|
Presidente da Eletronuclear concede entrevista exclusiva ao JCE sobre Angra 3
O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal do Clube de Engenharia sobre os preparativos para reiniciar a construção da Usina Nuclear Angra 3. A entidade tem participado ativamente da campanha pela retomada da usina, defendendo a medida através de seus órgãos de comunicação e da imprensa e sediando inúmeros eventos do setor nuclear, como uma reunião pública sobre o empreendimento e seus impactos econômicos e sociais no Rio de Janeiro, realizada em junho de 2007, em parceria com a Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben).
O Clube tem apoiado publicamente a continuidade das obras, seja através de cartas às principais autoridades envolvidas no processo de decisão política e licenciamento, seja por meio de debates, palestras temáticas, artigos técnicos e da publicação de um número especial de sua revista sobre Angra 3. Acompanhe a seguir a íntegra da entrevista.
JCE: Sabendo da Licença de Instalação concedida pelo Ibama e da Licença Parcial de Construção dada pela CNEN para Usina de Angra 3, qual a previsão para a concessão da Licença de Uso do Solo pela Prefeitura Municipal de Angra dos Reis e qual o cronograma para início de construção, início de montagem e entrada em operação dela?
Depois de 23 anos paralisadas, as obras da Usina Angra 3 devem ser reiniciadas ainda no primeiro semestre de 2009. Na esfera federal, a Eletronuclear já obteve todas as autorizações necessárias para a retomada do empreendimento, restando apenas a liberação para o uso do solo por parte da Prefeitura de Angra dos Reis.. Simultaneamente às tratativas municipais, a Eletronuclear aguarda a análise, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), da minuta de termo aditivo ao contrato de obras civis (com a construtora Andrade Gutierrez) que foi encaminhado no início de março. O prazo que o TCU estabeleceu para a análise do documento é de até 60 dias.
Para atender ao Plano Decenal de Energia - PDE 2007/2016, a Usina Angra 3 deverá entrar em operação comercial em novembro de 2014.
JCE: Como estão as negociações para o financiamento da construção, da compra de equipamentos e montagem? Quais as possíveis fontes de recursos?
Para a conclusão do empreendimento, são estimados investimentos adicionais da ordem de EUR 2,5 bilhões (cerca de R$ 7,3 bilhões), sendo 70% desses gastos a serem efetuados no Brasil. O projeto financeiro de Angra 3 considera que cerca de 30% do investimento virão de empréstimos com bancos estrangeiros, que já manifestaram sua disposição em financiar o empreendimento; o restante em empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para bens e serviços nacionais e com recursos próprios e financiamentos captados.
JCE: Quais as maiores diferenças técnicas/tecnológicas entre Angra 2 e Angra 3?
A principal diferença entre Angra 2 e Angra 3 é que esta terá um sistema de instrumentação e sala de controle digitais, em substituição à analógica do contrato existente. Além disso, será erguida sobre rochas, enquanto sua irmã gêmea foi construída sobre estacas.
JCE: A Eletronuclear está preparada para o início dos trabalhos? O que vai ser feito de engenharia dentro da empresa e que o que vai ser contratado no mercado nacional?
A recente experiência com a montagem eletromecânica de Angra 2 vem demonstrar a capacidade brasileira na montagem de empreendimentos dessa natureza. Todas as atividades foram executadas por empresas brasileiras, sob a supervisão e o controle técnico da própria Eletronuclear, sendo a participação estrangeira voltada apenas para atividades nas quais aspectos contratuais assim o determinavam.
Quanto ao suprimento de equipamentos, a indústria nacional terá participação ativa, através da colocação de encomendas no valor de cerca de R$ 1,4 bilhão.
A maior participação de estrangeiros se dará principalmente na fase de comissionamento de equipamentos e sistemas da Usina, cabendo à empresa franco-alemã Areva a complementação do fornecimento de parte dos equipamentos, não disponível no mercado nacional, e o suporte técnico de alguns serviços específicos de supervisão de montagem e de engenharia.
JCE: Qual o plano da empresa para substituição dos empregados mais experientes (gestão do conhecimento) e capacitação dos novos? A empresa fez um novo concurso recentemente. Quando deve começar as contratações destes aprovados?
Em 2007 a empresa iníciou a elaboração de um Plano que previa o repasse de conhecimento na linha sucessória. Este Plano encontra-se sendo finalizado na Diretoria de Administração. Quanto ao concurso realizado em 2008, a empresa já iniciou a convocação com previsão de admissão a partir de 06/07/09.
JCE: A troca dos geradores de vapor da unidade 1 está sendo realizada com sucesso. Isto é uma comprovação da capacitação da equipe técnica da empresa? E quanto isto impactua na moral dos empregados, dá maior ânimo para fazer mais uma usina?
Com certeza a realização de uma tarefa deste porte e com o grau de competência demonstrado até o presente momento, com várias tarefas sendo concluídas antes do cronograma inicial, demonstram a capacidade da nossa empresa para enfrentar estes grandes desafios. Quanto à moral dos empregados, certamente, encontra-se em alta, pelo sucesso das ações realizadas nesta parada, bem como pela expectativa de passar a operar uma “nova” Usina, pois com a substituição dos Geradores de Vapor e outras melhorias que estão sendo implementadas, Angra 1 entra numa nova era gerando expectativas muito otimistas com respeito à obtenção de um desempenho comparável às melhores usinas internacionais.
7) As empresas brasileiras que participaram deste trabalho também lucraram em capacitação tecnológica e competitividade no mercado mundial? Quais são elas?
Com a participação no empreendimento da troca dos GV´s em especial a CNO que integrou o consórcio contratado para esta atividade, se credencia para realizar atividades semelhantes no cenário mundial. Também verificamos que profissionais brasileiros, foram contratados para trabalharem pela própria Westinghouse, empresa líder do consórcio de substituição dos Geradores de Vapor, ou pela Bartlett que atuou na área de proteção radiológica. Da mesma forma, também se credenciaram para trabalhos semelhantes no Brasil e no exterior.
>>
volta >>
topo |