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Gerente executivo do Cenpes apresenta palestra do Conselho Diretor
O gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Carlos Tadeu da Costa Fraga, proferiu, no dia 12 de julho, palestra no Conselho Diretor do Clube de Engenharia, sobre os desafios tecnológicos da Petrobras. Após apresentar alguns números da Petrobras, Fraga enumerou alguns princípios que regem a atividade de pesquisa e desenvolvimento da companhia. O primeiro deles é o foco na implementação de soluções tecnológicas que alavanquem resultados empresariais. O gerente executivo explicou que o domínio tecnológico foi fundamental para levar a companhia ao porte que ela tem hoje. Já o segundo princípio diz respeito à integração da Petrobras com universidades e institutos tecnológicos, cooperação fundamental para a inovação. Por fim, o terceiro princípio compromete a Petrobras com o desenvolvimento do país.
– Os investimentos da companhia, traduzindo o princípio de integração e cooperação, vem sendo distribuídos de forma a alavancar pesquisas em parceria com empresas e universidades brasileiras. Esse desafio tem por obrigação fazer com que o desenvolvimento da companhia traga também benefícios concretos para todo o ambiente de engenharia e pesquisa no Brasil.
De acordo com o gerente executivo, de 2006 a 2009, US$ 800 bilhões foram aplicados em trabalhos de pesquisa e desenvolvimento. Esses números, quando comparados com investimentos de outros atores do setor de óleo e gás do mundo, colocam a Petrobras como a terceira maior investidora no mundo em pesquisa e desenvolvimento na área de energia, atrás somente da PetroChina e da Shell.
Segundo Fraga, uma das bases do sucesso em pesquisa e desenvolvimento tecnológico está em dispor de bons laboratórios ou plantas experimentais e um planejamento de investimentos adequado, sem solução de continuidade. Por isso, além da expansão do Cenpes, na Ilha do Fundão, a Petrobras investe outras núcleos de P&D em diversos estados brasileiros.
– No Cenpes, estamos duplicando a nossa área de laboratórios e escritórios. Isso se tornou necessário porque a empresa cresceu. A reserva do pré-sal, as energias renováveis, o retorno da petroquímica demandaram esse crescimento.
TEMPO INTEGRAL
A Petrobras hoje conta com 10.500 engenheiros. Desse número, 800 estão no Cenpes, que agrupados a geólogos, geofísicos, biólogos, químicos, formam um contingente de 1.600 profissionais trabalhando na Ilha do Fundão. Oitocentos são pesquisadores dedicados em tempo integral a pesquisas de desenvolvimento.
– A organização na área de pesquisa e desenvolvimento buscou aproximar os projetistas dos profissionais que desenvolvem idéias inovadoras, de modo a encurtar o tempo entre a geração de idéia e sua implementação em projeto. Hoje, temos 300 engenheiros na engenharia básica e quase 500 técnicos das mais diversas áreas operando plantas experimentais e laboratórios de portes diversos. Uma agenda de pesquisa e desenvolvimento não se materializa se não tivermos recursos humanos capacitados em número e qualidade.
Para isso, a Petrobras desenvolveu uma estreita parceria com as universidades e institutos de pesquisas, que tem um papel fundamental da formação e aperfeiçoamento desses profissionais.
– No Cenpes, dos 800 pesquisadores, um quarto possui o título de doutor e 50% o de mestre. Isso é especialmente desafiador, levando em conta que 60% dos profissionais dos centros de pesquisa tem menos de 10 anos de experiência. Nas universidades, nós temos um perfil etário exatamente oposto ao nosso.
Fraga destacou os mecanismos da legislação brasileira da área de óleo e gás que levam mandatoriamente a Petrobras e outras companhias do setor a investirem nas universidades do país. De acordo com o gerente executivo, sob a gestão do Ministério da Ciência e da Tecnologia, são selecionados alguns projetos de pesquisas acadêmicos que recebem recursos a partir dos royalties das empresas.
– Além disso, existe outro mecanismo de fomento, firmado entre todas as empresas que atuam no setor de óleo e gás do país e a Agência Nacional de Petróleo que obriga a aplicação de 1% da receita bruta obtida pelo operador em pesquisas no Brasil, sendo que metade deve ser aplicada em universidades do país. No caso da Petrobras, com os atuais preços de petróleo, esse investimento obrigatório é da ordem de US$ 400 milhões de reais. Esse mecanismo foi regulamentado no final de 2005 e, por causa dele, hoje investimentos nas universidades cinco vezes mais do que investíamos antes. Se não houver por trás desse investimento uma sólida estratégia, corre-se o risco de não existir um retorno adequado.
PARCEIRA COM UNIVERSIDADES
Para fazer frente a esse investimento, a Petrobras em parceira com universidades, com o CNPq, Finep e o Ministério da Ciência e Tecnologia, montaram uma estratégia em que fica evidente, mais uma vez, a necessidade de construção de bons laboratórios no país.
– A Petrobras, por conta dos desafios que vinha enfrentando desde o início da exploração em águas profundas, já conhecia os mais modernos laboratórios do mundo em cada uma das áreas de conhecimento de seu interesse. Mas, para nossa infelicidade, a maioria deles estava no hemisfério norte, o que nos impões custos elevados e não confere retorno ao país. Então o que fizemos foi identificar quais desses laboratórios seriam necessários construir no Brasil. Investimos então na construção da estrutura física e no desenvolvimento de recursos humanos nas universidades nesses temas. Dessa forma, com o tempo, vamos poder naturalmente investir mais em projetos de pesquisas e menos em estrutura, tirando um retorno da nossa aplicação inicial.
Esse modelo de investimento é conhecido no meio acadêmico como redes temáticas. São identificados 50 temas tecnológicos de interesse da companhia e é feito um mapeamento das competências existentes no meio acadêmico brasileiro em cada tema específico. Depois, é construída uma rede com o grupo de universidades mais competentes naquele tema. Em cada rede, a etapa número um é a construção de uma infra-estrutura experimental, no mínimo, igual aquela que a Petrobras conhece no hemisfério norte.
– Hoje, temos 114 universidades e institutos de pesquisas brasileiros, de estados diferentes, cooperando conosco nessas 50 redes. A área de laboratórios e plantas experimentais construídos através dessa estratégia é quatro vezes a área do Cenpes.
ESTRATÉGIA
Carlos Tadeu Fraga explicou que a estratégia tecnológica da Petrobras em três grandes eixos. O primeiro é expandir os limites dos negócios convencionais de óleo e gás. “Temos muito óleo e gás a descobrir ainda, o pré-sal é uma grande evidencia disso”. O segundo é agregar valor e diversificar a produção. “Aqui aparecem os biocombustíveis, energia renovável e outras fontes”. O terceiro eixo é o que garante a aceitação da sociedade frente à companhia. “Não adianta nós termos reservas, produção significativa, receita de faturamento fantástico, se não tivermos aceitação no que diz respeito à condução de nossos processos. Existe uma percepção de que a indústria de óleo e gás tem degradado o meio ambiente, por isso, é reconhecido pela Petrobras a necessidade de atuar tecnologicamente para diminuir esses impactos”.
O engenheiro afirmou que um dos objetivos do Cenpes é desenvolver tecnologia que permita explorar óleo e gás em fronteiras pouco conhecidas como a do pré-sal.
– Em um mundo de seis bilhões de pessoas, um terço não conhece nenhuma fonte de energia a não ser a lenha. Isto é chocante para quem trabalha na área de energia. A tecnologia de hoje ainda não nos permitiu retirar mais do que 50% do volume de óleo e gás das jazidas descobertas de modo econômico.
EXPECTATIVAS DO PRÉ-SAL
O gerente executivo destacou que o pré-sal é hoje um dos grandes indutores do crescimento da Petrobras.
– Como é uma fronteira situada em águas ultraprofundas, o que dá enorme vantagem competitiva à companhia, reconhecida internacionalmente como líder nesse assunto – um quarto de toda a produção de petróleo em águas profundas é operado pela Petrobras. As reservas do pré-sal equivalem às do setor americano do Golfo do México, que já produziu 45 bilhões de barris de óleo equivalente. Não estou afirmando que esses, necessariamente, sejam os números do pré-sal daqui há 50 ou 60 anos. Mas, certamente, estamos vendo hoje uma potência exploratória que levará a Petrobras e o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento, em um tempo relativamente curto.
A expectativa da companhia é de que a produção do primeiro milhão de barris diário aconteça apenas doze anos após a descoberta do pré-sal.
– O setor de energia do Brasil, seja a área de óleo e gás ou a de energias renováveis, tem enormes possibilidades. São desafios tecnológicos muito interessantes, que dão o arcabouço necessário para a geração de uma nova onda de profissionais. Além disso, o país conta com um parque tecnológico de primeiro mundo. Nossas universidades possuem laboratórios que não devem nada aos melhores do mundo. O Cenpes, que já é considerado um dos maiores centros de pesquisa aplicada do mundo, depois da sua expansão, com certeza estará entre os três maiores do mundo.
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