Respeito ao erário

O Clube de Engenharia não poderia deixar de somar-se à indignação do povo brasileiro face à proposta das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de aumentar os salários de deputados e senadores para R$ 24.500,00, representando uma variação de 90,7% com relação ao salário atual. Tal atitude seria um escárnio ao nosso povo, particularmente tendo em vista o pretendido aumento do salário mínimo dos R$ 350,00 atuais para os R$ 380,00 propostos pelo Governo Federal.

Em suas manifestações, o Clube considerou que tal decisão, se levada à prática, pouco depois dos lamentáveis episódios que abalaram recentemente o Congresso, reduzirá mais ainda a confiança do povo brasileiro no Poder Legislativo, fato este que pode se constituir em séria ameaça à democracia.

Diante dessa pressão generalizada, à qual se somaram alguns deputados e senadores e uns poucos partidos políticos – e da decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou o aumento por considerar que este deveria ter sido votado no plenário – a Mesa da Câmara recuou e jogou o problema para a próxima legislatura, que começa no início de fevereiro de 2007.

Este é mais um triste episódio da crise que atinge a sociedade brasileira, alimentada por uma série de fatores, dentre os quais avulta a taxa média de crescimento de nossa economia nos últimos vinte anos, que vem oscilando entre 2 e 3%. Tal fato agrava o quadro de desemprego, que atinge mais de 5 milhões de jovens. Nesse contexto, a importação de operários, técnicos e engenheiros chineses, como querem fazer os responsáveis pela construção do Pólo Siderúrgico de Itaguaí, só pode agravar tais problemas.

São fatos como estes que estão na origem da violência urbana, sintomas mais evidentes dessa crise. Esta situação não pode continuar, o país tem condições de crescer a taxas superiores a 5%, usando preferentemente tecnologia brasileira, desde que privilegie o investimento produtivo, a indústria e a engenharia brasileiras.

No Brasil, crises dessa dimensão, quando os poderes democraticamente constituídos não são capazes de tempestivamente superá-las, costumam desembocar em soluções autoritárias.

Pela experiência recente, as instituições da sociedade civil, como o nosso Clube, têm uma árdua tarefa pela frente para, fortalecendo as instituições democráticas, evitar que o país volte ao tempo da escuridão.

Esperamos que em 2007 fatos como este não se repitam e que possamos alcançar o almejado desenvolvimento, com justiça social e respeito à população, ressaltando a importância do exemplo a ser dado pelos dirigentes e representantes eleitos e a responsabilidade que têm perante a nação.

A Diretoria


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