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TV
Digital: elemento fundamental na consolidação
da democracia brasileira
O presidente
Luis Inácio Lula da Silva acaba de assinar o decreto
criando o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre – SBTVD-T,
com ampla divulgação na imprensa. A pergunta
constante que vinha ocupando o noticiário era se o Brasil
iria desenvolver uma tecnologia própria de TV digital
ou adotar como padrão outra, em uso fora do nosso país.
No entanto
a questão central não é esta e, sim, para
que queremos TV digital? Qual o volume de investimentos públicos
necessários? Quais os serviços que esperamos
obter e em que medida irão contribuir no processo de
inclusão da sociedade na tecnologia digital?
A TV digital
não é apenas um aparelho com melhor qualidade
de imagem e som. Representa um sistema altamente sofisticado
que pode oferecer vários serviços: recepção
e transmissão de dados, voz, Internet, interatividade,
ensino à distância e outros.
Representa,
portanto, a oportunidade de propiciarmos, em larga escala social,
a inclusão digital, já que mais de noventa por
cento dos lares brasileiros possuem aparelhos de televisão.
Outra questão
fundamental, ainda não resolvida, é a legislação
referente à estrutura de radiodifusão. O Código
Nacional de Telecomunicações, em vigor desde
de 1962, foi elaborado no período do governo João
Goulart. Na época uma legislação atualizada
e fruto de ampla discussão no Conselho Nacional de Telecomunicações – CONTEL
e no Congresso Nacional.
A grande
evolução tecnológica nas áreas
de telecomunicações, de TV e de radiodifusão,
com o uso intensivo de recursos de informática e multimídia,
hoje chamada de tecnologia da informação e comunicação
(TIC), nos leva a concluir que a legislação vigente
não atende os requisitos de prestação
desses serviços no interesse da sociedade.
O Congresso
Nacional está em fase de discussões da proposta
de uma Lei Geral de Comunicação de Massa para
definir uma legislação atualizada. É aí o
fórum principal para definição da TV digital
que queremos. Sem uma nova legislação sob concessões
para prestação desses serviços públicos,
estaremos diante de inúmeros conflitos e questionamentos
judiciais.
Nesta discussão
está presente algo que é fundamental para a sociedade
brasileira, a evolução do processo democrático.
Hoje, poucas empresas dominam o mercado de comunicação,
impedindo muitas vezes que a produção regional
e de pequenas empresas se faça presente.
No início
do governo do presidente Lula, tendo à frente o ministro
das comunicações Miro Teixeira, foi redirecionada
a definição da política sobre a implantação
da TV digital no Brasil.
Iniciou-se
um trabalho com equipes técnicas, envolvendo diversas
universidades brasileiras e grupos de trabalhos representativos
da sociedade.
O objetivo
era estudar melhor o assunto e definir, se fosse o caso, um
padrão brasileiro de TV digital.
Pelos relatórios
da maioria dos grupos técnicos, concluiu-se que o padrão
japonês é o mais avançado e o que melhor
atende às nossas demandas. Isto, caso se incluam as
inovações propostas pelos nossos técnicos.
Além disso, está em negociação
com o governo japonês a instalação de uma
fábrica de semicondutores, muito importante para o desenvolvimento
de um parque industrial no Brasil.
Fazendo um
paralelo com a implantação da TV em cores, na
década de setenta, o governo brasileiro adotou o padrão
PAL-M. Este padrão era de origem alemã, o melhor
da época, com inovações inseridas pelos
engenheiros brasileiros. Este fato foi muito importante para
a implantação de um grande parque industrial
em nosso país.
No entanto,
o fato do Brasil ter adotado um padrão próprio,
não alterou em nada a estrutura de concessão
na área de comunicação. O período
de ditadura militar acarretou a concentração
da prestação dos serviços nas mãos
de poucos, várias emissoras e jornais foram fechados
por fazerem oposição ao governo e defenderem
a democracia.
Diante do
quadro atual, o Clube de Engenharia defende as propostas de
uma tecnologia e de uma política industrial que atendam
as nossas demandas econômicas e sociais.
É mister
que o Congresso Nacional defina a Lei Geral de Comunicação
de Massa, coerente e atualizada com as novas tecnologias de
TIC e que atendam os interesses da sociedade brasileira.
A Diretoria
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