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Veículos
elétricos: tecnologia a serviço do meio ambiente
Frota cresce em escala experimental no
país e entusiastas
negociam criar associação para incentivar mercado
Uma tecnologia barata e limpa para acabar com os poluentes que
os automóveis a gasolina e outros combustíveis
insistem em despejar no meio ambiente. Assim podem ser definidos
os veículos elétricos (VE), que, apesar da pouca
receptividade do mercado para esta inovação tecnológica,
tem conquistado significativos avanços em território
brasileiro. Protótipos de veículos de última
geração já circulam no Brasil – como
os ônibus da frota da Superintendência Municipal
de Transportes e Trânsito São Paulo (SPTrans).
A expectativa do consumidor de vencer barreiras
como custo inicial, preço para revenda, aquisição,
aluguel, abastecimento e incentivos para o uso desses veículos "amigos
do meio ambiente" são pontos-chave para engenheiro
e diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética
(INEE), Antonio Nunes Jr. "É importante disseminar
a informação sobre o tema, numa ação
conjunta, como a criação de uma Associação
Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE)",
disse, acrescentando que a formação da ABVE já se
encontra em andamento.
– Na comparação de um veículo convencional
e um híbrido da mesma categoria não devem ser vistos
somente aspectos econômicos e de emissões, mas incluídos
como custo dos veículos convencionais os relativos aos
problemas de saúde e mortes causadas pela poluição.
Não está na hora de se gastar mais com os custos
operacionais e de morrer menos gente? – provocou.
PROTOCOLO
DE KYOTO
Especialistas e autoridades do setor discutiram
a necessidade de impulsionar o mercado de VE. Oswaldo dos Santos
Lucan, da Secretária de Estado do Meio Ambiente de São
Paulo defende a necessidade de ações práticas
para reverter o quadro de emissões de poluentes que
afetam as populações dos grandes centros urbanos. "Os
países em desenvolvimento precisam se preparar para
definir, no contexto do Protocolo de Kyoto, suas metas para
depois de 2012. Os veículos automotores constituem a
maior fonte de poluição nas cidades", disse.
Para o professor do Instituto de Recursos Naturais
da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Luiz Augusto
Horta Nogueira, "os
veículos elétricos são algo inexorável,
que poderão vir num ritmo mais intenso se formos capazes
de usar as oportunidades para romper espaços de ignorância
que ainda subsistem em certos núcleos de decisão".
O vice-diretor de meio ambiente da Associação Brasileira
da Indústria Eletroeletrônica (ABINEE), André Luiz
Saraiva, enfocou os perigos do descarte indiscriminado de baterias
para uso em diversos segmentos e aplicações. Para
ele, as baterias, que não têm um programa específico
de reciclagem, após serem usadas em aplicações
automotivas, acabam contribuindo inclusive com o narcotráfico,
uma vez que o chumbo é utilizado para fabricação
de balas, a carcaça para partes de armas e o eletrólito
para o refino da cocaína.
TRANSPORTE PÚBLICO
O transporte público é um dos mercados promissores
para veículos elétricos. Pietro Erber, diretor
do INEE, apresentou a experiência da New York City Transit,
que ampliou sua frota de 131 para 325 ônibus híbridos
em 2005. A intenção da empresa, que pretende chegar
a 2010 com cerca de 1000 ônibus elétricos híbridos
a diesel, é substituir os veículos a diesel menos
eficientes da frota atual e contribuir para a diminuição
da poluição atmosférica, sonora e visual,
além de obter mais eficiência e economia de combustível.
A eletrificação da frota da Superintendência
Municipal de Transportes e Trânsito de São Paulo
(SPTrans) está em andamento, conforme dados apresentados
pelo consultor de transportes da empresa, Idário Camargo
Branco. A empresa possui 247 carros elétricos, dos quais
227 são trólebus e 20 híbridos. "A
SPTrans transporta em média 135 milhões de passageiros
por mês em São Paulo. São cerca de 37 milhões
de quilômetros rodados por mês, nas 8 áreas
da cidade em que a Superintendência atua".
ÁREAS RESTRITAS
A experiência da Globo com os 121 veículos elétricos
da frota atual, que reduzem a poluição ambiental
e sonora da área do Projac, freqüentada, diariamente,
em média, por 6 mil pessoas, é exemplar. O diretor
da Divisão de Infra-estrutura da Central Globo de Produção,
Mauro Franco Wanderley, destaca que a utilização
da frota de carros elétricos, atualmente com 121 veículos, é mais
uma iniciativa para a preservação do meio ambiente,
pois contribui para a redução da poluição
do ar e sonora do local. As empresas prestadoras de serviço
também fazem uso de veículos elétricos.
– Os carrinhos facilitam a circulação interna
de pessoas e viabiliza o abastecimento de materiais aos sets
de gravação das cidades cenográficas. Nos
veículos convencionais, são realizados testes de
fumaça negra e exigido das locadoras de automóveis
contratadas o controle de poluentes. Um carro Club Car custa
R$ 30 mil. A escala de produção ainda é muita
baixa, o que acaba afetando o preço. O governo não
dá incentivo nenhum para a compra de carrinhos elétricos – disse.
(Fotos: divulgação)
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