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IX Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente debateu políticas públicas para garantir sustentabilidade
O Clube de Engenharia, o Crea-RJ e a UFRJ realizaram, de 22 a 27 de setembro, o IX Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente (CBDMA). O tema desta edição foi "Engenharia e Sustentabilidade: o que se pode fazer pelo Brasil sustentável neste mundo globalizado", que buscou ressaltar as ações de desenvolvimento sustentável.
O evento teve o apoio da Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França (ABPEF), da Fundação Brasileira de Tecnologia da Sondagem (FBTS) e da Fundação José Bonifácio e o patrocínio do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea), Eletrobrás, Furnas, Eletronuclear, Petrobras, Construtora Norberto Odebrecht e Souza Cruz. O IX CBDMA foi coordenado pelos diretores de Atividades Técnicas do Clube Marcio Paes Leme e Dercio Lopes Bento.
A cerimônia de abertura ocorreu no auditório do 25º andar do Clube de Engenharia, com a presença do presidente da entidade, Heloi Moreira, da secretária estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, do Consul Geral da França no Rio de Janeiro, Hugues Goisbault, do presidente do Crea-RJ, Reynaldo Barros e do representante do reitor da UFRJ, professor Jorge Xavier da Silva.
Heloi Moreira, ressaltou que o CBDMA vem sendo realizado pelo Clube de Engenharia desde 1984.
– Antes mesmo que a mídia tivesse percebido a importância do meio ambiente, este Clube já tomava a iniciativa de trabalhar e discutir a questão. O Brasil, com seu território bastante vasto, tem problemas ambientais de norte a sul e de leste a oeste. Esta é uma área extremamente promissora para o exercício da engenharia, havendo hoje um número razoável de instituições de ensino formando engenheiros ambientais, que entendo será a habilitação do futuro – disse.
Heloi deu as boas vindas aos estudantes presentes ao evento "que percebem que a atividade de formação não deve ficar restrita somente a uma sala de aula e sim à participação em discussões, ouvindo opiniões diversas de especialistas".
– A presença de estudantes nesta casa nos é extremamente grata. Essa instituição, fundada ainda no século XIX, hoje com 128 de existência, foi criada com um objetivo bastante claro: constituir uma casa, envolvendo empresários e engenheiros, para discutir questões técnicas dos diversos ramos da engenharia e da arquitetura. Ao realizarmos este IX Congresso, entendemos que estamos, mais uma vez, cumprindo nosso papel de discutir as questões técnicas para que as decisões políticas sejam as melhores para todos nós – destacou.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A secretária estadual de meio ambiente, Marilene Ramos, ressaltou que já participou em outras edições do CBDMA, apresentando trabalhos e participando de discussões "sempre muito proveitosas".
– O Clube de Engenharia, como uma casa de engenheiros, tem sempre essa preocupação, expressa no tema deste ano do CBDMA. Esse é o sentimento do engenheiro: o que podemos efetivamente fazer para resolver as questões, especialmente num momento em que o Brasil e o estado em particular atravessam um momento de desenvolvimento importante, com grandes obras e grandes investimentos. Por outro lado, temos que olhar para que esse desenvolvimento seja de fato sustentável, para beneficiar a população que hoje está marginalizada, vivendo em situação de pobreza e em condições habitacionais inadequadas e degradantes. Em termos de saneamento costumo dizer que estamos na Idade Média, ao mesmo tempo em que estamos sendo confrontados com problemas da pós-modernidade, como é o caso do aquecimento global – afirmou.
Segundo os coordenadores do Congresso, os diretores de Atividades Técnicas do Clube Marcio Paes Leme e Dercio Lopes Bento, num planeta globalizado, uma nação isoladamente não conseguirá proteger-se de uma agressão ambiental mundial.
– O congresso cumpriu seu papel de dar maior visibilidade aos atuais problemas ambientais deixando de se preocupar com soluções pontuais. A temática do congresso foi bastante abrangente e trouxe para os cerca de 300 participantes expectativas positivas quanto à solução de diversos problemas ambientais – disse Marcio Paes Leme, que concedeu longa entrevista exclusiva à rádio CBN sobre o IX CBDMA.
– As experiências relatadas, tanto nas mesas redondas como nas palestras e trabalhos técnicos demonstraram que inovações tecnológicas devem estar orientadas à ecoeficiência e à sustentabilidade. A responsabilidade governamental em empreender políticas públicas voltadas a essas duas áreas teve cobrança permanente dos congressistas. Educação ambiental em todos os níveis foi uma das preocupações deste congresso. A engenharia, para compatibilizar o desenvolvimento e o ambiente, é a grande ferramenta das transformações para melhoria da qualidade de vida deste planeta – disse Dercio Lopes Bento.
EIXOS TEMÁTICOS
O Congresso abordou quatro eixos temáticos: Políticas sócio-ambientais; Gestão sócio-ambiental; Inovação tecnológica orientada à ecoeficiência; e Educação para a sustentabilidade e transversalidade dos saberes. Cada eixo temático contou com uma conferência sobre o tema e uma mesa redonda. O evento contou ainda com quatro palestras de temas específicos, relacionados com projetos e programas de empresas governamentais e privadas – Eletronuclear, Petrobras, Odebrechet e Instituto Nacional de Eficiência Energética – e a apresentação de 50 Trabalhos Técnicos.
A primeira conferência do Congresso (Políticas sócio-ambientais), no dia 22 de setembro, apresentada pela presidente da ABPEF, Jane Codevilla, teve como conferencista o arquiteto francês Jean Claude Laisné, especialista do Programa de Alta Qualidade Ambiental junto ao Ministério da Habitação da França.
Laisné apresentou suas experiências e projetos na França, relacionados com as novas habitações verdes e com as transformações por que passam as antigas moradias do país. A mesa redonda sobre o tema contou com o arquiteto e urbanista Rodrigo Codevillae (moderador), a pesquisadora e doutoranda pela Universidade de Artes e Design de Helsinki, Andrea Castello Branco Judice, o presidente do Instituto Pereira Passos, Sérgio Besserman Vianna, o diretor da Faperj Cláudio Fernando Mahler, e a arquiteta diplomada pela Escola de Arquitetura de Toulouse Sandra Axelrud Saffer, que debateram as atuais políticas governamentais, os recursos disponíveis e os projetos em andamento.
A segunda conferência (Gestão sócio-ambiental), realizada também no dia 22, teve como moderador o diretor Técnico do Clube de Engenharia, Marcio Paes Leme, e como conferencista a secretária estadual do Ambiente do Rio, Marilene Ramos, que apresentou o projeto de Reformulação Administrativa de sua área, com a criação do "Inea", que englobará a Feema, a Serla, e o IEF. A descentralização de atividades, como a concessão de licença ambiental pelos municípios e a realização de concursos públicos foram outros pontos abordados.
A mesa redonda sobre o tema contou como moderadora com a participação da engenheira florestal Márcia Lopes, representante do Crea-RJ no IX CBDMA e como painelistas com o assistente da Presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, e o representante do presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), Antonio Xavier. Outros palestrantes do dia foram a engenheira e assessora da Presidência da Eletronuclear, Olga Simbalista, e o engenheiro de Meio Ambiente da Petrobras Bruno Cesar Ladeira.
ECOEFICIÊNCIA
Realizada no dia 23 de setembro, a terceira conferência (Inovação tecno-lógica orientada à ecoeficiência), coordenada pelo diretor Técnico do Clube de Engenharia Dercio Lopes Bento, teve como palestrante o diretor geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) Jaime Buarque de Hollanda e como conferencista o professor, pesquisador do IVIG/COPPE/UFRJ e assessor do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas Neilton Fidelis. A mesa redonda contou com os seguintes painelistas: o gerente executivo de Desenvolvimento Energético da Petrobras, Mozart Schmitt de Queiroz, o diretor da P2IT Engenharia, Maury Saddy, a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil/RJ, Dayse Barbosa de Araújo Góis, e a arquiteta e professora da Universidade Federal Fluminense Ana Seroa da Motta. O diretor de Meio Ambiente da Construtora Norberto Odebrecht, Sergio Leão, também proferiu palestra neste dia.
A quarta Conferência (Educação para a sustentabilidade e transversalidade dos saberes), ocorrida no dia 24 de setembro, foi apresentada pela conselheira do Clube Marisa Ballariny, e contou com palestra do pesquisador José Luiz Santana, do Instituto de Geociências da UFRJ. A mesa redonda foi moderada pela chefe da Divisão Técnica Ciência e Tecnologia do Clube de Engenharia, Virgínia Maria Salerno Soares, e teve como painelistas o Reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ricardo Motta Miranda, o coordenador dos Cursos de Meio Ambiente da Ucam, Carlos Artur Felippe, a coordenadora do Núcleo de Referência em Educação Ambiental da Uerj, Elza Maria Neffa Vieira de Castro, o diretor de Pesquisa da Unirio, Ricardo Silva Cardoso, e o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da UFF, Ivan de Oliveira Pires.
A apresentação de trabalhos técnicos foi coordenada pelos conselheiros do Clube de Engenharia Marisa Ballariny, José Carlos Queiroz Magalhães Castro, Celso Franco e Eduardo Feital, pelo chefe da Divisão Técnica de Recursos Naturais Renováveis (DRNR), Ibá dos Santos Silva, e pelo secretário da Divisão Técnica de Engenharia do Ambiente (DEA) Wilson Frota e Silva.
O IX CBDMA também promoveu visitas técnicas ao local onde será construída a usina nuclear Angra 3, à Estação de Tratamento de Esgotos do Guandú, ao Forte de Copacabana e à Fiocruz.
O evento contou ainda com apresentação da orquestra "Só Flautava Essa".
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