Um projeto de desenvolvimento: saída para a crise

O país e a engenharia brasileira têm sofrido com a falta de planejamento governamental e com as carências da nossa infra-estrutura. Estradas em contínua degradação, portos congestionados e incerteza dos investimentos nas taxas necessárias para o suprimento futuro de energia elétrica inibem o desenvolvimento econômico.

Apesar disso, tem sido notável o desempenho das empresas de engenharia e dos seus profissionais para lutar pela sua permanência no cenário econômico, muitas delas indo até ao exterior para realizar obras que lhe são sonegadas no mercado interno.

A falta de um planejamento indicativo do Estado, em um país complexo e com os problemas estruturais do Brasil, impede que as empresas privadas tenham acesso a um sistema de informações que lhes permita programar as suas próprias decisões de investimento produtivo. Além disso, é preciso enfatizar a necessidade de investimento público em infra-estrutura, instrumento essencial para viabilizar o próprio investimento privado.

Com isso, a economia se desacelera, a renda tende a cair, os empregos a não crescerem na taxa necessária e as empresas perdem mercado para produtos importados, cujos preços estão baixos devido a uma política cambial perversa. Isso sem falar na política monetária, a qual vem mantendo as taxas de juros em níveis que desestimulam os investimentos produtivos. Nessas condições, a economia nacional está sob domínio incontestável do capital financeiro.

Um país com as potencialidades do Brasil não pode se contentar em ser um mero exportador de commodities. Precisamos agregar valor às nossas exportações. Para tanto, é preciso investir na educação continuada, aumentando a escolaridade do trabalhador brasileiro e planejar nossas ações de pesquisa tecnológica em longo prazo.

Em plena revolução da tele-informática, o Brasil tem que buscar novos nichos de mercado, baseados na detenção de conhecimento técnico especializado. No mundo atual, os engenheiros se dividem em duas categorias: os que trabalham nos centros geradores de tecnologias e aqueles que ficam no chão da fábrica controlando a operação de máquinas com tecnologia já embutida. Impõe-se que o Brasil tenha uma política industrial e tecnológica criativa e consistente, capaz de abrir mercados, onde nossas indústrias sejam competitivas e que crie empregos tanto no chão de fábrica quanto nos centros de pesquisa.

Com a Petrobras, a Embraer e a Embrapa, entre outras, já mostramos do que somos capazes na área tecnológica, quando existe uma política bem direcionada e continuidade nas ações de Estado voltadas para o desenvolvimento da pesquisa tecnológica.

Está na hora de mostrarmos que a Engenharia está pronta para a retomada do desenvolvimento e, se houver planejamento e financiamento adequados, ela será capaz de responder aos novos desafios que o crescimento do país imporá. As nossas carências de saneamento básico, transportes urbanos de massa, habitação, recuperação e construção de rodovias e ferrovias são desafios que a nossa engenharia de projeto e construção está pronta para enfrentar. Para isso acontecer, é preciso que o Estado planeje e que o BNDES atue no financiamento. Esta foi a lição que confirmamos nas palestras e debates da nossa recente II Semana Nacional de Engenharia.

Precisamos, ainda, compreender que a globalização tenta esconder suas contradições e sua multiplicidade. Todos sabemos que os países desenvolvidos estimularam a redução das barreiras tarifárias, mas ao mesmo tempo impuseram, de forma unilateral, barreiras técnicas, sanitárias e ambientais aos produtos que eles importam. Cumpre ressaltar que o atual governo do Presidente Lula soube levar à mesa de negociação as especificidades brasileiras e com elas construir o nosso projeto próprio de relacionamento mais igualitário neste cenário globalizado.

O País vai enfrentar em 2006 um processo de eleições gerais, exceto para prefeitos e vereadores. Devemos começar o ano pensando em como construir um debate amplo, capaz de definir um novo Projeto para o Brasil, que o Clube de Engenharia levaria a todos os candidatos a Presidente. Precisamos recuperar a auto-estima dos nossos profissionais e do nosso povo tão sofrido, fazendo-os crer que é possível mudar para encontrar o caminho do desenvolvimento sustentado, que permita avançar na melhoria da distribuição de renda e da justiça social.

A Diretoria


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