Presidente da Eletronuclear diz no Clube que é possível construir 50 usinas em 50 anos

Divulgação (ABEN)O presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro da Silva, concedeu durante almoço em homenagem à Marinha, no dia 24 de setembro, entrevista a jornalistas da Agência Reuters e do jornal O Estado de São Paulo, repercutida em veículos de comunicação de projeção nacional (veja matéria nas páginas 6 e 7). Em todas as reportagens o nome do Clube foi citado. O executivo disse considerar viável um crescimento expressivo da matriz nuclear em um período de algumas décadas, como já ocorreu em outros países.

Segundo Othon Pinheiro, a idéia do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, considerada "fantasiosa" por alguns analistas, de construir 50 usinas nucleares no país ao longo de coinqüenta anos, agregando ao sistema cerca de 60 mil megawatts de energia, é uma meta "perfeitamente factível".

– Existe perplexidade quando se fala nisso, mas eu não entendo por quê. A França tem 58 mil megawatts instalados, que é quase o que o Brasil precisa, construídos em vinte anos. E isto ocorreu há quarenta anos. A perplexidade é própria do pigmeu mental. Isto é perfeitamente possível realizar. Acho o povo francês muito inteligente mas, se eles realizaram esta tarefa há quarenta anos e num período de vinte anos, por que não podemos fazer em cinqüenta anos? – questionou.

Segundo o almirante, a energia nuclear poderá ser uma das mais importantes da matriz brasileira, já que o Brasil tem grandes reservas de urânio para abastecer as usinas nucleares.
– Embora o investimento nuclear seja alto, o preço do combustível é muito baixo e por isso já somos a segunda fonte de geração no país. Energia nuclear é coisa do presente e não do futuro.

Othon Pinheiro estima que serão necessários investimentos de aproximadamente 150 bilhões de dólares para viabilizar cinqüenta usinas nucleares no país.

– A legislação já prevê a participação da iniciativa privada na construção de usinas, que deverão ser obrigatoriamente operadas pelo governo. Uma modificação pode ser pensada para o futuro. O BNDES pode ser uma das fontes de financiamento dos projetos, que se pagam pela tarifa da energia que será consumida no país. A proposta da Eletrobrás é convidar as geradoras locais (Chesf, Eletrosul, Furnas e outras) para participar dos futuros empreendimentos nucleares.

O executivo anunciou ainda que a licença de instalação da usina de Angra 3 deve sair no mês de outubro e as obras de construção da unidade devem ser lançadas em abril de 2009, mas "a obra de preparação já começou".

– A construção termina em 2014, mas é uma obra com pouca incerteza já que Angra 3 tem uma irmã gêmea ao lado dela.


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