Ex-presidente do Clube debate no Conselho Diretor modelo chinês de desenvolvimento

Foto: Fernando AlvimO conselheiro e ex-presidente do Clube de Engenharia, Raymundo de Oliveira, proferiu, na reunião do Conselho Diretor do dia 8 de março, a palestra “China Socialismo ou Capitalismo?”. O conselheiro falou sobre sua visita de três semanas, em fevereiro, a três cidades chinesas: Xi’an, HangZhou e Shanghai para participar de um congresso de engenharia e conhecer o funcionamento de universidades daquele país. Raymundo abordou um pouco da história e da cultura do país.

– O grande erro do Ocidente é achar que desenvolver a China é ocidentalizá-la. – destacou Raymundo.

Abordando a história daquele país, o ex-presidente do Clube afirmou que o confucionismo sempre enfatizou a redução da desigualdade, a limitação do tamanho das terras e sua redistribuição.

– Pregava ainda a responsabilidade do Estado nos aspectos sociais e econômicos, a garantia do emprego e a gestão do campo e a cidade de maneira diferente. A tradição confucionista recrutava funcionários estatais por meio de concurso público e exigia alta educação – disse.

Em Xi’an, o engenheiro participou de um Congresso de Engenharia Eletro-Mecânica que debateu, entre outros temas, a fusão do hidrogênio, o uso de terras raras em motores elétricos e levitação magnética. Em Shanghai, conheceu o Mag-Lev chinês, que percorre 40 km em sete minutos e atinge uma velocidade de 431 km/h.

– É uma enorme e moderna cidade, mas me preocupo com o grande número de carros novos de luxo e a existência menos bicicletas do que eu esperava. Existem muitos táxis, que são muito baratos, mas o trânsito é caótico. Os alimentos, transporte e livros também são baratos quando comparados com os modelos brasileiros – destacou.

PARCEIRO ECONÔMICO
Raymundo de Oliveira abordou ainda questões como as 56 etnias chinesas, o domínio das tecnologias de ponta, a qualidade dos programas de TV, o nível dos governantes e o socialismo com características chinesas.

– A China tem 800 bilhões de dólares em títulos do governo americano. É, de fato, o “banqueiro” dos EUA. A China exporta cinco vezes mais do que importa dos EUA. O PIB chinês deve igualar o norte-americano em 2027 e representar o dobro dele em 2050, segundo o grupo Goldman Sachs. Só se observa a economia chinesa, mas ignora-se sua influência política, cultural, intelectual, militar e moral. A China começa a oferecer nova forma ao mundo. Há um crescimento do idioma Mandarim, como na Tailândia e na Coréia do Sul. A China não é um Estado-Nação convencional. É um Estado-Civilização, que pensa e atua de uma maneira completamente diferente do estado ocidental. Está se tornando o mais importante parceiro econômico do Continente Africano.

O conselheiro destacou que a China tem crescido 10% ao ano nos últimos trinta anos.

– Metade da população mora no campo e muitos são ainda pobres. Mas a China tem sido responsável por mais de metade da redução da pobreza mundial nos últimos trinta anos. Trata-se da mais notável transformação econômica na história da humanidade. O Ocidente não entende o processo que se passa na China. Os governos Clinton e Bush imaginavam que a modernização da China seria um processo de ocidentalização. Um país é moldado não só pelos mercados e a tecnologia, mas também por sua cultura e história.

Para Raymundo muitas previsões sobre a China deram errado.

– Depois do episódio da Praça da Paz Celestial disseram que a China se dividiria e o Partido Comunista Chinês (PCC) se despedaçaria, como aconteceu com o da União Soviética após a queda do Muro de Berlim. Quando Hong Kong foi incorporado, a China avisou que seria um país com dois sistemas e o Ocidente não acreditou. Disseram também que o crescimento econômico não duraria, mas durou. Algo de novo acontece. A China nunca seguirá o estilo ocidental. Nunca um país em desenvolvimento se tornou uma das maiores economias do mundo, como está acontecendo com aquele país.

SOCIALISMO OU CAPITALISMO?
O ex-presidente do Clube ressaltou que o socialismo com características chinesas abrange uma inclusão econômica sem precedentes, com socialismo e riqueza, mantido o controle do PCC.

– Vi muito otimismo, civismo, orgulho e reconhecimento pela história, cultura e a tecnologia de ponta do país. Lá, “o partido governa e o povo ganha dinheiro”, como disse um taxista. De organização revolucionária, o PCC evoluiu para um partido que administra. De 1982 a 1997 os membros do Comitê Central (CC) do PCC com curso superior passaram de 55% para 92%. Em 1997, os sete membros da Comissão Executiva do CC eram de formação tecnológica superior em engenharia, geologia e física. Em 1997, 18 dos 24 membros do bureau político do CC tinham curso superior. Em 1995, quase metade de todos os capitalistas privados tinham sido do PCC e membros do governo. Mas a ida de membros do PCC e do governo para o setor privado foi a principal razão para o crescimento da corrupção. Isso pode começar a minar a moral e a legitimidade do PCC – lamentou.

Segundo o engenheiro, a estratégia definida pelo Conselho de Estado chinês aumentará o investimento anual em pesquisa e desenvolvimento para US$ 112 bilhões em 2020, ou 2.5 % PIB chinês.

– A Academia de Ciências da China (CAS) propõe um modelo para erradicar a pobreza e estender a expectativa de vida para oitenta anos em 2050. As prioridades estratégicas são energia, saúde, agricultura, biotecnologia e nanotecnologia. De acordo com a estratégia da CAS, o menor salário mensal na China excederá US$ 1.300 em 2050. Seu objetivo é transformar a China numa sociedade baseada no conhecimento. Capitalismo ou Socialismo? Resposta: socialismo com características chinesas – finalizou Raymundo de Oliveira.


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