Clube de Engenharia homenageia os noventa anos do Sinduscom-Rio

Foto: Fernando AlvimA diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 20 de agosto, almoço em homenagem aos noventa anos de fundação do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscom-Rio). Fizeram parte da mesa de abertura o presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, o presidente do Sinduscom-Rio, Roberto Kauffmann, os vice-presidentes do Sinduscom-Rio Jacob Steinberg, João Manuel Martins Fernandes e Rogério Cruz Areas, o diretor-executivo do Sinduscom-Rio, Antônio Carlos Mendes Gomes, o superintendente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Murilo Estevam Alevatto Filho, a ex-presidente do Banco da Mulher, Clara Steinberg, o presidente da Aeerj, Francis Bogossian, o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, e o ex-presidente do Clube de Engenharia Renato Almeida.

Roberto Kauffmann afirmou que o país atravessa um momento muito propício para a engenharia brasileira, principalmente para o setor da construção civil.

– Temos tido um grande apoio institucional do governo, não só na esfera federal, como na estadual e na municipal. Independentemente de partidarismo, temos de reconhecer que o atual governo tem prestigiado e apoiado nossas sugestões na área da construção civil. Por ocasião das eleições do primeiro mandato, elaboramos um projeto-de-lei sobre habitação popular sustentável e apresentamos aos então candidatos Serra e Lula. O objetivo era implantar no país uma política nacional de habitação de interesse social como a que existiu à época do Banco Nacional da Habitação. Conseguimos avanços.

O presidente do Sinduscom-Rio lembrou “a pior recessão da história”, em 2002.

– Um exemplo são os recursos da caderneta de poupança. Existe uma lei que obriga a aplicação de 65% dos depósitos em financiamento na área da habitação. No último ano do governo FHC foram aplicados apenas R$ 2 bilhões. Os agentes financeiros não aplicavam em habitação, pois recolhiam recursos a 6% + TR ao ano e aplicavam a 10% ou até 15% ao mês. Logicamente o setor teve a sua pior recessão. Sugerimos aos então candidatos que se cumprisse a lei. Felizmente, cumprindo a lei, no ano passado foram aplicados R$ 30 bilhões em recursos da poupança em habitação.

Kauffaman destacou a criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social.

– Conseguimos desenterrar um projeto-de-lei que tramitava há quinze anos e o colocamos na pauta do Congresso Nacional. Depois ele foi aperfeiçoado pelo setor privado, pelos movimentos sociais e pelo governo. Assim foi criado o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, que reserva recursos do governo para subsidiar habitações de interesse social para as famílias de baixa renda. Foi aprovado ainda no primeiro mandato do atual governo, mas faltavam ainda alguns mecanismos para ser posto em prática.

EXEMPLO MEXICANO

O engenheiro falou sobre sua xperiência na missão empresarial governamental ao México, no fim de 2007, para ver como aquele país estava resolvendo seu problema de habitação.

– Para nossa surpresa, o país que há vinte e cinco anos atrás veio ao Brasil copiar nosso “fundo de garantia”, produziu naquele ano 600 mil moradias populares. No ano seguinte, 800 mil. Tudo decorrente da vontade política, aliada a instrumentos de subsídio conjunto, que reúne recursos do governo federal, recursos regionais, recursos privados e recursos dos fundos. Tive então uma entrevista bastante longa com a atual ministra da Casa Civil, que gostou muito do programa e que prometeu implantá-lo a partir de 2009. Este programa é justamente o “Minha Casa Minha Vida”, que todos estão conhecendo agora. Este programa é maravilhoso. Queremos que ele seja eterno e não apenas desse governo.

Kauffmann chamou a atenção para um projeto de emenda constitucional (PEC) que reserva recursos permanentes do Orçamento Geral da União e dos orçamentos regionais para habitação.

– Esta PEC está tramitando e estamos colhendo um milhões de assinaturas para encaminhá-los a nossos políticos. Precisamos ter recursos permanentes para resolver nosso problema habitacional. Temos um déficit de cerca de oito milhões de unidades. Precisamos construir moradias dignas, com acesso a transporte coletivo de massa, em bairros residenciais que disponham de equipamentos. Estamos trabalhando muito em parceria com o município e o estado para fazermos do Rio de Janeiro o estado que vai fazer mais habitações de interesse social. Como disse um economista, nenhum país do mundo cresceu sem que a construção civil tenha saído na frente. Isto é uma verdade e está acontecendo. Nesses noventa anos, o Sinduscom-Rio está de cabeça erguida e com a sensação do dever cumprido.

INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, disse que a idealização do Sinduscom-Rio foi pioneira “na classe empresarial da indústria da construção brasileira”

– Foi uma iniciativa de um grupo de construtores responsáveis pelo desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro na época. Orgulho-me do meu avô de ter contribuído nessa iniciativa. Característica importante do Sinduscom-Rio é a sua constante presença e firme atuação no cenário da construção brasileira. Assim, o Sinduscom-Rio representa, de forma admirável e exemplar, a indústria da construção civil no Rio de Janeiro. Com as suas comissões técnicas, que tratam da revitalização de imóveis, questões trabalhistas, planejamento e desenvolvimento urbano, obras públicas, materiais, tecnologia e produtividade, habitação de interesse social, e outros importantes temas, o Sinduscom-Rio tem contribuído decisivamente para o desenvolvimento da nossa construção civil – disse.

Heloi Moreira destacou dois exemplos que considera importantes dessa contribuição.

– O primeiro é o Clube de Qualidade, criado em dezembro de 1994, através de convênio entre o Sinduscom-Rio e o Senai-rj. O Clube de Qualidade é um modelo de associação entre empresas e instituições de pesquisa (como UERJ, UFF, UFRJ e CTE, entre outras) que visa desenvolver ações e projetos para melhoria da qualidade e da produtividade na construção civil. Os objetivos principais são o desenvolvimento de projetos com a cooperação técnica de instituições nacionais e internacionais; a promoção de conferências, seminários, reuniões e estudos; a coordenação dos sistemas de indicadores de qualidade e de produtividade capazes de monitorar o desempenho geral das empresas e o fomento à realização de projetos voltados para a melhoria da qualidade nas empresas do setor.

O presidente do Clube de Engenharia destacou, em segundo lugar, a quantidade e a qualidade das publicações do Sinduscom-Rio.

– Com dezenas de guias publicados, contribui para o aprimoramento dos profissionais e até na formação dos nossos estudantes de engenharia e arquitetura. Assim não há como não homenagear o Sinduscon-Rio pela sua quase centenária contribuição para o bem estar da nossa sociedade. O Rio de Janeiro precisa e quer essa atuação do Sinduscon-Rio. O Clube de Engenharia, com seus 129 anos de contribuição à engenharia brasileira, tem autoridade e credibilidade para atestar a importância e a excelência dos 90 anos de trabalho da Sinduscon-Rio.


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