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Especialistas debatem segurança em instalações hospitalares
A Diretoria de Atividades Técnicas do Clube de Engenharia, através da Divisão Técnica de Engenharia de Segurança (DSG), promoveu no dia 21 de fevereiro a palestra "A segurança na área de saúde brasileira – o incêndio no Hospital das Clínicas de São Paulo". O palestrante foi o tenente coronel Sérgio Baptista de Araújo, da reserva do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Participaram como debatedores o professor de Engenharia de Segurança e médico do trabalho, Abílio José Adelino, e o especialista em Risco e Seguro Incêndio, engenheiro Sidney Leone.
Segundo os especialistas, incêndios em hospitais são em geral as mais críticas situações de emergência em termos de gerenciamento, por envolverem pacientes acamados, sedados, monitorados e mesmo entubados, portanto em situação de difícil remoção.
– As vias de escape da maior parte dos hospitais são mal dimen-sionadas para manobra de macas em áreas de refúgio (A.R's). Esses espaços permitem que, enquanto aguardam o socorro, os pacientes possam ser mantidos em condição estável até ser escolhida a melhor forma de remoção, em geral por rampas – disse.
Segundo Sérgio de Araújo, os hospitais possuem em geral características arquitetônicas internas que sugerem diversas vias de desocupação, "em alguns lugares assemelhando-se a labirintos". A falta de sinalização e iluminação de emergência em situações de grande produção de fumaça, advertiu, reduzem a visibilidade para menos de 4m e aumentam a temperatura local para até 60°C, mesmo sem fogo, inviabilizando o escape e causando fatalidades.
– É importante lembrar que segundo estatísticas da National Fire Protection Association (NFPA), cerca de 80% das causas de morte em incêndios são decorrentes da fumaça – alertou.
SISTEMAS AUTOMÁTICOS
Mas como perceber o surgimento e o desenvolvimento de um incêndio num quarto, depósito de medicamentos ou C.T.I., se na maior parte dos hospitais não existem sistemas automáticos de detecção de incêndios? O palestrante explicou que, como no caso dos hotéis, o Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico (CoSCIP), instituído pelo Decreto 897, de 21 de Setembro de 1976, não exige dos hospitais de forma clara a instalação desses sistemas.
– Mesmo que esses dispositivos detectores de fumaça ou de calor estivessem instalados e bem operados, deveriam ter sua central de alarme (unidade de controle e sinalização) instalada em uma central de vigilância, com regime de permanência de 24h. Esta Central daria origem a uma série de procedimentos por parte da brigada de incêndio, através de um conjunto de ações definidos em um plano de emergência, previamente elaborado e validado por um Comitê Interno de Gestão de Riscos – afirmou, ressalvando que essas sistemática raramente é implementada.
Para complementar a eficiência destas ações, o especialista recomenda a realização de exercícios simulados ao menos uma vez por ano, situação que, infelizmente, não tem previsão legal.
– Conseqüentemente eles não são realizados e com isto não se obtém as métricas de desempenho, situações críticas e desvios que devem ser corrigidos. O estado dos equipamentos fixos ou automáticos (raros) de extinção de incêndio é precário, especialmente em hospitais públicos. Geralmente os extintores estão descarregados, fora de validade, a manutenção foi realizada por empresas não credenciadas junto ao Corpo de Bombeiros ou não têm o selo do Inmetro. Também não há formalmente qualquer tipo de treinamento dos funcionários no uso de extintores e procedimentos de desocupação dos hospitais – ressaltou.
Outro aspecto destacado na palestra é a constante interação entre fontes de combustão (em geral instalações elétricas mal dimensionadas e mal instaladas) e materiais combustíveis localizados em depósitos e vias de escape, especialmente em hospitais públicos. O palestante falou ainda sobre os incêndios registrados no Hospital das Clínicas de São Paulo, no Hospital do Joca, em Belford Roxo e o princípio de incêndio ocorrido no Hospital Quinta D´Or, no Rio, além de sinistros na Rússia e nos Estados Unidos.
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