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Especialistas apresentam conclusões sobre acidente no túnel Rebouças
A Diretoria de Atividades Técnicas, através da Divisão Técnica de Geotecnia (DTG), em conjunto com a Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental – Núcleo Regional do Rio de Janeiro (ABGE/NRRJ), e a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica – Núcleo Regional do Rio de Janeiro (ABMS/NRRJ), promoveram, no dia 19 de junho, o ciclo de palestras "O Acidente do Túnel Rebouças – resultados finais da investigação geotécnica".
No evento, que lotou o auditório do 22 andar, profissionais geólogos de engenharia e engenheiros geotécnicos responsáveis pelo desenvolvimento dos estudos – uma parceria PUC-Uerj-Geo-Rio – apresentaram metodologias, os resultados das investigações e as conclusões sobre as causas do acidente no emboque do Túnel Rebouças, ocorrido em 23 de outubro de 2007.
O professor Cláudio Amaral (PUC-Rio/UERJ/GEO-Rio), que apresentou informações sobre o mapeamento de campo, aspectos do mecanismo do acidente, além de uma caracterização geológica da área. Amaral destacou a importância do mapeamento de campo para o entendimento dos fenômenos.
O professor Rogério Feijó (UERJ/GEO-Rio) forneceu dados pluviométricos relativos aos momentos prévios e durante o deslizamento. Algumas fotos indicam que os primeiros movimentos da encosta (deslizamentos) ocorreram antes que o volume de chuvas justificasse qualquer alarme por parte do sistema "Alerta Rio". Desse modo, concluiu, uma fonte externa de infiltração deve ter criado as condições necessárias para o acidente.
MODELO COMPUTACIONAL
O professor Tácio Mauro Campos revelou dados referentes à campanha de laboratório que utilizou blocos de solo retirados do local do acidente. Os resultados apontam que o material possui parâmetros geotécnicos compatíveis comparados com os registros em literatura. O professor Tácio destacou a grande importância da saturação neste tipo de material. A saturação, isto é, o preenchimento da maioria dos vazios dos solos por água, pode levar o material a um comportamento bastante frágil.
O último palestrante foi o professor Eurípedes Vargas (PUC-Rio), que propôs um modelo computacional que engloba mapeamento de campo, dados pluviométricos e parâmetros de laboratório. O modelo aponta que o volume de chuvas no momento do primeiro deslizamento (noite do dia 22 de outubro de 2007) não seria capaz de desestabilizar o maciço. Além disso, o professor Feijó, que também acompanha as obras de recuperação, revelou que durante as obras foi percebido um novo vazamento de água, que foi corrigido e que localizava-se na mesma região onde teria ocorrido um vazamento anterior ao deslizamento. Desse modo, sugere-se que o deslizamento não foi causado pelas chuvas e sim por uma fonte externa de vazamento, um cano rompido por exemplo.
Segundo o chefe da DTG, Alexandre Saré, "o Clube de Engenharia deve ser o fórum natural de discussões e eventos com caráter marcadamente técnico-científico".
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