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O
Clube de Engenharia nos séculos XIX e XX
Olavo
Cabral Ramos Filho
Os
anos vinte
Na edição
de fevereiro de 2005 tratamos de recordar os efeitos da epidemia
de gripe espanhola sobre sócios, diretores e conselheiros
do Clube de Engenharia. Recordamos também a ausência
de manifestações do Clube sobre a situação
política e social vivida de modo especialmente crítico
naquele mês de novembro de 1918. Até mesmo a reprimida
tentativa de insurreição anarquista na Capital
Federal em 18 de novembro não aparece comentada em documentos
e atas do Conselho Diretor naquele período. Reiteramos
o registrado no texto publicado na edição de
fevereiro de 2005. O Clube sempre esteve presente na maioria
dos “Momentos Decisivos da Vida do Brasil”. Contudo,
nem sempre. É importante pesquisar essas omissões
tanto quanto a voz do Clube naqueles momentos.
Estamos tentando
encontrar na biblioteca e no acervo histórico do Clube
suas manifestações em outro período paradigmático
da história política do país. Os anos
vinte. Não especificamente o retorno dos militares à luta
política contra o pacto oligárquico em funcionamento
desde o mandato do Presidente Prudente de Morais. Não
especificamente a primeira tentativa insurrecional do Forte
de Copacabana em 1922 ou a revolução em São
Paulo em 1924 , com a retirada dos revoltosos para o interior
e sua união a outro contingente sublevado no Rio Grande
do Sul para formar a Coluna Miguel Costa-Prestes. Mas há outros
acontecimentos até mais importantes. A fundação
do Partido Comunista do Brasil em 1922, a permanência
do pensamento libertário e as divergências agudas,
quiçá irreconciliáveis, entre seus pensadores
e militantes, sobretudo se recordarmos que essas diferenças
tiveram seus primeiros sintomas na busca pelos primeiros do
controle e aparelhamento do movimento sindical – e muito
mais, de todo o movimento social – e sua subserviência
a recomendações rígidas recebidas da Internacional
Comunista.
Já perdemos a esperança em encontrar
documentação que ateste quaisquer posicionamentos
mais profundos do Clube de Engenharia sobre esses fatos e engajamentos
nos anos vinte e na década seguinte. As pesquisas e
análises são vastas, sobretudo a partir dos anos
setenta do século passado. Sugerimos aos interessados,
para começar, dois trabalhos do historiador Alexandre
Samis. O primeiro, de 2002, Clevelândia – Anarquismo,
sindicalismo e repressão política no Brasil – Editoras
Imaginário e Achiamé. O segundo, ensaio publicado
na coletânea de vários autores brasileiros e estrangeiros, “Historia
do Movimento Operário Revolucionário”,
com o título “Pavilhão Negro sobre Pátria
Oliva: Sindicalismo e Anarquismo no Brasil”, Editora
Imaginário – 2004. Mas também sugerimos
o recentíssimo livro “Um Cadáver ao Sol”,
de Iza Salles, sobre as traumáticas experiências
pessoais de Bernardo Canellas, militante falecido prematuramente
em 1936.
Pedimos a
algum leitor que, por ventura, pesquisando na biblioteca e
no acervo de memória do Clube, tenha
tido mais sucesso, que faça contato.
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