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Porto do Açu integrará uma das maiores plataformas logísticas do mundo
Com início de suas operações previsto para 2010, o Porto do Açu, um terminal portuário privativo, de uso misto, com área total de 7,8 mil hectares deve colocar o Brasil no seleto grupo de países que dispõe das maiores plataformas logísticas do mundo. O empreendimento é uma sociedade da operadora portuária LLX Logística (51%), do empresário Eike Batista, com a empresa Anglo Ferrous, subsidiária da mineradora anglo-sul-africana Anglo American. Segundo Batista, o porto “tem garantido embarque anual de 26 milhões de toneladas de minério de ferro por 20 anos”.
Localizado no município de São João da Barra, na região norte do Estado do Rio de Janeiro, o Porto do Açu fica próximo das bacias de Campos, Santos e do Espírito Santo. Contará com seis berços de atracação para navios graneleiros e quatro berços de atracação para contêineres, produtos siderúrgicos, carga geral e embarcações de apoio a atividades offshore. Em contêineres, a capacidade anual será de 330 mil TEUs (unidade que corresponde a um contêiner de 20 pés).
Devido à profundidade de 18,5 metros, o novo complexo portuário permitirá a atracação de navios capesize com capacidade de até 230 mil toneladas, assim como a nova geração de “superconteineiros” com capacidade para até 11 mil TEUs. O Porto do Açu terá capacidade para receber navios de grande porte, gerando redução do custo do frete com importações e exportações, inclusive no caso do etanol, garante o presidente da LLX, Ricardo Antunes. Segundo ele, se atracarem no porto navios com capacidade de 6.500 TEUs, ao invés de 1.500 TEUs, o frete cairá de 50 a 75%.
Antunes disse que o aumento de capital e a entrada do BNDESPar como sócio da empresa asseguram os recursos necessários para o desenvolvimento dos projetos atualmente em andamento na carteira da companhia. Para o executivo, a necessidade de capital era o “calcanhar-de-aquiles” da LLX, braço de logística do grupo EBX, que desenvolve os projetos do Porto do Açu e do Porto do Sudeste, em Itaguaí.
A concepção e o projeto básico deste extenso empreendimento portuário foram elaborados pela RAM Engenharia, atendendo às orientações estratégicas da LLX. Segundo o diretor da empresa, engenheiro Eduardo Pereira, “o Porto do Açu é a síntese de uma plataforma logística adequada ao moderno transporte transoceânico de mercadorias. Representa um fator de desenvolvimento de valor inestimável para o norte fluminense e para toda a região sudeste do país”.
ZONA INDUSTRIAL
Na retroárea do complexo será construída uma Zona Industrial com uma área de 7.800 hectares, projetada para abrigar um pólo industrial que incluirá um terminal para minério de ferro, plantas de pelotização, usinas termoelétricas, um complexo siderúrgico e um pólo metal-mecânico. O objetivo é atender às demandas das indústrias de petróleo e bens de capital, unidades petroquímicas, refinarias, indústrias cimenteiras e pátios para armazenagem de granéis e carga geral.
O projeto também inclui centros de distribuição e consolidação de cargas, instalações para embarcações de apoio a atividades offshore, montadoras de automóveis e clusters de processamento de rochas ornamentais. “Este é um porto inédito no Brasil, que conta com a integração porto-indústria. Para importação e exportação é fundamental uma logística adequada e próxima, o que hoje o país não tem”, salienta Antunes. O investimento total no complexo industrial é de 600 milhões de dólares.
MINA E PLANTA DE BENEFICIAMENTO
O Sistema Minas-Rio é constituído por minas de minério de ferro nas regiões de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas e Serro, no Estado de Minas Gerais, com capacidade para beneficiar 53 milhões de toneladas por ano (mtpa) e produzir 24,5 mtpa de finos (pellet feed).
O Projeto prevê investimentos de mais de R$ 8,2 bilhões, dos quais mais de R$ 5,5 bilhões já foram compromissados e mais de R$ 2 bilhões já foram executados. O Projeto gera hoje mais de 5.000 empregos diretos e indiretos. Na região de implantação das obras, a grande maioria está sob responsabilidade de empresas nacionais, com mais de 50% da força de trabalho arregimentada localmente.
Para a mina, a planta de beneficiamento e a planta de filtragem, a maioria dos equipamentos já foram comprados e estão em fase final de fabricação, com investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhões.
MINERODUTO
O mineroduto – o maior do mundo – tem 525 km de comprimento e corta aproximadamente, 1.200 propriedades em 32 municípios. Ligando Conceição do Mato Dentro ao Porto do Açu, situado em São João da Barra, no norte fluminense, irá transportar o minério de ferro produzido. A tubulação de ø26” e ø24” será enterrada em quase toda a sua extensão, com cobertura média de 0,76 m acima da geratriz superior dos tubos.
Toda a tubulação já foi adquirida da empresa nacional Confab, pelo valor aproximado de R$ 600 milhões, e estocada em treze pátios construídos ao longo da extensão do mineroduto.
Foram entregues 44.500 tubos, equivalentes a 131,6 mil toneladas. Estes tubos foram transportados durante 8 meses, começando em 19 de maio de 2008 e terminando em 22 de janeiro de 2009, tendo sido realizadas em 7.405 viagens de caminhão, resultando em 72.000 horas de operação.
Os demais equipamentos principais para o Mineroduto tais como bombas e válvulas, já estão comprados e fabricados. A empresa responsável pela execução das obras é a Camargo Correa. O contrato, de R$ 1 bilhão de reais, mobiliza cerca de mil profissionais.
PORTO
O Porto do Açu é composto por um grande número de estruturas offshore, pois está localizado em mar aberto, distante mais de 2,5 km da praia. As obras estão em ritmo acelerado e mais de 1,1 km de ponte de acesso já foram construídos.
Para o funcionamento do Porto, é necessária a construção de um quebramar com 2,5 milhões de m3 de enrocamento. Para sua construção será explorada uma pedreira, para a produção de pedras de grande dimensões, distante 70 km do porto. Uma estrada está sendo construída para o transporte dessas pedras.
A empresa responsável pela execução dessas obras é um consórcio de duas empresas nacionais, ARG e Civilport, cujos contratos montam em mais de R$ 500 milhões, estando mobilizados 1.500 profissionais.
Os principais equipamentos, tais como, empilhadeiras, recuperadoras, transportadores de correia e carregadores de navios estão comprados e em processo de fabricação, sendo o valor aproximado destes contratos de R$ 160 milhões.
O empreendimento prevê a construção de instalações para a recepção e estocagem de minério de ferro; recuperação do minério de ferro das pilhas de estocagem e embarque nos navios; ponte de acesso ao píer; píer de rebocadores; píer de atracação para embarque de minério de ferro; quebra-mar de abrigo; canal de acesso e bacia de atracação; e edificações administrativas e de apoio operacional.
ESTRUTURAS MARÍTIMAS
A ponte de acesso segue, perpendicularmente à linha de costa, mar adentro, com extensão total de 2.898 m. Apresenta largura total de 26,5 m e vãos de 18 m constituídos por estacas, travessas e vigas longitudinais.
Entre a plataforma em aterro e o início da ponte de acesso sobre o mar, no trecho da restinga, foi construída uma estrutura de transição com 540 m de extensão e 31 apoios com quatro colunas apoiadas em oito estacas de perfil metálico com comprimento médio de 39 m, totalizando 272 estacas.
A ponte de acesso aos píeres sobre o mar inicia no apoio 32 e termina no apoio 162, totalizando 2.340 m de extensão. Os apoios são compostos por quatro, cinco e até seis estacas de concreto pré-moldado, verticais e inclinadas, com comprimento de 48 m e ø 80x15 cm, sendo que também está previsto em parte da ponte a necessidade de cravação de estacas mistas de concreto pré-moldado e parte em aço, com comprimento médio de 65 m, totalizando 667 estacas.
O píer de rebocadores tem início logo após o apoio 162 da ponte de acesso, na mesma direção. Tem largura total de 40 m e 18 vãos de 9 m, sendo o comprimento total de 162 m. Em estudo o detalhamento do projeto que indica os apoios compostos por cinco estacas mistas, com comprimento médio de 54 m e ø 80x15 cm, sendo 38 m de concreto pré-moldado e 16 m em aço.
O píer de minério de ferro começa no início do píer de rebocadores e é transversal a este. O Píer tem largura total de 23,4 m e 15 vãos de 6 m e 117 vãos de 3 m, sendo o comprimento total de 440 m. Os apoios são compostos por cinco estacas mistas, com comprimento médio de 54 m e ø 80x15 cm, sendo 38 m de concreto pré-moldado e 16 m de estrutura metálica, totalizando 356 estacas (276 estacas verticais e 80 estacas inclinadas). Será instalado ainda um sistema de carregamento de navio com capacidade nominal de 10.000 t/h.
QUEBRA-MAR
Para o abrigo das embarcações ancoradas no pier será construído um quebra-mar na forma de “L” com dois seguimentos: o primeiro com 1.300 m (direção Norte-Sul) e o segundo com 925 m (direção Leste-Oeste). Para a construção do quebra-mar é prevista a utilização de cerca de 2.500.000 m3 de rocha.
O quebra-mar se desenvolverá a partir da profundidade média de –14,0 m e será construído em bermas, com seções correntes e com as seguintes características principais: núcleo conformado com pedras T.O.T. (todo o tamanho e com pesos variados); carapaça (armadura) interna; berma externa; camada de transição entre o núcleo e a crista de coroamento; crista de coroamento.
A exploração de uma pedreira no Município de Campos dos Goitacazes, distante cerca de 70 km do Porto do Açu, permitirá o fornecimento de parte das pedras necessárias para construção do quebra-mar. Atenderá também a necessidade de pedra britada para a execução de peças de concreto pré-moldado e das obras de melhoria das estradas de acesso até o local do Porto.
DRAGAGEM
Para o canal de acesso e a bacia de atracação de navios serão feitos serviços de dragagem envolvendo um volume aproximado de 13.200.000 m3 de forma a atingir uma profundidade de -18,5 m até -21,0 m, prevendo-se a atracação de navios de grande capacidade de carga para transporte de minério de ferro –até 160.000 DWT na primeira fase e até 220.000 DWT na segunda.
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