História
Engenharia Civil

Aimone Camardella

A Atualmente, o exercício das profissões de Engenheiro,Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo é regulado pela Lei n° 5.194, de 24/12/1966, e suas alterações, conforme Decreto-Lei n° 620 de 10/06/1969. Essas profissões são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano, que importem nos seguintes empreendimentos: a) aproveitamento e utilização de recursos naturais; b) meios de locomoção e comunicações; c) edificações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos; d) instalações e meios de acesso a costas, cursos e massas de água e extensões terrestres; e) desenvolvimento industrial e agropecuário.

A história da engenharia é cheia de detalhes, pesquisados por ilustres professores como Pedro Telles, Paulo Pardal, Mario Barata, general Francisco de Paula Ponde, Jeovah Motta, Nascimento Brito e outros.

Em 4 de dezembro 1810, o Príncipe Regente (futuro Rei D. João VI) criou a Academia Real Militar, que veio suceder e substituir a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, e de onde descende, em linha direta, a famosa Escola Nacional de Engenharia, hoje Politécnica da UFRJ. Aquela Academia Militar, que se destinava ao ensino das ciências exatas e da engenharia em geral, formava não só oficiais de engenharia e de artilharia, como também “engenheiros geógrafos e topógrafos para dirigir os trabalhos de minas, caminhos, pontes, canais, portos, fontes e calçadas”.

De acordo com Mario Barata, o ensino nessa escola abrangia três cursos distintos: um curso teórico de ciências matemáticas, físicas e naturais; um curso de engenharia e ciências militares e um curso de engenharia civil, embora esse nome não fosse empregado, nem mencionado na “Carta Régia”.

Conforme Decreto de 22 de janeiro de 1811, a sede daquela Academia seria no Largo de São Francisco, aproveitando, para isso, uma construção inacabada que tinha sido destinada à futura Catedral do Rio de Janeiro. Somente em 1º de abril de 1812 teve início no prédio do Largo de São Francisco, berço da engenharia brasileira.

De acordo com Jeovah Motta, embora subordinada ao Exército, e destinada à formação de oficiais, tinha um caráter muito pouco militar. Em outubro de 1823 esta Academia foi extinta.
Em 1855, como assinala Nascimento Brito, o general Bellegarde e o Marquês de Caxias, na época ministro da Guerra, insistiram em separar completamente o ensino militar do ensino civil, com a criação de um curso com as disciplinas essenciais à engenharia civil, e na mudança do nome da escola.

O Decreto n° 2.116, de 1º de março de 1858, determinou que a Escola Militar da Corte passasse a se denominar Escola Central, destinada ao “ensino das matemáticas e ciências físicas e naturais, e também das doutrinas próprias da engenharia civil”.

No Largo de São Francisco passaram a funcionar a Escola Central e a Escola de Estado Maior do Exército. Com a criação da Escola Central foram instituídos um Curso de Matemáticas e de Ciências Físicas e Naturais e um curso de engenharia civil. Nesses programas, praticamente foi a primeira vez que se empregou objetivamente a expressão “engenharia” civil para designar um curso, e também que se iniciava o ensino teórico das estradas de ferro, pois nessa época o Brasil já tinha três estradas de ferro em operação.

A história da tecnologia é a história das ferramentas e das técnicas úteis para fazer coisas práticas. Relaciona-se intimamente com a história da ciência, que inclui a maneira como os seres humanos adquiriram o conhecimento básico necessário para construir coisas úteis. Dessa forma, o engenheiro civil é um empreendedor. Transforma materiais brutos em estruturas úteis para o homem; pensando na qualidade, segurança, funcionalidade e economia. A sólida formação técnico-científica e administrativa do engenheiro civil possibilita sua atuação crítica e criativa frente às demandas da sociedade, considera aspectos político-econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística. Ressalte-se a necessidade e o desenvolvimento dos técnicos de segundo grau, como infra-estrutura da Engenharia Civil e de outras áreas, de acordo com a especialidade desses técnicos.

Ao concluir este resumido histórico, pode-se verificar que, praticamente, a Engenharia Civil foi das primeiras a estruturar os alicerces científicos e práticos para a construção das cidades. Com o desenvolvimento científico e tecnológico do mundo moderno foram-se alargando as interfaces dessa área com outras mais específicas, como arquitetura e agronomia.


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