Fernando Mac Dowell fala no Conselho Diretor sobre linha 2 do metrô

Foto: Fernando Alvim O Conselho Diretor do Clube de Engenharia promoveu, no dia 9 de junho, palestra com o ex-diretor de Planejamento e Projetos do metrô, Fernando Mac Dowell. O professor doutor e livre docente em engenharia (UFRJ) falou sobre "A nova concepção e a previsão da conclusão da linha 2 do metrô".
Segundo o engenheiro, em qualquer projeto de transporte é de fundamental importância existir um equilíbrio entre os aspectos social, econômico, ambiental, urbanístico, técnico e financeiro. Ele chamou atenção dos conselheiros para a existência de "variáveis conflitantes" no equilíbrio proposto.
– A abrangência social do metrô é tanto maior quanto menores o valor da tarifa, o tempo de acessibilidade à estação, o tempo de viagem, o intervalo e a regularidade entre trens, o tempo de espera na plataforma, e o conforto no interior do trem. Por outro, para que isto aconteça é preciso aumentar investimentos, custos operacionais e, conseqüentemente, o deficit da companhia, o que na prática, paradoxalmente, dificulta o alcance social desejado.
Mac Dowel alertou que a solução proposta pela Concessionária para resolver os gargalos operacionais na Linha 2 prevê o abandono da Estação Estácio do metrô como estação de tranbordo. A estação custou aos cofres públicos cerca de R$ 300 milhões pela profundidade que teve que atingir para a correspondência com a Linha 2, que apresenta plataforma para trens de 8 carros.
– Na seqüência a proposta também abandona um trecho em operação na Linha 2 do Metrô de aproximadamente 1,6 km (1551 m), que custou R$ 400 milhões de investimento público e corresponde ao trecho situado entre as estações Estácio e São Cristóvão. O trecho que envolve a travessia da Praça da Bandeira, com alto grau de dificuldade construtiva – pois teve que passar embaixo de dois rios (Comprido e Trapicheiro) e ainda das fundações do viaduto Paulo de Frontin. O projeto abandona ainda a obra executada na Estação Carioca, que garante a construção da expansão da Linha 2. Devido também à grande profundidade de suas escavações (40 m), e para garantir a correspondência entre as linhas 1 e 2, foram gastos outros R$ 300 milhões, que juntos perfazem R$ 1,1 bilhão, a preços atuais, de investimentos públicos que serão inacreditavelmente abandonados – denunciou.

TRANSPORTE DE MASSA
Segundo o consultor, a solução provisória proposta pela Concessionária limita a uma taxa de 4 passageiros por metro quadrado entre estações consecutivas. Isto corresponde, na Linha 1, a receber até 695 mil passageiros por dia e na Linha 2 a apenas 160 mil, enquanto na solução original do metrô, com a implantação do trecho Estácio, Carioca e Castelo (Barcas), a Linha 1 estaria apta a receber até 939 mil passageiros por dia, portanto 35% a mais. Já a Linha 2 poderia incorporar até 516 mil usuários, o que representa mais do que o triplo (3,2 vezes) de passageiros que o da solução proposta pela concessionária.
Considerado um dos transportes de massa mais eficientes, o metrô, disse o consultor, não consegue absorver a demanda de passageiros em razão de sua expansão lenta.
– Nos últimos dez anos, apenas quatro estações foram inauguradas: Pavuna, Cardeal Arcoverde, Siqueira Campos e Cantagalo. O tempo de espera dos passageiros também é alto: quatro minutos e dez segundos na Linha 1 e dez segundos a mais na Linha 2. Além disso, os vagões ficam superlotados nas horas de pico. O tempo máximo de espera no metrô não pode passar de quatro minutos. Nos vagões, os passageiros se apertam, ficando até seis pessoas por metro quadrado, quando o tolerado é até quatro. Hoje o metrô transporta apenas 550 mil pessoas por dia útil – destacou Mac Dowell.


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