Mesa redonda debateu crise da agricultura estadual

Por decisão do Conselho Diretor, o Clube de Engenharia, com o apoio da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (Aearj), promoveu, no dia 2 de setembro, mesa redonda sobre a agricultura estadual. Segundo o diretor de Atividades Técnicas, Dercio Lopes Bento, que abriu o encontro, a participação superou amplamente as expectativas, com a presença de representantes de quarenta empresas e instituições, num total de noventa participantes.

– Vale lembrar dois fatos que estão na pauta do dia das manchetes dos jornais e demais órgãos de mídia e dos governantes do Brasil e até do mundo. A questão da produção de alimentos a preços justos, por perto e baratos, com justiça social e de forma ecologicamente correta. Por outro lado a produção de novas fontes de energia, a partir de biocombustíveis, as chamadas fontes limpas. Mas além disso, é necessário discutir o racionamento do uso da água em relação ao aproveitamento para preservação da vida silvestre e a conservação das áreas de preservação permanente, como aquelas marginais aos rios e as que rodeiam fontes e lagos – disse Dercio Bento.

Segundo o engenheiro, o Clube de Engenharia está preocupado com a estabilidade do engenheiro agrônomo do Estado do Rio de Janeiro, "esperando do governo a valorização da profissão".

– A agricultura carece de uma política para o estado, não para apenas uma gestão governamental. Esperamos que esta política seja discutida e atualizada permanentemente, de forma a se transformar em assunto estratégico – ressaltou.
Entre as propostas apresentadas estão a realização de um Congresso Estadual de Agricultura em 2009 e a continuação das discussões iniciadas na mesa redonda. Após o encontro foi realizado um coquetel de congraçamento.

POLÍTICA AGRÍCOLA

Os objetivos do evento foram expostos pelo conselheiro do Clube Jorge Antonio da Silva, e pelo Presidente da Aearj, Felipe da Costa Brasil: "avaliar e debater a atual crise da agricultura do estado do Rio de Janeiro; buscar a integração de todas as instituições presentes para o enfrentamento e a superação da atual crise do setor; e elaborar um documento com ações propositivas e afirmativas como resultado desta mesa redonda".

Entre outros pontos, foram questionados os principais resultados da atual política agrícola do Estado do Rio de Janeiro nos últimos dez anos; o atual modelo de integração das instituições da agricultura fluminense; a contrapartida do estado aos programas do governo federal voltados para a agricultura fluminense; o atual modelo de integração dos governos federal, estadual e municipal; e as perspectivas para as empresas ligadas à Secretaria de Agricultura (Emater, Pesagro, Ceasa, Fiperj).

A maioria dos presentes concluiu sobre a ausência de políticas para o setor. Foi unânime a avaliação de que o evento contribuiu para conhecer as ações desenvolvidas pelas instituições participantes, revelando a pouca integração entre as ações e as próprias instituições.

– Extraiu-se ainda do encontro que o estado carece de um Plano de Desenvolvimento Agropecuário e Pesqueiro que contemple o estabelecimento de objetivos, estratégias, metas e recursos para a implementação de ações, programas e projetos; a definição clara das políticas, programas e projetos prioritários; a concepção e discussão com a sociedade de uma proposta de zoneamento ecológico-econômico da área geográfica estadual, levando em conta o disposto na Lei 4.297/2002 – disse Jorge Antonio da Silva.

ZONEAMENTO

Segundo o engenheiro, o zoneamento que vem sendo elaborado é restritivo e pouco participativo.

– Outros pontos de consenso são a identificação das instituições e respectivas responsabilidades pela implantação do plano, estabelecendo as formas de parcerias e de integração das ações e monitoramento, o fortalecimento institucional das empresas de administração direta e indireta vinculadas à Secretaria de Agricultura e a valorização dos profissionais e funcionários da Secretaria de Agricultura – destacou Jorge Antonio.
Estiveram presentes ao encontro representantes das seguintes instituições: Aearj, Clube de Engenharia, Incra, UFRRJ, Faerj, Ief, Fetag, Unacoop, Casa do Adubo, Embrapas (Alimentos, Solos, Agrobiologia), Aferj, Emater-Rio, Pesagro-Rio, Cesma, Seappa, prefeitura de Resende, UFRRJ-Campos, Fiperj, Conama-Bicuda Ecológica, Ibge, Transpetro, Futuro Fértil, Apherj, Idaco, Tropiflora, Crea-RJ, Sentinela Ambiental, Ist-Paracambi, Firjan, HD planejamento, UFF-Promimp, Uenf, SDS-Seappa, Dig Controle de Vetores, Ambiental Lixo Zero, Int-Mct, Banco do Brasil e Unesa.


>> volta
>> topo