Almoço de setembro homenageia a Marinha

(Foto: Fernando Alvim)A diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 24 de setembro, almoço em homenagem à Marinha do Brasil. Para compor a mesa principal do evento, foram convidados o presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, e os seguintes diretores da Marinha: vice-almirante Newton Cardoso (Comunicações e Tecnologia da Informação) – representando o diretor-geral do Material, almirante-de-esquadra Marcus Vinicius Oliveira dos Santos – vice-almirante César Pinto Corrêa (Arsenal de Marinha do Rio), vice-almirante José Geraldo Fernandes Nunes (Sistemas de Armas) contra-almirante Fernando Mauro Barbosa de Oliveira (Aeronáutica) e o contra-almirante Marcos Nunes de Miranda (Obras Civis), contra-almirante Francisco Roberto Portella Deiana (Engenharia Naval), além do coordenador do Programa de Reaparelhamento da Marinha, contra-almirante Antonio Carlos Frade Carneiro, do coordenador da Manutenção de Meios, contra-almirante Reinaldo Antonio Ferreira de Lima e do presidente da Eletronuclear e sócio do Clube de Engenharia, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Também participou do almoço o diretor de Transportes Marítimos da Transpetro e conselheiro do Clube, Agenor Cesar Junqueira Leite.

Durante o almoço também foi prestada homenagem ao conselheiro vitalício do Clube, José de Barros Ramalho Ortigão, com a entrega da medalha de Paulo de Frontin. O presidente do Clube disse a presença do engenheiro “sempre nos brinda com suas eloqüentes manifestações”.

O conselheiro Ramalho Ortigão também foi homenageado no almoço (Foto: Fernando Alvim)O diretor de Engenharia, contra-almirante e engenheiro naval Francisco Deiana, que falou em nome da Marinha, disse que a homenagem do Clube, “honrada e secular instituição” envaidece a Marinha, “notadamente nos tempos atuais, em que vemos a engenharia no país passar por fase tão promissora, em diversas áreas de atuação”.

– Em especial, destaco a engenharia naval, com a indústria de construção naval bastante aquecida, que já registra cerca de 40 mil empregos diretos nos mais de 25 estaleiros de médio e grande porte do país, mesmo nível alcançado ao final da década de 1970, quando o país chegou a ocupar a 2ª posição no ranking mundial de construtores navais, em termos de toneladas de porte bruto produzidas. As recentes descobertas da camada do pré-sal, em águas ultraprofundas impõe a necessidade de inúmeros empreendimentos na indústria offshore, em diversos tipos de plataformas e embarcações de apoio, com todo o arraste tecnológico associado, nas indústrias subsidiárias. As imensas instalações da exposição de óleo e gás que ocorre nesta semana no Riocentro dão uma idéia da importância dessa indústria no país e no exterior – comparou.

REAPARELHAMENTO

O contra-almirante disse os “orçamentos crescentes” do governo federal para o Programa de Reaparelhamento da Marinha.

– São recursos que possibilitam a obtenção de diversos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, processo esse que não pode prescindir de uma engenharia de qualidade e de profissionais de igual capacidade. No momento, também graças a novos ventos que sopram no país, começam a ser lançados os alicerces de uma Base Industrial de Defesa, que permitirão o desenvolvimento de diversas indústrias voltadas para esse importante e estratégico segmento de engenharia, essencial para o sólido aparelhamento das Forças Armadas com os meios necessários ao cumprimento da missão constitucional a elas atribuída – afirmou.
Para Francisco Deiana, a Marinha tem procurado contribuir para a formação dessa base industrial, não apenas aumentando o índice de nacionalização de seus navios, como também propiciando que os estaleiros nacionais participem da construção de novos meios navais, com a conseqüente geração de empregos.

– A título de exemplo de atividades ora em curso, cito a construção de 2 navios-patrulha de 500 t, no estaleiro Inace, localizado no Ceará, e o processo licitatório para a construção de mais quatro unidades da mesma classe, também em estaleiro nacional. Essa classe de navios será empregada fundamentalmente na proteção de nosso patrimônio na imensa Amazônia Azul. Senhores, aqui cabe um aparte. Nossas Águas Jurisdicionais, incluídas a Zona Econômica Exclusiva que vai até a linha de 200 milhas da costa, e a proposta de extensão da plataforma continental atingem a imensa cifra de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, que correspondem a 53% do área continental do país; essa área possui extensão semelhante à da Amazônia Verde Legal, daí o conceito de Amazônia Azul para esse imenso patrimônio brasileiro, pertencente a todos os cidadãos – explicou.

BASE TECNOLÓGICA

O oficial disse ainda que o programa de reaparelhamento contempla ainda a construção de submarinos e de diversas outras classes de navios e embarcações, de portes variados, também a serem obtidos no país, permitindo a criação de uma base tecnológica que possibilitará a construção de meios navais de maior complexidade no país pelos estaleiros nacionais.

– Julgo ainda oportuno mencionar que a Marinha possui um Corpo de Engenheiros constituído por militares e servidores civis que atuam em diversas áreas de conhecimento de engenharia: naval, mecânica, elétrica, eletrônica, telecomunicações, produção, civil, metalúrgica, química, de materiais, aeronáutica, de armamento e nuclear, em atividades de pesquisa, projeto, produção, manutenção e reparo, desenvolvidas em diversas organizações militares, desde as diretorias especializadas do Setor do Material, até os centros tecnológicos de pesquisa, passando pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e pelas bases navais. Em todas essas áreas de conhecimento – que incluem a fabricação de munição para uso militar naval, a construção de submarinos e o domínio da tecnologia nuclear no país – tem sido fundamental a parceria com a indústria privada, com as universidades e com os centros de formação de engenharia, de modo a possibilitar a criação das condições ideais para a formação de uma sólida base para o desenvolvimento de ciência e tecnologia no país – analisou o contra-almirante Francisco Deiana.

O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, entregou ao vice-almirante Newton Cardoso placa homenageando a Marinha e recebeu do contra-almirante Francisco Deiana um brinde para o acervo da entidade.

Heloi falou da atuação da Marinha nos diversos campos necessários para o desenvolvimento “na defesa da nossa pátria, em especial, no extenso, largo e profundo litoral e também nos locais mais longínquos das nossas bacias hidrográficas”.

– A Marinha do Brasil atua também na saúde, na instrução, nos esportes, na ciência, na pesquisa tecnologia, na formação de mão de obra em todos os níveis e graus, na defesa do meio ambiente, nas artes, na história e inúmeros outros campos, lidando com populações remotas em condições sociais extremamente difíceis e também com áreas de conhecimento de ponta a serem pesquisados. São homens e mulheres que utilizam diariamente equipamentos, instrumentos, espaços físicos e conhecimentos como armas para vencer uma guerra contra o atraso tecnológico, contra as enormes barreiras sociais, contra as dificuldades de acesso à saúde e educação. São atividades diárias, promovendo a cidadania para todos – destacou.

ARSENAL DE MARINHA

O presidente do Clube disse que o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro é o maior complexo industrial militar naval do Brasil, que constrói, com alta tecnologia, submarinos e navios de superfície, executa sofisticados reparos em qualquer meio naval, inclusive “refits” de fragatas, de submarinos e até de plataformas e navios petroleiros.

– A Construção do Arsenal de Marinha, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, foi o mais importante conjunto de obras realizado no país na sua época (1922 a 1931), sendo comparável, em volume e importância relativos, à construção, por exemplo, da hidroelétrica de Itaipú. Para se avaliar a importância dessa obra basta citar um fato: quando, em janeiro de 1925, o Presidente Arthur Bernardes resolveu paralisar todas as obras públicas a cargo do governo federal, devido a dificuldades financeiras do país, houve uma única exceção: a construção do novo Arsenal da Ilha das Cobras – lembrou.

Heloi Moreira disse que a construção do Arsenal de Marinha foi uma obra difícil, onde alguns complexos problemas de engenharia tiveram brilhantes soluções.

– Como disse o  engenheiro Antonio Alves de Noronha, um dos participantes dessa obra. “O Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras é um dos feitos da engenharia brasileira mais perfeitos e mais completos, graças à multiplicidade de seus problemas de construção e à felicidade das soluções alcançadas. É obra que causa admiração ao mundo técnico estrangeiro”. A entrada do dique foi outra construção difícil e que deu margem a muita discussão. O professor Joppert, que também participou da sua construção, considerava essa obra como “o problema de engenharia hidráulica mais interessante até hoje, talvez, executado no Brasil”. Entre outros os engenheiros Antonio Alves de Noronha e Maurício Joppert foram brilhantes profissionais. Em especial, Maurício Joppert, que foi nosso Presidente por vários mandatos.

CORPO DE ENGENHEIROS

O segundo ponto, prosseguiu Heloi, refere-se ao Corpo de Engenheiros da Marinha.

– Com seus 118 anos superando dificuldades existentes, usando a criatividade e a inovação em engenharia, para construir, manter e reparar os meios navais, evitando que a tecnologia adquirida seja perdida, desenvolvendo novas técnicas e acompanhando o “estado da arte” no cenário internacional. O terceiro é a sua participação no desenvolvimento da nossa tecnologia nuclear, cada vez mais necessária para a nossa matriz energética. Em suma, a nossa Matinha do Brasil contribui para o desenvolvimento da nossa indústria, nas áreas naval, nuclear, de equipamentos, instrumentação e comunicação, além de atuar socialmente nessa vastidão territorial.

O presidente do Clube ressaltou ainda que, desde 1832, quando a Academia de Guarda da Marinha foi anexada à Academia Real Militar “nós, engenheiros e oficiais de marinha, estamos marchando juntos para a construção do Brasil”.

– Dentro das tradições navais está a Flâmula de Comando. Hoje este Clube exibe esta flâmula com a presença das suas autoridades nos nossos recintos. Parabéns à Marinha do Brasil – finalizou.


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