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Francis Bogossian concede entrevista à televisão sobre planos da nova gestão
O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, concedeu no dia 15 de setembro entrevista ao programa Associação Cultural, transmitido pela Rede Vida de Televisão e apresentado pelo pesquisador de música popular brasileira Ricardo Cravo Alvim.
O apresentador abriu o programa afirmando que o Clube de Engenharia é uma instituição “nacional, embora sediada no Rio de Janeiro”.
Francis Bogossian afirmou que sua meta é fazer o Clube de Engenharia voltar a ser o que foi no passado.
– No passado, o Clube de Engenharia atuava junto ao governo da república, tendo provido dois ministros de estado: Hélio de Almeida e Maurício Joppert da Silva, que foram presidentes do Clube. Acho que este é um papel que a instituição precisa desempenhar, como primeiro Clube de Engenharia do Brasil. O segundo foi o de São Paulo, que se denominou Instituto de Engenharia, fundado em 1916, ou seja, 36 anos após a fundação do Clube de Engenharia. Depois surgiu o de Minas Gerias e os de outros estados. O Clube de Engenharia não é meramente um clube social, é um clube que trata dos interesses soberanos da nação brasileira.
Francis ressaltou que o Clube agrega engenheiros de todas as especialidades, além de engenheiros professores, estudantes de engenharia, engenheiros consultores, engenheiros projetistas, engenheiros executores de obras e engenheiros empresários.
– Presido também a Associação de Empresas de Engenharia. Já o Clube de Engenharia atua como uma confederação de engenharia. É muito mais amplo do que a Aeerj, que eu presido há quase quinze anos. O Clube conta com as divisões técnicas especializadas, que deviam ser escutadas pelos governos federal, estadual e municipais para ajudar a resolver problemas. Quero que os governos aprendam a se utilizar do Clube de Engenharia no sentido positivo da palavra, como instituição técnica que é.
ENTROSAMENTO
O entrevistado pregou ainda o entrosamento das entidades de engenharia com o Clube.
– A Academia Nacional de Engenharia, à qual tenho a honra de pertencer, não tem uma sede. Pergunto, por que não solicitar ao egrégio Conselho Diretor do Clube de Engenharia autorização para convidar a Academia a vir se instalar na sede do Clube, como já é o caso da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae), que também está instalada no Clube e utiliza seus auditórios e salas de reunião. Dessa forma, os especialistas da Academia Nacional da Engenharia poderiam se entrosar com as divisões técnicas especializadas do Clube de Engenharia.
O presidente do Clube falou ainda sobre a reforma do prédio do Largo de São Francisco, que sediou a antiga Escola Politécnica, que depois veio a se chamar Escola Nacional da Engenharia.
– Fui da última turma sediada no prédio do Lago de São Francisco. Acho que precisamos encontrar um espaço decente para a faculdade que está instalada ali e transformar aquele prédio no Museu da Engenharia Nacional. Tenho certeza de que batendo às portas de empresas situadas no Rio de Janeiro como a Petrobras vamos conseguir o apoio para restaurar o prédio e fazer esse museu, que será um monumento à engenharia nacional.
DESENVOLVIMENTO
Francis aproveitou a oportunidade para sugerir a mudança para a rua Sete de Setembro da uma banca de jornais instalada em frente à portaria da sede do Clube de Engenharia, “que é um edifício histórico”. Ele destacou que não há desenvolvimento sem engenharia.
– Dizia-se, no passado, que grandes nações como a União Soviética e os Estado Unidos mediam sua capacidade pelo número de engenheiros que formavam por ano. O Brasil está retomando seu desenvolvimento, parece que definitivamente. Há quase trinta anos os engenheiros começaram a ficar desempregados, o que é um sintoma da falta de desenvolvimento. Eu sempre alertava para que não largassem a engenharia, porque quando o desenvolvimento fosse retomado faltariam engenheiros. Hoje temos a satisfação de ver o desenvolvimento sendo retomado e a tristeza de constatar que estamos com falta de engenheiros. Mas é preciso revisar e modernizar o currículo da engenharia. O Clube deve levar essa posição ao Ministério da Educação. Para a exploração do pré-sal é preciso formar mais engenheiros e reciclar e trazer de volta os que abandonaram a engenharia. O Clube também deve fazer eventos para atrair a juventude para nossa profissão, como criar prêmios para os melhores alunos e professores, que poderiam ser financiados pelas próprias empresas de engenharia.
Francis lembrou que esteve à ponto de largar a engenharia, decepcionado com o currículo básico da escola de engenharia.
– Então alguém me levou para o Clube de Engenharia, onde conheci a geotecnia. Lá arrumei meu primeiro e único emprego, que tive até fazer minha própria empresa. Trabalhei quase dez anos na Tecnosolo com o professor Antônio José da Costa Nunes, como estagiário e engenheiro. Depois, para atender meus objetivos sociais, resolvi fundar uma empresa.
Finalizando, o presidente do Clube afirmou que pretende convidar o arquiteto Oscar Niemeyer a projetar o “Centro Oscar Niemeyer”, na sede campestre do Clube, “onde os engenheiros menos favorecidos possam descansar, passar o fim de semana ou tirar férias”.
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