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Almoço do Dia do Engenheiro, Arquiteto e Agrônomo homenageia Oscar Niemeyer e Hélio de Almeida
A diretoria de Atividades Sociais (DAS) promoveu, no dia 13 de dezembro, almoço em homenagem ao Dia do Engenheiro, Arquiteto e Agrônomo, comemorado oficialmente no dia 11, e às entidades representativas dessas categorias. A mesa index contou com a participação dos presidentes do Clube, Heloi Moreira, do Crea-RJ, Reynaldo Barros, da Abea, Duaia Vargas, e da Aepet, Heitor Pereira, do vice-presidente da Seaerj, Marcio Paes Leme, além dos ex-presidentes do Clube Raymundo de Oliveira e Agostinho Guerreiro.
O evento contou ainda com as presenças do superintendente de Promoção de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Paulo Henrique Tavares, do ex-decano do Centro Tecnológico da UFRJ, Afonso Henriques de Brito, e do conselheiro do Clube Cássio Damásio, que comemorou 92 anos no dia 5 de dezembro.
O almoço de dezembro também homenageou o centenário do arquiteto Oscar Niemeyer e marcou o quinto aniversário de falecimento do ex-presidente do Clube de Engenharia, Hélio de Almeida. Os conselheiros do Clube Bruno Contarini e Sergio Moraes receberam, para repassar a Niemeyer, uma placa comemorativa com os seguintes dizeres: "Oscar Niemeyer, o Clube de Engenharia sente-se honrado em homenagear o centenário do homem do milênio, arquiteto de obras e idéias. As curvas de seus monumentos e a retidão de seus ideais marcam os cem anos de luta pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde o homem seja irmão do homem e não seu empregado ou patrão".
POSIÇÃO DE VANGUARDA
Bruno Contarini, que atuou como calculista em diversas obras de Niemeyer, como o Museu de Arte Moderna de Niterói, ressalvou que não é "o calculista do Oscar".
– Fiz umas quarenta obras com o Oscar, no Brasil e no exterior, mas seus grandes calculistas foram Emílio Bulgar e Joaquim Cardoso. Quero citar também outros calculistas que trabalharam com ele no Brasil como Gilberto Valle, Mario Terra, Valdir Amorim e José Carlos Sussekind. Oscar é um grande homem. Tenho muito orgulho de tê-lo conhecido, trabalhado com ele e gozado de sua intimidade e amizade – disse o engenheiro.
Sérgio Moraes destacou ainda a atuação política de Niemeyer, que sempre fez questão de afirmar que era comunista.
O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira comentou sobre o transcurso dos setenta anos da promulgação da Lei 3.569, que regulamentou as profissões de engenheiro, arquiteto e agrônomo, no dia 11 de dezembro de 1937, e leu pronunciamento de Helio de Almeida, extraído de um boletim do Clube datado de 15 de janeiro de 1971:
"Pretendemos que o Clube de Engenharia tenha participação ativa nos principais lances históricos brasileiros e na orientação do desenvolvimento técnico e industrial do país, assegurando prioridades para as empresas e técnicos nacionais. Temos conseguido uma posição de vanguarda na luta pelo desenvolvimento e faço agora um apelo aos engenheiros, arquitetos e agrônomos que continuem trabalhando muito, com grande produtividade, pois os técnicos são o pelotão de vanguarda do desenvolvimento nacional".
– Tanto Helio de Almeida como Oscar Niemeyer sempre lutaram por um país em que qualquer cidadão possa usufruir de seus direitos, possa ter o seu teto, acesso ao alimento, à saúde, ao lazer, ao emprego e a tudo que seja necessário para o exercício digno da cidadania. Esse tem sido o trabalho deste Clube através de suas atividades e resoluções. O ano de 2007 foi extremamente bom para o Clube na medida em que diversas resoluções do Conselho Diretor acabaram sendo acatadas pela justiça e observadas pelo governo federal. Em diversos episódios conseguimos colocar para a sociedade nossas idéias, que estão sempre voltados para a sociedade brasileira.
Heloi desejou a todos, em nome do Clube, "um próximo ano extremamente feliz e frutífero, com um Clube bastante unido, que agregue suas forças internas para fazer muito mais para a sociedade brasileira, pois esta é a nossa obrigação e o nosso ideal".
PRÊMIO NOBEL
Raymundo de Oliveira também saudou o centenário de Oscar Niemeyer.
– Quantas vezes a técnica tem servido ao isolamento dos homens, à concentração da renda e do conhecimento! Niemeyer é o oposto disso, ao combinar a vanguarda tecnológica em seu setor com a luta permanente e coerente pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Presente na construção de Brasília e nos Congressos Mundiais pela Paz, inovador nas formas geométricas de suas obras e na linha de frente na defesa de Cuba e dos países explorados do mundo. A vida de nosso Niemeyer é a demonstração de que é possível o homem novo, onde o desenvolvimento técnico convive com a solidariedade e o amor pelos semelhantes – destacou Raymundo, que recebeu da Seaerj no dia 11 de dezembro a medalha Enaldo Cravo Peixoto e do Crea-RJ, no dia 12, o Diploma do Mérito na Engenharia.
Raymundo lembrou que o Clube está em campanha para que seja concedido a Oscar Niemeyer o Prêmio Nobel da Paz. Sobre Helio de Almeida o ex-presidente do Clube destacou que o engenheiro foi "um dos maiores brasileiros da sua geração e uma figura que merece ser homenageada pelo que contribuiu para o nosso Clube, para o Brasil e para a luta pela democracia".
DEFESA DA DEMOCRACIA
O conselheiro César Duarte afirmou que teve a honra de participar, nos anos 1978 e 1979, junto com Oscar Niemeyer, da formação do Centro Brasileiro de Defesa Democrática (Cebrade), "entidade que promoveu ações para a volta das liberdades democráticas em nosso país".
Para Agostinho Guerreiro, Helio de Almeida foi um homem que lutou muito pelo desenvolvimento.
– Como seria bom tê-lo conosco hoje vendo o país crescendo a taxas superiores a 5%. Acho que esta é uma forma de homenageá-lo: a engenharia estar presente e ser responsável também pelo crescimento econômico e pelo desenvolvimento do país. Oscar Niemeyer sempre teve muito apreço pelo Clube de Engenharia. Recebeu aqui uma homenagem como esta e também ganhou uma placa comemorativa – comentou.
HÉLIO DE ALMEIDA
O conselheiro do Clube de Engenharia Oscar Boechat Filho leu texto pela passagem do quinto ano de falecimento do ex-presidente do Clube Hélio de Almeida, que também dá nome ao salão nobre da entidade, localizado no 24º andar do Edifício Edison Passos. Hélio de Almeida nasceu no dia 12 de junho de 1919 e era carioca do bairro do Flamengo.
– Os cinco anos de estudo, na velha e histórica Politécnica foram dos mais prazerosos e felizes, como o próprio Hélio não se cansava de proclamar. Não apenas pelos ensinamentos técnicos e profissionais que assimilava com sofreguidão, não apenas pelo convívio salutar com amigos e colegas na paquera das escadarias externas da Escola, no cafezinho esperto do Palheta ou no caminhar descuidado pela rua do Ouvidor, com o distintivo da Escola, sempre brilhando, afixado com orgulho na lapela – disse.
O conselheiro lembrou que Hélio de Almeida elegeu-se, sucessivamente, presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia, do Diretório Central de Estudantes da Universidade do Brasil e, fechando o circuito da representação estudantil, presidente da UNE – União Nacional dos Estudantes, “aquela mesma UNE que vira nascer no Catete e florescer na Praia do Flamengo 132”.
Hélio de Almeida cumpriu três mandatos como presidente do Clube de Engenharia. No primeiro deles, de 1961 a 1964, licenciou-se por 6 meses, no período de julho de 1962 a junho de 1963, quando foi Ministro de Viação e Obras Públicas no governo do presidente João Goulart. Os outros dois mandatos foram exercidos nos períodos 1967/70 e 1970/73.
JORGE AMADO
– No curto espaço de tempo como titular do Ministério de Viação e Obras Públicas, o ministro Hélio de Almeida imprimiu excepcional dinâmica à pasta, merecendo de Jorge Amado uma página em que dizia literalmente: "se eu fosse convidado, nesta véspera de Natal, a escolher o Homem do Ano de 1962, não vacilaria: meu voto seria para o ministro Hélio de Almeida. Outros brasileiros ilustres realizaram obras importantes, destacaram-se como homens públicos, mas, a meu ver, ninguém representou, de certa maneira, tão profunda revolução num importante setor da vida nacional, quanto Hélio de Almeida" – destacou
Boechat lembrou que, concluído seu mandato de Deputado Federal, em 31 de dezembro de 1979, Hélio de Almeida dedicou-se prioritariamente aos seus interesses empresariais ao longo dos 15 anos seguintes.
– Acometido de grave enfermidade em 1995, Hélio faleceria a 5 de abril de 2002. Tombava, assim, o frondoso jequitibá aos 82 anos, deixando um legado a seus pósteros e ao Brasil de trabalho exemplar e fecundo, de dignidade, de dedicação à causa da justiça, do bem-comum e da liberdade – finalizou.
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