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Prestando
Contas
A Diretoria
do Clube de Engenharia optou por dedicar este último editorial
de 2005 a uma breve apresentação das atividades
desenvolvidas neste ano, que se agregarão aos 125 anos
de história do Clube.
O contexto
é o de uma engenharia em crise, reflexo da falta de investimentos
em infra-estrutura, sendo emblemática a deteriorização
crescente de nossas estradas, entre outros exemplos. Nossas empresas,
entre elas as de engenharia, sentem de maneira acentuada a falta
de investimentos.
Ao lado disso,
felizmente, há sinais otimistas na recuperação
de nosso setor naval, reflexo dos excelentes resultados da Petrobras,
que tem optado por encomendar aqui suas mais recentes plataformas,
com apoio decisivo do Governo Federal.
Da mesma
forma, a retomada do planejamento da expansão do setor
elétrico por parte do governo e a reconstrução
da Eletrobrás nos trazem esperanças de garantir
energia para o indispensável crescimento com que sonhamos.
Nesse quadro,
a atuação de nosso Clube tem sido a de estar presente,
lutando, pela retomada do desenvolvimento, com democracia e justiça
social.
Assim, a
direção tem participado, em Brasília, das
discussões que tem evitado a criação da ALCA,
instrumento de novo colonialismo e enfraquecimento de nossa engenharia,
a exemplo do que ocorreu com a engenharia mexicana quando da implantação
da NAFTA.
Temos nos
alinhado com os que defendem a imediata retomada da construção
de Angra III, onde são investidos milhões para manter
encaixotados equipamentos. A usina dará um reforço
decisivo a nossa realidade energética, ao tempo em que
se constitui em massa crítica para a viabilização
comercial de nosso processo de enriquecimento de urânio,
fruto de tecnologia nossa e que nos pode colocar num mercado de
dezenas de bilhões de dólares.
Fruto de
nossa inserção na realidade técnica e política,
trouxemos nesse ano ao nosso Clube o ministro da Integração
Nacional, Ciro Gomes, e o ministro da Controladoria-Geral da União,
Waldir Pires, com uma exposição riquíssima
do que tem sido desenvolvido nesse setor chave e que tem tido
insuficiente divulgação.
O ministro
Ciro Gomes fez uma exposição sobre o projeto de
transposição do Rio São Francisco, trazendo
muito esclarecimento sobre essa obra. Além disso, esteve
aberto ao debate sobre a crise política que estamos vivendo,
trazendo a visão do Governo Federal, nem sempre exposta
com a devida clareza.
Ainda quanto
à crise, o Clube montou um painel com cinco parlamentares,
da base do Governo Federal e da Oposição, onde as
exposições serviram para dar embasamento às
posições de nossos engenheiros.
Contam-se
às dezenas os painéis, debates técnicos,
exposições, seminários e congressos desenvolvidos.
Destaco o VIII Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente,
com a participação de centenas de profissionais,
o que está se constituindo em tradição em
nossa entidade.
A solenidade
comemorativa dos trinta anos da Ponte Rio-Niterói, com
homenagem aos profissionais participantes, foi dos momentos mais
emocionantes vividos pelo Clube, sendo que se ouvia a toda hora
que eles estavam esquecidos nessas três décadas e
eram relembrados pela primeira vez. Fez-se justiça.
A abertura
do Clube a encontros e congressos de profissionais da engenharia
tem aproximado centenas de profissionais, como tem sido exemplo
os congressos de Geologia, Geografia, e de profissionais do setor
nuclear, entre muitos outros.
A aproximação,
cada vez maior, com a Escola Politécnica da UFRJ, nossa
antiga Escola Nacional de Engenharia, tem trazido para nosso prédio
cursos de extensão, aproximando profissionais e dando maior
credibilidade ao aperfeiçoamento em nossas instalações.
Já são dezenas esses cursos de atualização,
indispensáveis nessa realidade que muda com uma rapidez
incrível.
No setor
de eventos, o Clube está se inserindo na vida cultural
do Centro do Rio, com espetáculos sistemáticos de
poesia, música, filmes, e palestras. Nossa parceria com
o Instituto Casa Grande, alojado provisoriamente em nossas instalações,
enquanto é reconstruída sua sede, tem fortalecido
a inserção do Clube no meio artístico, viabilizando
a presença de renomados cantores, com ótimos espetáculos,
com foi o caso da presença de Joyce, Geraldinho Azevedo,
Noca da Portela, e Maurício Maestro.
Ao mesmo
tempo, estamos dando continuidade à recuperação
física de nossa sede social, com a reforma dos elevadores,
a atualização de nosso Centro Cultural, no 220 andar,
que merece ser visitado tal a grandiosidade da reforma, feita
com apoio da Eletrobras.
Nossa finanças estão controladas por uma gestão
austera, onde os recursos são aplicados criteriosamente,
havendo permanente procura de auto-sustentação para
nossas atividades, através de parcerias ou patrocínios.
Finalmente,
embora deixando de expor muito do que tem sido realizado, o Clube
de Engenharia termina o ano de 2005 com duas grandes realizações:
a comemoração do Centenário da Av. Rio Branco
e a II Semana Nacional da Engenharia. O Centenário teve
na atuação do Clube a razão de não
passar em branco esse importante fato, tendo sido o engenheiro
Paulo de Frontin, então Presidente do Clube de Engenharia,
o coordenador dessa obra que mudou a face do Rio de Janeiro. A
Segunda Semana Nacional da Engenharia, com eventos que tomaram
toda a última semana de novembro, trouxe para o Clube palestras
técnicas do mais alto nível, mostrando a pujança
de nossa engenharia, apesar da crise, e dando uma injeção
de otimismo, tendo sido expressiva a presença de estudantes
e jovens engenheiros.
Como se observa,
foram muitas e expressivas as realizações, com a
presença do Clube nos meios de comunicação,
aí incluídas as participações em expressivos
programas de televisão e noticiários.
Entretanto,
é bom enfatizar que, em muitos momentos, a presença
de nossos associados foi aquém do que seria desejável.
Há uma resistência à freqüência,
mesmo para atividades da maior importância. Sei que muitos,
ao lerem este editorial, terão a sensação
de que perderam excelentes oportunidades de se atualizarem com
a realidade técnico-política de nosso país.
É preciso tirar o maior proveito dessas realizações.
Isso só se efetivará com a vinda a nosso Clube de
um número crescente de companheiros.
Finalmente,
a tônica da atuação do Clube, nesse ano que
vem chegando, será a de exigir, batalhar e contribuir para
a definição de um projeto de desenvolvimento em
que a valorização da engenharia e tecnologia nacionais
seja fator de decisão nesse processo.
A
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