Chefe da área de Telecom do BNDES debateu futuro do setor com conselheiros do Clube

Foto: Fernando AlvimO chefe do Departamento de Telecomunicações do BNDES, Alan Adolfo Fischler, proferiu na reunião do Conselho Diretor do dia 22 de junho a palestra “Investimentos do BNDES no setor de telecomunicações”. A apresentação teve cobertura do Jornal O Estado de São Paulo e da Agência Leia. A realização da palestra foi sugerida ao Conselho Diretor pela Divisão Técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI).

O executivo iniciou falando sobre a estrutura organizacional do BNDES.

– O BNDES é composto basicamente por três empresas: o BNDES propriamente dito, que faz a parte de financiamento; a BNDESPAR, que é o ramo de participações acionárias do BNDES; e a Finame, que é a agência especial de equipamentos, que o pessoal da engenharia conhece bem. Os ativos totais do banco em 2008 montam a R$ 277 bilhões. A instituição tem uma carteira de financiamentos da ordem de R$ 216 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 25 bilhões. O banco desembolsou em torno de R$ 92 bilhões em 2008 e a expectativa é de que esse ano o valor atinja em torno de R$ 100 bilhões, numa progressão crescente.

O executivo disse que o banco opera basicamente com duas modalidades: operações diretas e indiretas.

– As operações diretas envolvem valores sempre acima de R$ 10 milhões, pois o BNDES não tem estrutura para fazer operações de varejo. Acima desse valor, qualquer projeto pode ser apresentado ao banco, que negocia garantias, taxas de juros e outros detalhes diretamente. As operações indiretas, acima ou abaixo desse valor, podem ser feitas através de um agente financeiro, como, por exemplo, qualquer banco que opere no país. Neste caso, o projeto é discutido em detalhe com o agente financeiro, que analisa o crédito daquele empreendedor e negocia as taxas e o “spread”. O BNDES trabalha com duas taxas: um “spread” básico, que é remuneração do banco, e um “spread” de risco.

POLÍTICA INDUSTRIAL

Alan Fischler afirmou que o motivo principal de o BNDES apoiar o setor de Telecom é fazer política industrial.

– No fundo, o que a gente quer é alavancar as vendas das nossas empresas nacionais, principalmente de tecnologia nacional. Num projeto de tecnologia nacional, o equipamento tem toda a sua gênese dentro de uma empresa brasileira, com profissionais brasileiros contratados para projetar, desenvolver e fabricar. Já um produto nacional, “genericamente” falando, é cadastrado na Finame como Processo Produtivo Básico (PPB). Neste caso ele é simplesmente montado no país com um projeto normalmente mundial, como os desenvolvidos por grandes fornecedores da indústria de telecom como Nokia-Siemens, Huawei e Alcatel. Temos condições especiais para as empresas que compram equipamentos de tecnologia nacional, que é, no fundo, o que queremos incentivar mais.

O chefe do Departamento de Telecom do BNDES disse que o banco aplicou R$ 164,9 bilhões no setor entre 1997 e 2008. Entre nossas metas estão a chegada de backhaul (pontos de concentração de dados) a todos os municípios do país até 2010; conexão em banda larga para todas as 56 mil escolas das sede dos municípios até 2010; celulares 3G em todos os municípios maiores que 30 mil habitantes e em 60% dos municípios abaixo de 30 mil; leilão de frequências WiMax até 2010 e a massificação banda larga. Entre os desafios estão criar alternativas de competição, instituir novos modelos de negócio, priorizar acesso e preço e criar planos populares.

– O brasileiro acessa a internet através das tecnologias ADSL, Wi-Fi, Cabo, 3G e WiMax. As tecnologias móveis flexibilizam o acesso, mas tem com velocidade baixa. As altas velocidades são associadas à fibra ótica (FTTH, FTTN). Mas, um dado chama a atenção: existem cerca de 90 mil Lan Houses no país, das quais 87% são informais. Elas detêm 49% dos acessos à internet no Brasil. Predominam as classes C, D e E, sendo que 54% dos usuários tem até 24 anos – destacou.


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