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Ilha do Fundão terá trem de Levitação Magnética
A Ilha do Fundão vai ganhar o primeiro trem de levitação magnética desenvolvido no Brasil. O veículo que dispensa a utilização de trilhos e rodas foi projetado pela equipe do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup), da Coppe, e pela Escola Politécnica, ambas da UFRJ, para percorrer um trecho de 100 metros durante a fase de teste piloto, num protótipo em escala reduzida. Por ser totalmente articulado, inserir-se em curvas de 30m de raio e ser capaz de vencer declividades de 15%, o veículo foi batizado de Maglev-Cobra.
O modelo inicial, no valor de R$ 4 milhões, está sendo financiado pela Faperj, que já liberou a primeira das nove parcelas para a execução do projeto que acaba de ser incluído no Plano Diretor da UFRJ.
Coordenado pelo professor da COPPE Richard Stephan e pelo pesquisador Eduardo David, o projeto tem como meta até 2012 ampliar para 4 km o trajeto e transportar até seis pessoas por módulo a uma velocidade de até 70 km/h, similar à do metrô que circula no Rio de Janeiro. Segundo o professor Richard, o Maglev–Cobra poderá substituir parte da frota de ônibus que circula no campus da cidade universitária, com a vantagem de ser mais rápido e não poluente. “Esta será uma oportunidade para mostrar que o veículo é seguro, eficiente e pode vir a ser uma boa alternativa para centros urbanos”, ressalta o professor.
A terceira fase do projeto ainda é mais ambiciosa: a proposta é transportar passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão ao Santos Dumont, passando pela Ilha do Fundão, pela Rodoviária Novo Rio, Praça Mauá e Praça XV, fazendo conexão com o metrô, na Cinelândia.

VANTAGENS DA TECNOLOGIA
O Maglev não polui e é econômico. Essas são as principais vantagens sobre outros meios de transporte similares. Enquanto a construção de um metrô subterrâneo no Rio de Janeiro tem o custo de R$ 100 milhões por km, os pesquisadores calculam que o sistema de levitação poderá ser implantado por cerca de R$ 33 milhões, ou seja, um terço deste valor.
Os testes com um modelo reduzido do trem estimam um consumo de energia de 25 quilo-joules por passageiro-quilômetro (kJ/pkm), enquanto o consumo de um ônibus comum é de 400 kJ/pkm e o de um avião gira em torno de 1200 kJ/pkm.
O trem que levita possui ainda um sistema de articulação que, pelo fato de não ter portas separando os vagões, como no trem tradicional, permite o livre trânsito de passageiros do início ao fim do veículo, facilitando a distribuição interna dos usuários. Outra vantagem da articulação entre os módulos é sua flexibilidade, o que beneficia sua performance nas curvas. O professor Richard explica que os trens com rodas e trilhos que operam em alta velocidade, como o trem-bala que chega a fazer 350 km/h, não conseguem trafegar em rampas com inclinação superior a 4%, pois dependem do atrito entre as rodas e os trilhos para sua locomoção. Já o Maglev, por ser tracionado através de um motor linear, poderá operar com inclinações de 15%, limitada apenas pelo conforto dos passageiros.
DEZ ANOS DE PESQUISA
O Trem de Levitação Magnética começou a ser desenvolvido em 1998 pelos pesquisadores do Lasup/Coppe, em parceria com a Escola Politécnica e o Instituto de Física da UFRJ. A tecnologia é baseada na formação de um campo magnético de repulsão entre os trilhos e os módulos de levitação (pastilhas supercondutoras que substituem as rodas e são compostas de ítrio, bário e cobre). Para criar este campo magnético, o que faz o trem levitar, os cientistas resfriam os supercondutores a uma temperatura negativa de 196º C, utilizando nitrogênio líquido.
Os pesquisadores montaram no laboratório da Coppe um protótipo do veículo e um trilho de 30 metros de extensão para testar a tecnologia. O princípio da levitação desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros é baseado no efeito de exclusão de campo magnético do interior dos supercondutores (efeito Meissner). O efeito só pôde ser explorado devidamente a partir do final do século XX, com o surgimento de novos materiais magnéticos e pastilhas supercondutoras de alta temperatura. Outros países também estão utilizando esses novos supercondutores em suas pesquisas, como a Alemanha e o Japão. “O trem de levitação é um meio de transporte não poluente, rápido, seguro e alimentado fundamentalmente por energia elétrica. O nitrogênio é um combustível que custa menos de R$ 0,30/l e não polui o ambiente”, ressalta o professor.
O protótipo em escala reduzida do Trem de Levitação Magnética, que hoje se encontra no Lasup, será integrado ao Espaço Coppe Miguel de Simoni, que costuma receber visitas de escolas e do público em geral. “A intenção é ampliar a divulgação da tecnologia para a sociedade. Queremos mostrar às pessoas que o trem que levita não é um projeto futurista e distante, mas uma tecnologia disponível que, em breve, poderá vir a fazer parte do dia-a-dia”, conclui Richard (Fonte: Planeta Coppe).
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