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Pela
Vida
Não
restam mais dúvidas: estudos recentes, consolidados, envolvendo
cientistas de diversos países, confirmam a relação
causa-efeito entre o volume de emissões de gases, o aquecimento
global e a elevação do nível dos oceanos.
Até que os mecanismos contidos no Tratado de Kyoto comecem
a surtir algum efeito, a temperatura média da Terra ainda
continuará a se elevar. O tratado representa, apenas, o
início de um longo processo de reversão, que precisa
incluir a adoção, por todas as nações,
de mudanças radicais na forma com que trata o planeta.
Contudo,
apesar de reconhecerem o problema na reunião do denominado
Grupo dos 8, ocorrida há poucas semanas, os Estados Unidos
da América, lamentavelmente, insistem em não adotar
qualquer meta de redução de emissões, contrariamente
aos países europeus. O Brasil, que emite gases de efeito
estufa em quantidade e tempo extremamente inferiores aos dos EUA
e da Europa, teve uma atuação ímpar ao propor
a tese das responsabilidades diferenciadas dos países,
na época da elaboração do então Protocolo
de Kyoto.
No último
meio século, a humanidade alterou as estruturas dos ecossistemas
globais em uma velocidade maior do que em qualquer outro período
da história. Cerca de 60% de todos os ecossistemas do planeta
estão degradados ou sendo usados de um modo não
sustentável, o que pode provocar um colapso ambiental global
em um período de 50 anos. Dentre os problemas mais sérios
identificados, citam-se a destruição da biodiversidade
- através da extinção de florestas para criação
de grandes áreas de monocultura e pasto - o uso da água
em um ritmo maior do que é gerada, e a poluição
dos próprios recursos hídricos, afetando a pesca.
O Clube de
Engenharia, que desde 1984 realiza o Congresso Brasileiro de Defesa
do Meio Ambiente, veio, mais uma vez, nesta oitava edição,
dar a sua contribuição para a causa da preservação
e recuperação ambientais. Com o tema “Oportunidades
e Dificuldades na Defesa do Meio Ambiente”, o evento contou,
nos dias 20 a 22 de junho, com a presença de renomados
especialistas, autoridades e empresários, além de
um público recorde. Os três focos principais dos
debates foram a Gestão Ambiental, o Desenvolvimento Limpo
e a Sustentabilidade Sócio-Ambiental. Cento e quarenta
Trabalhos Técnicos foram selecionados.
Destacaram-se,
no congresso, as recomendações voltadas ao aperfeiçoamento
dos dispositivos normativos, por via do fortalecimento e da transparência
das instituições ambientais. A descentralização
das atividades de licenciamento e fiscalização,
e a melhoria na formação acadêmica dos profissionais
envolvidos, através da inclusão da temática
da proteção ambiental no currículo de diversos
cursos superiores, foram sugestões unânimes. Da mesma
forma, a criação de uma lei de incentivo fiscal
para as atividades de preservação e recuperação
ambientais, similar à da área cultural, foi indicada.
Ressaltou-se
a oportunidade de investimentos em atividades relacionadas ao
seqüestro de carbono, assumindo papel de destaque, nesta
nova proposta para preservação do planeta, a implementação
de fontes renováveis de energia, a produção
de biocombustíveis, as ações relacionadas
à eficiência energética, a gestão de
resíduos sólidos e líquidos, e os reflorestamentos.
O apoio da ONU, para criação de um mecanismo específico
de incentivo que contenha os desmatamentos, foi outra recomendação
relevante, devendo-se reconhecer, todavia, os esforços
recentes de órgãos do governo federal para estancar
estas ações . Abordou-se, ainda, a importância,
para o meio ambiente e para a economia, da gradual modificação
da matriz de transporte do país, de modo a favorecer os
modais ferroviário e aquaviário, em detrimento do
modal rodoviário, cujo principal combustível, o
óleo diesel, é de origem fóssil e importado.
Hoje, o grande
desafio mundial é compor as questões relacionadas
à justiça social e à proteção
ambiental com os processos produtivos. É, pois, imprescindível
que o crescimento brasileiro se sustente não só
economicamente mas social e ambientalmente, por meio do equilíbrio
entre o binômio melhoria da qualidade de vida e conservação
dos recursos naturais. Neste sentido, também mereceu ênfase,
no evento, a situação da cidade do Rio de Janeiro,
com a sua diversidade de recursos naturais e humanos, mas com
índices de violência e de poluição,
nos seus diversos meios, bastante preocupantes. Por tudo que representa
para o Brasil e, mesmo, para o mundo, o Rio poderia se transformar
numa referência maior para esse modelo de desenvolvimento.
Nesta era
do efeito estufa e das alterações climáticas,
é oportuno lembrar que todos nós, pertencentes às
atuais gerações, apenas tomamos emprestado o planeta
das gerações futuras. É preciso que o devolvamos,
no mínimo, nas condições atuais. Este é
o conceito fundamental de sustentabilidade.
Para tanto,
a sensibilização da população e das
autoridades, das diversas esferas de governo, é crucial.
Os riscos apontados são comprovadamente reais e não
são idealizados por cientistas alarmistas ou ambientalistas
radicais. Já estamos vivendo uma grande ameaça.
Torna-se indispensável que todas as entidades e organizações
da sociedade colaborem com essa que é, verdadeiramente,
uma campanha de salvação da Terra e da Vida.
A
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