Reestruturação da Emater pode ameaçar abastecimento agrícola do estado

O presidente da Aearj, Felipe BrasilEm descompasso com o bom momento que vive a agricultura brasileira, lideranças dos engenheiros agrônomos do estado denunciam que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural no Estado do Rio de Janeiro (Emater-Rio), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (Seappa), sofre atualmente processo de desmonte, através da diminuição de recursos financeiros e da redução de seu quadro funcional em 30%. Segundo o sub-secretário de Planejamento, Francisco Caldas Andrade Pinto, em palestra proferida durante o VI Fórum Brasileiro Sobre a Reforma do Estado, a meta é incorporar a empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) à Emater, promover 194 demissões e municipalizar a empresa.

De acordo com relatório da plenária do I Seminário Estadual sobre Agroenergia, o "Rio pode vir a sofrer com o "desabastecimento de alimentos, esvaziamento do campo e o recrudescimento da violência nas áreas Urbanas".

Atuando há mais de quarenta anos, a Emater é responsável por prestar assistência técnica a 70 mil agricultores familiares fluminenses. As atividades agrícolas movimentam anualmente R$ 5,5 bilhões na economia do estado, através da produção de um milhão de toneladas de hortaliças e 600 mil toneladas de frutas, gerando um milhão de empregos diretos.

O vice-presidente da Aearj, Jorge Antonio da SilvaSegundo a Associação dos Funcionários da Emater-Rio, em setembro de 2007, 87 funcionários, a maioria com idade superior a 55 anos, receberam, às vésperas do Natal, aviso-prévio por telegrama. Em outubro, foi a vez de contingente semelhante aderir ao Plano de Aposentadoria Incentivada e Demissão Voluntária. A Emater, que já tinha um déficit de 400 vagas, perdeu 170 postos. Alguns escritórios locais teriam perdido toda a sua equipe técnica, como Miracema, Paty do Alferes e Levy Gasparian, por exemplo. Segundo a associação, departamentos da empresa, como os de contabilidade e recursos humanos estariam com dificuldades para funcionar, forçando a empresa a contratar terceirizadas.

– A situação vivida pela Emater-Rio significa um duro golpe do governo estadual na empresa e na agricultura familiar do Estado do Rio de Janeiro, desempregando inúmeros engenheiros e técnicos, entre outros profissionais de nível superior e médio. Lamentavelmente observamos que é meta do governo estadual continuar este ataque sobre diversas empresas estaduais, o que fatalmente continuará a desempregar engenheiros e outros profissionais – alerta o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (Aearj), Felipe Brasil.

AGRONOMIA PÚBLICA

Para o vice-presidente da Aeaerj e conselheiro do Clube de Engenharia, Jorge Antonio da Silva, o governo estadual pretende continuar aplicando essa política em diversas empresas estaduais, "o que fatalmente continuará a desempregar engenheiros e outros profissionais".
– É grave a redução do número de engenheiros nas instituições públicas, que se revela na carência dos serviços públicos de engenharia prestados à população. A continuar neste ritmo, veremos que as vagas ceifadas aos engenheiros no governo estadual ampliarão essa dificuldade, razão pela qual defendemos que as entidades de engenharia, clubes, sociedades, associações e sindicatos e conselhos devem se unir para preservar os empregos de engenheiros, arquitetos, agrônomos, tecnólogos, técnicos e demais categorias vinculadas ao sistema Confea-Creas – disse.

O reitor da Universidade Federal Rural do Estado do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ricardo Motta Miranda, enviou carta ao governador Sérgio Cabral expressando sua preocupação com a notícia de que a reestruturação da Emater-Rio ameaça desarticular a agronomia pública no estado.

– A agronomia pública é entendida como um conjunto de serviços que transferem a informação para o produtor rural, aliada à assistência técnica de qualidade que o pequeno agricultor necessita. Entendo que a modernização administrativa é imperativo para a gestão pública, mas as particularidades do relacionamento entre extensionista rural e cada produtor merece uma reflexão mais profunda. Conquistar a confiança do agricultor é tarefa por vezes árdua e a experiência dos extensionistas deve ser levada em consideração em qualquer processo de reestruturação – disse.

O dia 6 de março é a data nacional do extensionista rural, profissional que auxilia o produtor nos diversos aspectos relacionados à produção e comercialização. No dia 28 de fevereiro, o Conselho Diretor do Clube aprovou convite ao governo estadual para debater o Plano de Reestruturação do Estado, em especial as medidas propostas para as empresas estaduais.


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