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Clube de Engenharia comemora Dia do Engenheiro Agrônomo
O Clube de Engenharia realizou, no dia 13 de outubro, solenidade pela passagem do Dia do Engenheiro Agrônomo, comemorado oficialmente no dia 12 de outubro. O evento foi promovido pela Diretoria de Atividades Técnicas, através da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR), com o apoio das divisões técnicas de Engenharia do Ambiente (DEA) Formação do Engenheiro (DFE) e Exercício Profissional (DEP).
Fizeram parte da mesa do evento o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (Aearj), Sérgio Agostinho Cenci, a presidente da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), Carmem Lúcia Petraglia, o presidente do Crea-RJ, engenheiro agrônomo Agostinho Guerreiro, e o chefe da DRNR, Ibá dos Santos Silva.
No evento, o sub-chefe da DRNR, José Carlos Queiroz de Magalhães Castro, entregou uma placa ao engenheiro Waldemar Goldberg, que foi homenageado por sua longa atuação no Clube.
Na ocasião, o diretor do Clube Jorge Antônio da Silva exibiu vídeo produzido no Congresso Estadual de Agronomia de 2001, época em que presidia a Associação de Agrônomos, que contou com a participação do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Lula disse que a agricultura deveria ser compreendida como um dos pilares que poderia levar o país a dar um salto de qualidade. Afirmou também que tanto a agricultura familiar quando a de grande escala são úteis ao Brasil, não cabendo antagonizá-las. Segundo Jorge Antônio, já no governo, o presidente cumpriu com a promessa de valorizar a agricultura familiar.
O chefe da DRNR, Ibá dos Santos Silva, falou sobre a extinção do Instituto Estadual de Florestas e a criação do Instituto Estadual do Ambiente.
– A criação do Inea, no entanto, para nossa surpresa, não contava vagas para engenheiros agrônomos. Assim após muita luta, conseguimos com o apoio firme e decidido do Crea e da Aearj, que se abrissem vagas para Engenheiros Agrônomos no Inea. A bem da verdade, nada se poderia fazer sem o apoio da Aearj e do Crea, principalmente na figura do engenheiro agrônomo Jorge Antônio da Silva, um bravo guerreiro em prol não só da categoria, mas também do humilde trabalhador rural. Foram quatro suadas vagas. Conseguidas sem diminuir o número de vagas para Engenheiros Florestais e de nenhuma outra categoria profissional.
PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS
Ibá conclamou os engenheiro agrônomos a se incorporarem na luta para que seja modificada a proposta de Plano de Cargos e Salários que será enviada à Assembléia Legislativa do Estado (Alerj).
– É preciso que ao invés de reservar 40% dos cargos a funcionários concursados e 60% aos “extra-quadros”, somente os cargos superiores possam ser ocupados por indicação política. E que também não haja promoções por julgamento do chefe superior e sim por equipes mistas de profissionais concursados.
O presidente da Aearj, Sérgio Agostinho Cenci, disse que o momento é de comemoração, mas também de algumas reflexões.
– Se avaliarmos a pesquisa agronômica hoje no Brasil, a questão da transferência de tecnologia e a inovação tecnológica no agronegócio, seja ele de porte familiar ou empresarial, observamos uma grande participação do engenheiro agrônomo. Temos que destacar essa importância histórica, que faz com que o Brasil tenha essa segurança, essa autonomia tecnológica, principalmente na produção de alimentos e na geração de divisas para o país. O grande desafio hoje é a necessidade de produzir alimentos, produzir energia e proteger o meio ambiente. Considero que o engenheiro agrônomo é um dos profissionais mais preparados para enfrentar esse grande desafio. Outro desafio é o da inclusão dos pequenos produtores para que gerem emprego e renda. Aí entra a questão da reforma agrária. Considero que sem a atuação do engenheiro agrônomo não é possível fazê-la, mesmo se dividindo e fornecendo terras.
Cenci disse que a profissão de engenheiro agrônomos se consolidou no Brasil, mas que precisa se consolidar também no Estado do Rio de Janeiro.
– Nosso estado precisa aumentar a produção e conservar mais. É um estado, em sua grande maioria, de produtores familiares. A agricultura do Estado do Rio de Janeiro não tem importância na questão monetária, mas tem importância na questão social e na questão ambiental. Nós, engenheiro agrônomos, temos que estar presentes, atuar em parceria, apoiar o poder público e fazer gestão pública na agricultura e meio ambiente para que os problemas do Rio sejam resolvidos. Temos que consolidar a atuação do engenheiro agrônomo no Estado do Rio de Janeiro de forma que essas atividades sejam prioridades nas políticas públicas de estado.
FORMAÇÃO ECLÉTICA
Segundo ele, valorizar o engenheiro agrônomo não é apenas lutar pelo salário mínimo, mas também manter sua formação eclética.
– Discute-se se deveria ser engenheiro agrônomo ou simplesmente agrônomo. Isso mexe com o currículo e a formação do profissional. Agronomia, da forma que está colocada, significa o esvaziamento da profissão do engenheiro agrônomo atual. Seria um profissional voltado à fitotecnia. Vemos que o êxito desses profissionais se deve muito à essa visão holística, integrada, e à essa formação eclética. Não tempos apenas engenheiros agrônomos generalistas, mas também especialistas com visão generalista, que é o que defendemos. É preciso também inserir nesse novo currículo novas competências, por exemplo na área das humanas, que às vezes são mais importantes do que a formação técnica. A habilidade de liderar e atuar em equipes e se comunicar está sendo cada vez mais demandada pelo mercado e pela sociedade. Não queremos reduzir a formação do engenheiro agrônomo, queremos ampliá-la Defendemos também que o engenheiro agrônomo atue de forma interdisciplinar, como, por exemplo, com os engenheiros florestais, pois temos áreas afins e correlatas. Isso valoriza e amplia nosso mercado de trabalho.
Para o presidente da Aearj um dos mais importantes papéis do engenheiro agrônomo é contribuir para que se crie a sustentabilidade que a sociedade requer.
– Talvez, no mundo, o engenheiro agrônomo brasileiro tenha uma das maiores missões pela frente, por se tratar de um país que tem todas essas potencialidades de alimentar o mundo, de gerar energia limpa e de proteger o meio ambiente para que não se tenha impactos climáticos tão nefastos.
PEQUENA PRODUÇÃO
O presidente do Crea-RJ Agostinho Guerreiro afirmou que embora a pequena produção no Brasil tenha alcançado uma pujança e um resultado concreto, por outro lado, nosso país cresceu a um ponto em que a agricultura capitalista e a monocultura, muitas vezes em detrimento do meio ambiente, pelo uso de agrotóxicos, se transformou em parte de nossa realidade.
– Fui diretor do Incra, da Serla e Secretário Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. São desafios que nossa formação básica de engenheiro agrônomo nos permite enfrentar. O ensino de nossa profissão acabou derivando para especialidades às mais profundas e sofisticadas, envolvendo a tecnologia da informação, da matemática e da química, entre outras. Temos que estar em contato permanente com as demais profissões tecnológicas, reunidas no sistema Confea-Creas, para levar adiante o desenvolvimento do nosso país. O país está hoje num grau de desenvolvimento absolutamente surpreendente comparado com dez anos atrás. Hoje o Brasil consegue vencer uma das crises mais importantes dos últimos tempos numa rapidez que países mais desenvolvidos não conseguiram. Segundo dados do PNAD há uma melhoria surpreendente de qualidade de vida.
A presidente da Seaerj, Carmem Lúcia Petraglia, chamou a atenção para a importância dos engenheiros agrônomos para as atividades públicas, na secretarias de agricultura, nos órgãos ambientais e nas companhias de desenvolvimento, pesquisa e produção.
– Essa importância é fundamental. Para o estado, a carreira de engenheiro agrônomo é estratégica, sem falar na iniciativa privada. A atividade da engenharia agronômica é muito afeta à questão da engenharia, de solucionar problemas e fornecer soluções práticas. Acho que assim a sociedade é atendida de forma mais ampla. Acho que foi uma evolução passar de agrônomo para engenheiro agrônomo. É preciso batalhar para que tanto o engenheiro agrônomo como de outras áreas de engenharia estejam sempre presentes na área ambiental.
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