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Superintendente regional do Iphan faz palestra no Conselho Diretor
O superintendente regional do Iphan no Rio de Janeiro, arquiteto Carlos Fernando de Souza Andrade, proferiu na reunião do Conselho Diretor do dia 10 de agosto palestra sobre as atividades desenvolvidas pelo Instituto no estado, em particular as obras de restauração do Theatro Municipal.
O teatro foi construído com base num projeto arquitetônico de Francisco de Oliveira Passos, com a colaboração de Albert Guilbert, e inaugurado em 14 de julho de 1909. O desenho do prédio foi inspirado no da Ópera de Paris, concebido pelo arquiteto francês Charles Garnier. Todo o material usado na construção, dos mármores aos metais e vitrais, veio de navio da Europa. Construído entre 1904 e 1909, o Municipal foi tombado pelo Iphan em 1973. Também por sua importância artística foi inscrito no Livro de Belas Artes e reconhecido como patrimônio cultural brasileiro.
– Estamos desfazendo alguns equívocos das duas últimas intervenções no Theatro Municipal nos anos setenta e noventa, retornando com algumas coisas e fazendo pesquisas estratigráficas. Está sendo uma obra muito cuidada do ponto de vista da tecnicalidade. Mas outro viés que eu gostaria muito de ressaltar, é o de entender aquele prédio não como mais um prédio nesta cidade, mas como algo extremamente simbólico, talvez a maior e mais expressiva restauração no Rio de Janeiro e talvez no Brasil.
Para Carlos Fernando Andrade, o Municipal não é apenas mais um prédio.
– Ele é “o prédio” que simboliza o reforço de “capitalidade” da cidade do Rio de Janeiro. Este é um conceito do historiador italiano Giulio Argan, que diz que “capitalidade” não é apenas ser a capital, mas representar a identidade nacional. Paris está para a França como o Rio de Janeiro está para o Brasil. Passados cinqüenta anos da construção de Brasília, o Brasil volta a perceber que ele perdeu a cara. São Paulo jamais será a cara do Brasil e Brasília não virou a cara do país. Ou seja, estamos com um vácuo de identidade nacional. Não é à toa que já está se tratando o Rio de Janeiro de uma forma totalmente diferente, com as candidaturas às olimpíadas, à copa do mundo e a paisagem cultural junto à Unesco. Trata-se de recuperar para o Rio e certamente para o Brasil uma imagem, o que para um mundo que trabalha com o marketing, não é pouca coisa. Imagem é tudo ou quase tudo, infelizmente até. O Brasil está precisando de uma imagem e, ainda, a melhor imagem é o Rio de Janeiro. Eu foco também o Municipal nesse aspecto.
O superintendente falou ainda sobre a restauração da águia que estava instalada na cobertura do Theatro Municipal do Rio e foi retirada para ser restaurada. Com cerca de três metros de altura e seis de envergadura, a águia tem estrutura em ferro e modelagem em cobre. A restauração do ornamento faz parte da recuperação do telhado, que já está em fase final. O ornato, de aproximadamente meia tonelada, foi descido por um guindaste e restaurado no canteiro de obras montado para as intervenções no Teatro.
ESCOLA POLITÉCNICA
Respondendo a perguntas de conselheiros, o arquiteto revelou ainda que o Iphan está discutindo um plano diretor para o prédio da Escola Politécnica no largo de São Francisco de Paula.
– O prédio sofreu mil e mais uma modificações. A grande discussão é que nós queremos a eliminação de algumas das grandes intervenções do passado, o que significa repensar o futuro do prédio. Estou sendo bastante rigoroso e indicando a demolição de dois andares, o que inviabilizaria um grande número de salas de aula. Hoje em dia é comum perceber a obra de restauração como uma obra de restauração artística. Mas é preciso perceber que os prédios vivem dentro da dinâmica da cidade e da sociedade. Portanto, a primeira coisa que fazemos é exigir um plano diretor, estruturado em três etapas. A primeira é a eliminação do risco do bem tombado, seja relacionado à estrutura, incêndio, elétrica ou gás. A segunda é a habitabilidade, como o combate às infiltrações e às situações sanitárias e de aeração. A terceira são as obras voluptuárias.Todo mundo quer começar pela reforma da fachada, que é a última coisa que eu deixo fazer, a menos que esteja enquadrada nas duas primeiras situações. Mas o restauro artístico é efetivamente a terceira etapa, depois de passar por todas as discussões do plano diretor – explicou.
Com o aumento de cerca de 50% que espera obter este ano em relação ao orçamento de 2008 (R$ 4 milhões), o superintendente do Iphan acredita que as ações do órgão serão ampliadas no decorrer de 2009.
– Além do próprio custeio do Iphan, gastamos no estado do Rio de Janeiro R$ 4 milhões, além de uma fantástica quantidade de dinheiro que vem de renúncia fiscal, que também é federal, por meio da Lei Rouanet, atualmente com cerca de R$ 50 milhões aplicados em obras já em andamento – disse.
O Instituto pretende incluir entre as obras emergenciais para 2009, que poderão entrar numa segunda etapa do Programa Nacional de Apoio à Cultura, a recuperação da Igrejinha da Boa Viagem, em Niterói e algumas igrejas no centro do Rio, como as de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Nossa Senhora Mãe dos Homens e da Boa Morte.
Andrade destacou que os municípios fluminenses poderão se beneficiar ainda de recursos provenientes de emendas parlamentares para obras de recuperação ou preservação do seu patrimônio cultural.
Ainda na capital do estado, 3.895 peças do Convento de Santo Antônio e da Igreja Nossa Senhora do Monte Carmo foram inscritas no Inventário Nacional de Bens Imóveis e Integrados.
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