Cineasta fala no Clube sobre temática latino-americana

Da esquerda para a direita, Eryk Rocha, Julio Miranda e Alcides Lyra (Foto: Fernando Ribeiro)A Diretoria Cultural do Clube de Engenharia promoveu, no dia 14 de outubro, um encontro com o diretor do documentário "Pachamama", Eryk Rocha, exibido no Cinevídeo do Clube, na mostra de filmes "Soy Latino Americano", apresentada em outubro.

Pachamama, deusa agrária na linguagem indígena, é um mergulho na cultura incaica, com imagens e depoimentos de indígenas das regiões amazônica e andina do Peru e da Bolívia. Durante 30 dias, Eryk e um grupo de pesquisadores, que incluiu o historiador Francisco Carlos Teixeira e o cientista político João Carlos Nogueira, ouviram os relatos de representantes de povos que, pela primeira vez na história da América Latina, estão tendo representatividade política.

Eryk Rocha – filho do cineasta baiano Glauber Rocha – ressalta que tem uma raiz latino-americana muito forte.

– Tenho sangue colombiano. Estudei cinema em Cuba, morei na Venezuela e conheço quase todos os países da América Latina. Isso se reflete de alguma forma nos filmes que faço. Sempre tive um desejo de fazer um filme-viagem pela América Latina. Foi uma experiência nova fazer um filme com uma equipe multi-disciplinar, que não era de cinema, e uma grande aprendizagem.

Eryk diz que a situação da Bolívia é um problema secular, ancestral, de 500 anos.

– É um conflito social e étnico, ligado diretamente às feridas e catástrofes do colonialismo, que hoje se manifestam através de outras formas: a Bolívia indígena e a Bolívia branca espanhola. Com a chegada do Evo Morales, o primeiro presidente indígena, todos esses conflitos e contradições eclodiram. De alguma forma, mas sem intenção de ser didático ou conclusivo, acho que o filme toca em algumas dessas questões. É um prenúncio do que está ocorrendo agora, algo que não sabemos ao certo onde vai dar.


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