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Palestra apresenta metodologias de fomento ao desenvolvimento tecnológico
O conselheiro do Clube de Engenharia Marcio Girão proferiu, na reunião do Conselho Diretor do dia 8 de junho, a palestra “Metodologias de fomento ao desenvolvimento tecnológico”. O engenheiro é presidente do Instituto de Engenharia de Software do Rio de Janeiro, ex-presidente e conselheiro da sociedade Brasileira para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), secretário-geral da Federação Nacional de Empresas de informática (Fenainfo) é secretário da Divisão Técnica Especializada de Ciência e Tecnologia (DCTEC).
Segundo o conselheiro, muitos dos obstáculos que o país enfrenta para o desenvolvimento tecnológico advêm de um marco regulatório obsoleto.
– Paradoxalmente, nossos enormes recursos naturais podem acarretar problemas, porque o país tem condições de se desenvolver usando mão-de-obra barata e desqualificada, com tem feito ao longo de sua história. Já os países que não dispõem de recursos naturais só tem uma alternativa: entrar na riqueza através da tecnologia. O exemplo mais gritante é a Alemanha, que consegue ser o maior exportador mundial de café sem plantar um único grão!
Márcio Girão destacou que o último relatório do prestigioso National Science Indicators coloca o Brasil numa posição científica boa e crescente.
– Nós ocupamos hoje 12,2% da produção científica internacional. Só este ano tivemos mais 80 mil teses aprovadas pelo CNPq. Enquanto isso, a tecnologia continua caindo de nível. Se utilizarmos um dos índices usuais para medir a tecnologia, que é o número de patentes registradas nos Estados Unidos, o Brasil tem apenas 0,06% dos registros – e provavelmente 80% deles devem ser da Petrobras. Por que não transformamos ciência em tecnologia? Onde estão os gargalos do país? Esse é o grande debate que o Clube de Engenharia poderia propor à sociedade. E assim o país poderia reavaliar seus métodos e, quem sabe, criar um “Programa de Aceleração da Tecnologia” (PAT).
POTENCIAL TECNOLÓGICO
O conselheiro do Clube advertiu que a indústria privada nacional é usuária hoje de uma tecnologia “emprestada”.
– Outros problemas são uma baixa-estima do brasileiro quanto à produção tecnológica nacional, integração incipiente com a academia e incentivos equivocados, com foi o caso da Lei de Informática. Há também inexigibilidade de contrapartidas e transferências tecnológicas. O Brasil financia uma série de projetos, inclusive do exterior. Por que não fazemos como os estrangeiros, exigindo transferência tecnológica e contratação de tecnologia interna? Mas falta principalmente uma política de demanda de produtos de base tecnológica, o que afasta o capital de risco do país – ressaltou.
– O conselheiro concluiu citando artigo da diretoria, publicado no Jornal do Clube de Engenharia do mês de maio.
– Diz o texto: “é chegado o momento de estabelecermos uma aproximação mais produtiva dos órgãos de fomento com a engenharia nacional para responder ao desafio de como produzir mais tecnologia no menor prazo possível”. Acredito que um debate amplo deveria avaliar criticamente a eficácia dos atuais mecanismos públicos de fomento tecnológico. É preciso criar mecanismos de avaliação permanente do potencial tecnológico do país em sintonia com as oportunidades de negócio. Devemos utilizar o critério constitucional e privilegiar o desenvolvimento tecnológico de empresas “nacionais nativas”. Faz-se necessária ainda uma integração maior das carreiras acadêmicas ao sucesso na transformação de “C” (ciência) em “T” (tecnologia). Finalmente, é preciso reavaliar o papel do Estado nas demandas de projetos de tecnologia, com uma readequação do marco regulatório – afirmou.
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