de 6 (seis) unidades monetárias, para verificação
dos alvos selecionados, que poderá resultar na identificação
de depósitos econômicos, onde se desenvolverá a
produção mineral.
Por outro
lado, verifica-se que com a participação do investidor nas fases
de implantação da mina, da usina de tratamento,
da infra-estrutura necessária à produção
e escoamento do produto, os investimentos crescem numa relação
exponencial de cerca de 10 vezes.
Os efeitos
de encadeamento da mineração (indústria extrativa) provocam
um círculo virtuoso na geração de emprego
e renda para a frente, na indústria de transformação
e, para trás, nos setores fornecedores de máquinas,
equipamentos, insumos e serviços, que pode ser prejudicado
pela falta de dinamismo na base da indústria extrativa
mineral. Cada 1 (um) emprego na indústria extrativa
gera 8 (oito) empregos na indústria de transformação
e 4 (quatro) no setor serviço, resultando numa relação
de 1:12 (IBGE, 2000).
No Brasil,
o governo necessita realizar um esforço maior para manter o ciclo positivo de geração
de depósitos minerais. No ano de 1978 (último
ano que os recursos financeiros foram assegurados pelo Fundo
Nacional de Mineração), o investimento governamental
em geologia básica foi da ordem de US$ 55 milhões,
enquanto que em 2001, passados 23 anos, este valor atingiu
US$ 3,5 milhões. O ciclo está comprometido, tanto
em função da insuficiência do pré-investimento
governamental que permita assegurar o conhecimento geológico
básico, como pela falta de governança decorrente
da falência do Aparelho do Estado, responsável
pelo desenvolvimento e gestão dos recursos minerais.
No cenário atual, a estratégia para a retomada
dos investimentos dos levantamentos geológicos básicos,
interrompidos no meio da década de 80, não foi
concretizada. A Lei no 10.848/2004, Reestruturação
do Setor Elétrico, Artigo 10, que determina o repasse
de 15% dos 40 % destinados ao MME pela Participação
Especial na Produção de Petróleo e Gás,
com vistas ao assegurar o financiamento de projetos, atividades
e serviços de levantamentos geológicos básicos
no território nacional, tem sido cumprido parcialmente,
representando menos de 10% do valor global.
O orçamento
anual destinado aos levantamentos geológicos tem sido
sensivelmente reduzido e contingenciado. A visão atual
distorcida dos gestores públicos representa a maior
dificuldade para o setor mineral brasileiro no momento. É urgente
o devido entendimento, por parte dos gestores de políticas
públicas, de que a cadeia produtiva da indústria
extrativa mineral tem início com o pré-investimento
governamental na geração e difusão do
conhecimento geológico do território nacional.
Este conhecimento deve ser considerado como instrumento de
infra-estrutura, indutor do desenvolvimento do país,
cujo ciclo de geração de minas não pode
ser interrompido.
Além da falta de investimentos no
conhecimento geológico que permita manter o ciclo de
geração de minas no território nacional,
outros fatores limitantes dos investimentos e, por conseguinte,
da produção mineral nacional, têm sido
o anacronismo da legislação mineral e a precariedade
da estrutura administrativa encarregada de conceder e fiscalizar
a pesquisa e a produção mineral. O descompromisso
com prazos por parte do poder público para os procedimentos
burocráticos de autorização de pesquisa
e concessão de lavra, as altas taxas de juros vigentes,
os custos financeiros dos projetos de pesquisa são impactados
pela dilatação de cronogramas impostos pela morosidade
burocrática, inviabilizando a execução
de projetos para os depósitos menores e/ou marginais.
Mantida a
situação atual de baixos níveis
de investimentos na indústria mineral, as conseqüências
futuras poderão ser o desabastecimento de matérias
primas e insumos minerais para a indústria, para a construção
civil e para a agricultura, o comprometimento das exportações
setoriais e o aumento das importações, impactando
negativamente a balança comercial brasileira. Mais uma
vez, sofre a economia brasileira, sofre nosso desenvolvimento,
sofre nossa engenharia.
A Diretoria
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