|
Fumaça
do bom direito
Entidades da área tecnológica,
lideradas pelo Clube de Engenharia, comemoram uma vitória
histórica para a engenharia nacional: a suspensão
da Oitava Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios
da Agência Nacional do Petróleo.
Juntamente com
a Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
e o Sindicato dos Engenheiros (Senge), o Clube impetrou uma Ação
Popular com o objetivo de afastar as limitações
impostas à Petrobras para participar do leilão
da ANP. Com uma liminar concedida pela justiça federal,
conseguimos barrar mais uma iniciativa lesiva ao patrimônio
nacional.
Outra ação conjunta foi a realização
de um Ato Público na sede do Clube de Engenharia que teve
como entidades co-promotoras o Confea, o Crea-RJ, o Sindicato
dos Engenheiros, o Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas, a Sociedade
de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj),
o Sindicato dos Químicos, o Instituto dos Arquitetos do
Brasil (IAB-RJ), a Associação dos Profissionais
Geólogos (APG-RJ), a Associação dos Engenheiros
da Petrobras (Aepet), o Conselho Regional de Química (CRQ-RJ-ES)
e o Instituto Ilumina.
Com esta medida, ficou patente à sociedade
brasileira que estamos atentos. Não vamos titubear, sempre
que se mostrar necessário, em apelar ao judiciário,
que adotou ipsis literis nossa argumentação na
decisão que concedeu a liminar, considerando que nela
havia as indispensáveis condições do fumus
boni iuris (fumaça do bom direito) e do periculum
in mora (perigo da demora).
Nossa Petrobras tem sido exemplo de sucesso.
Trata-se do melhor exemplo de que a empresa pública pode
e deve ser competente, com indicadores que superam os das grandes
empresas do setor, com conquistas tecnológicas que aumentam
nosso orgulho, mostrando que a competência não é patrimônio
da empresa privada.
Entretanto, há maneiras de enfraquecer
nossa Petrobras que não se limitam à privatização.
Os repetidos leilões de nossas áreas petrolíferas
são outro caminho, mais sutil, de reduzir a sua importância
e expressão.
No edital há um item dirigido contra
a Petrobras, sem citá-la explicitamente. Desta vez, a
ANP incluiu a proibição de que uma empresa possa
adquirir mais do que certo número de blocos por região,
limitando as possibilidades da Petrobras, a empresa em melhores
condições de adquiri-los em número expressivo,
como tem feito nas licitações anteriores. Essa
proibição, além de limitar a atuação
da Petrobras, diminui o recurso total a ser arrecadado na licitação,
pois reduz o número de participantes, ao eliminar a Petrobras,
logo que ela tiver adquirido o último bloco permitido.
Perde a Petrobras, cai a arrecadação, perde o Brasil.
O mundo observa o fim da economia do petróleo barato.
Nos próximos anos, há consenso, começa a
cair a produção mundial de petróleo, que
não cresce desde 2003. Há poucas áreas ainda
com potencial de produção, num mundo já muito
explorado e conhecido. Admitem os profissionais do setor que,
aproximadamente, 95% do petróleo existente já está localizado,
restando poucas áreas a serem exploradas, com potencial
expressivo. Não é por outra razão que as
multinacionais do setor buscam desesperadamente novas reservas.
Nossa legislação garante a posse efetiva das reservas às
empresas que as localizarem, perdendo o Brasil o controle sobre
sua potencial produção, num mundo onde o preço
do petróleo tende a crescer rapidamente, diante da previsível
redução gradual e sistemática da produção.
Esta sim é uma questão de segurança nacional.
Nossas reservas representam um patrimônio que terá enorme
valor nos próximos anos. Seu domínio, sua exploração
racional, controlada internamente, no ritmo que melhor interessar
ao nosso desenvolvimento definirá nossa possibilidade
de sobrevivência como nação soberana.
A Diretoria.
>>
volta >>
topo |