Almoço de abril homenageou escolas públicas de engenharia, arquitetura e agronomia

Foto: Fernando AlvimA diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 30 de abril, almoço em homenagem às escolas públicas de engenharia, arquitetura e agronomia e aos aniversariantes do mês. A mesa principal foi composta pelo 1º vice-presidente do Clube de Engenharia, Carlos Heitor Faria, que dirigiu os trabalhos, a diretora da Faculdade de Engenharia da Uerj, Maria Eugenia de las Mercedes Mosconi de Gouvêa, o diretor da Escola Politécnica da UFRJ, Ericksson Rocha e Almendra, o diretor da Escola de Química da UFRJ, Luiz Antônio D’avila, o presidente da Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) e ex-presidente do Clube, Raymundo de Oliveira, o presidente do Crea-RJ e ex-presidente do Clube, Agostinho Guerreiro, e o presidente da Associação de Empresas de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro (Aeerj), Francis Bogossian.

O almoço contou ainda com a presença do presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), Olympio Alves dos Santos, e do professor Luiz Freire, da escola de agronomia da UFRRJ.

Falando em nome dos diretores presentes, Ericsson Almendra disse que a missão das escolas não é simples, “pois não há progresso nem crescimento sem engenharia”.

– Se analisarmos os últimos trinta anos vamos constatar que, na década de setenta, menos de dez por cento dos alunos desistiam do curso de engenharia. Na grande crise da década de oitenta, a evasão chegou a mais de 50%. Com a mudança da situação, de meados da década de noventa até setembro do ano passado, os estudantes passaram a não desistir porque as empresas começaram a crescer em razão de novos investimentos. Desde então, a evasão veio caindo progressivamente. País que não emprega engenheiros não cresce. País que não quer crescer não precisa de engenheiros – afirmou.

Segundo o diretor, neste século a Escola Politécnica da UFRJ cresceu a uma taxa superior à da economia.

– Minha escola entrou o século com pouco mais de quinhentas vagas e no ano que vem estará oferecendo à sociedade novecentas vagas no curso de engenharia. Quando comecei o curso de engenharia tínhamos sete modalidades na Escola Politécnica e uma na Escola de Química. Hoje a Escola de Química tem, além de engenharia química, cursos de engenharia de alimentos e de engenharia de bioprocessos. Já a Escola Politécnica tem hoje doze modalidades e acabou de aprovar ontem a décima terceira, engenharia nuclear, que terá vestibular no ano que vem – anunciou.

CRISE

Ericksson Almendra ressaltou que o papel das escolas é produzir cada vez mais e melhores engenheiros, “comprometidos com o crescimento desse país”.

– Deixando a modéstia de lado, acho que temos desempenhado esta função com competência. Na UFRJ a crise não chegou. Em 2008 não se passou uma única semana sem que uma empresa fosse à universidade fazer propaganda para contratar novos engenheiros, com uma média de uma palestra por semana. A boa notícia, que eu não consigo explicar, é que até agora ainda não caiu a procura por engenheiros. Desde o início de março temos registrado uma média ainda maior do que uma palestra de empresa por semana. Isto significa que nós, engenheiros, somos essenciais ao progresso – disse.

Segundo o professor, a velocidade é tão grande “que os próprios sistemas de controle de nossa produção não reagem a tempo”.

– Somos acusados de sermos lentos na universidade. Mas não aceitamos essa crítica. Não só aumentamos a quantidade de engenheiros formados, como aumentamos o número de modalidades. Formamos tantos engenheiros hoje que eles até estão tendo dificuldade na obtenção do registro profissional, porque os órgãos competentes não reagem a tempo de fornecê-lo logo após a formatura.

CIDADE UNIVERSITÁRIA

Para ele, todos devem ficar atentos às novidades que virão da UFRJ.

– A universidade está com um gigantesco projeto de mudança na Cidade Universitária, localizada na Ilha do Fundão, que vai ter impacto sobre a própria cidade do Rio de Janeiro. Para começar, decidimos deixar de ser uma ilha. Não fisicamente, claro, mas no sentido de deixar de ser um local isolado. O projeto que se coloca é transformar a Cidade Universitária num local onde a população possa ir nos fins de semana, como vai ao aterro do Flamengo. A orla será urbanizada, existirão ciclovias, a circulação vai mudar completamente e talvez o Fundão seja cortado por um canal, cheio de pedalinhos – detalhou.

O diretor destacou que a mudança “no visual da universidade” será acompanhada pela criação de pelo menos o dobro do número de vagas hoje existentes na UFRJ.

– Temos como plano levar para a Cidade Universitária todos os cursos que ainda estão fora de lá. Já foi aprovada a ida da Faculdade de Educação, do Colégio de Aplicação e da Faculdade de Administração. E as outras irão, porque as condições de trabalho que lá se colocarão serão muito melhores das que hoje se apresentam, sobretudo em prédios históricos como o IFICS que, por conta do Iphan e outros órgãos não podem mais progredir, mudar e crescer. Vai haver uma estação de metro dentro da UFRJ, a mesma que vai ligar o aeroporto do Galeão ao sistema. As perspectivas são as melhores possíveis. Como sou um otimista, acho que vou ver tudo isto construído antes de me aposentar, pois não se constrói o futuro sem otimismo – finalizou.

RÉGUA DE CÁLCULO

Para o 1º vice-presidente do Clube de Engenharia, Carlos Heitor Faria, as escolas públicas de engenharia do Rio de Janeiro são as responsáveis pela formação de gerações de profissionais da área tecnológica, como engenheiros, arquitetos, geólogos, agrônomos, químicos, cartógrafos, “profissionais de capital importância para o desenvolvimento do Brasil e o bem estar do nosso cidadão”.

– É um momento muito especial para nós todos. É mais que hora de pensarmos, nesse século XXI que vai passando rapidamente, que nossa profissão mudou e está mudando aceleradamente. Foram deixados de lado a régua de cálculo e as tabelas de logaritmos. Hoje usamos notebooks e CAD, aposentando as réguas “T” e as pranchetas. Mudou a engenharia e nossos currículos insistem em permanecer longe da vida. A internet tornou nosso mundo pequeno – o profissional da Coréia está muito perto do brasileiro, do chinês, do americano, do alemão. Somos todos vizinhos! Os currículos precisam acordar do sonho do protecionismo, que não existe mais, porque o mundo ficou pequeno com as telecomunicações e mais rápido com a informática – alertou.

Segundo Carlos Heitor Faria é fundamental mudar a maneira de estudar, aprender e ensinar.

– Aquele que foi formado usando vídeo-game não vai suportar a aula ao modo antigo. É preciso mudar as sistemáticas de ensino e currículo. Nesse mundo pequeno e rápido o que é mesmo ser engenheiro? Será o mesmo que pensávamos há cinquenta anos? Os currículos acham que sim. Precisamos pensar juntos nas mudanças que se impõem. Ninguém melhor do que nós mesmos para pensarmos e iniciarmos as alterações que o mundo nos está exigindo. Neste histórico Clube de Engenharia, nos seus quase 130 anos, podemos agregar massa crítica para aprofundarmos esse debate tão oportuno. Queremos ser efetivamente a voz do profissional da engenharia. Para tanto é necessário ampliarmos, cada vez mais, nossa representatividade. Neste almoço, oportunidade ímpar, convidamos os diretores das escolas públicas de engenharia, geologia, arquitetura e agronomia, para trazermos nossos alunos para nosso Clube, de modo a fortalecermos nossa entidade – afirmou.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Segundo o 1º vice-presidente do Clube, a entidade pode e deve ser instrumento para fortalecer a formação profissional de nossos alunos.

– Temos as nossas divisões técnicas especializadas (DTEs) onde, semanalmente, são debatidos, por profissionais da maior competência, os problemas de nossa engenharia. São exemplos as DTEs de Estrutura, de Meio Ambiente, de Energia, de Formação Profissional, de Economia, de Tecnologia da Informação, entre tantas outras. Os alunos de engenharia podem ter nessas DTEs contato com os profissionais mais experientes, empresários de diferentes ramos da engenharia, completando sua formação profissional. Devemos aproveitar essa oportunidade para fortalecermos nossa aproximação e iniciarmos uma marcha conjunta no sentido de debatermos nossos problemas comuns, utilizando a expressiva experiência que acumulamos nessas décadas – disse.

Carlos Heitor ressaltou que neste momento difícil que atravessa o país e o mundo abrem-se oportunidades de mudança de rumo.

– Há opções. Não precisamos permanecer um país pobre, com tanta riqueza embaixo da terra. Para tanto, é necessário um projeto de nação. Nosso Brasil tem caminhado sem projeto, levado pelas circunstâncias. O engenheiro é o profissional do projeto. Construímos nossas casas, em nossas cabeças, antes de fazê-las em tijolos. Vamos, juntos, debater o projeto que nossa terra necessita, o projeto Brasil – conclamou.


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