| Universidade
pública, gratuita, inclusiva e cidadã
A convite
do Ministério da Educação, a sociedade brasileira,
em especial a comunidade acadêmica, foi chamada a participar
da elaboração da Reforma Universitária. Este
processo já é, em si, uma grande vitória.
O Governo
lançou alguns documentos para discussão, entre os
quais "Reforma da Educação Superior",
que apresenta como subtítulo, "Por uma universidade
pública, gratuita, inclusiva e cidadã".
Na introdução,
é colocada a questão principal: "O processo
de globalização colocou nosso país e a universidade
diante de uma encruzilhada. De um lado, o caminho da desregulamentação
e da mercan-tilização do ensino, que retira do Estado
o protagonismo na definição das políticas
educacionais. De outro, um projeto que percebe a educação
superior como um direito público a ser ofertado pelo Estado
gratuitamente, com qualidade, com democracia e comprometido com
a dignidade do povo brasileiro, com as expressões multiculturais
que emergem do interior da sociedade, com a sustentabilidade ambiental
e com o desenvolvimento tecnológico de sua estrutura produtiva.
O governo atual optou pelo segundo caminho ...". A seguir
deixa claro que: "... a universidade tem um papel estratégico
na construção de um novo projeto de desenvolvimento,
que compatibilize crescimento sustentável com justiça
social."
Desta apresentação,
é preciso enfatizar o conceito de uma universidade pública
e gratuita, em contraposição à mercantilização
do ensino, além do compromisso da universidade com a construção
de um novo modelo de desenvolvimento, que respeite nossas características
históricas e culturais, a questão ecológica
e a justiça social.
Nenhum destes
conceitos seria resultado automático de uma universidade
que se limitasse a responder às exigências do mercado,
decorrência natural do ensino privado, onde a preocupação
central do dono do Capital é, e tem que ser, a taxa de
retorno do investimento. Exatamente por isso, é justa,
é saudável, é animadora a preocupação
central, presente no documento oficial do Ministério da
Educação, quando atribui, à universidade,
a função de contribuir para elaborar uma proposta
de futuro, a "construção de um novo modelo
de desenvolvimento", olhando para a frente, não se
limitando à pressão do mercado.
No mesmo documento,
são apresentadas cinco razões que motivam a reforma.
Seus títulos são suficientemente claros para definir
seus conteúdos:
1– Reformar
para fortalecer a Universidade Pública;
2– Reformar
para impedir a mercantilização do ensino superior;
3– Reformar
para garantir a qualidade;
4– Reformar
para garantir o acesso;
5– Reformar
para construir uma gestão democrática.
O quadro a
seguir mostra a proliferação das entidades privadas,
diante das universidades públicas cujas direções
"fazem malabarismos orçamentários para atender
exigências sempre crescentes".
Para viabilizar
os conteúdos citados anteriormente, algumas ações
são enunciadas, entre as quais o aumento do orçamento,
bem como a contratação e reajuste salarial para
professores. Busca-se atingir 40% das vagas nas universidades
públicas, em 2010 .
Ponto fundamental
dessa reforma é o orçamento global, desengessando
o uso dos recursos e dando maior liberdade às direções
universitárias.
Quanto à
democratização do ensino, destaca-se o pequeno acesso
de nossos jovens, visto que somente 9% dos que estão entre
18 e 24 anos cursam a universidade, diante de 32% na Argentina
e 62% no Canadá. O novo plano prevê a marca de 30%
em 2010.
Na sociedade
da informação, o domínio das tecnologias
de ponta é condição de inserção,
com soberania, no mercado globalizado. É nessas tecnologias
que se concentra, cada vez mais, o valor agregado na cadeia produtiva.
No chamado Primeiro Mundo, embora com grande incentivo estatal,
as empresas são as principais responsáveis pelo
investimento em pesquisa e desenvolvimento dessas tecnologias.
No Brasil isso não ocorre. Aqui, são as universidades
públicas e os centros de pesquisa que cumprem este papel.
Daí
a importância do fortalecimento da universidade pública,
na construção de um Brasil soberano.
Por outro
lado, algumas propostas polêmicas do Governo estão
sendo questionadas, como as bolsas de estudo nas instituições
privadas para alunos de baixa renda, além da aplicação
de cotas raciais. No primeiro caso, observa-se que os recursos
seriam mais bem aplicados, caso fossem dirigidos para o aumento
das vagas nas universidades públicas, de muito melhor qualidade
que as privadas, salvo raríssimas exceções.
No segundo caso, argumenta-se que se está importando uma
solução norte-americana, as cotas, quando nossa
realidade racial é muito diferente, podendo ter efeito
contrário ao das boas intenções de que é
portadora.
Embora a Reforma
Universitária esteja sendo analisada em suas grandes linhas,
é preciso que estejamos preparados para as indispensáveis
mudanças em nossos cursos de engenharia, pois já
passamos da Régua de Cálculo para as redes de microcomputadores,
o CAD (Computer Aided Design) e a Internet.
Este é
outro grande desafio que o Clube de Engenharia precisa enfrentar
rapidamente.
A
Diretoria
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