Clube de Engenharia inaugura retrato do engenheiro Raymundo de Oliveira na galeria de ex-presidentes

O Clube de Engenharia promoveu, no dia 28 de novembro, solenidade de inauguração do retrato do engenheiro Raymundo de Oliveira na galeria de ex-presidentes. A homenagem contou com a presença da diretoria do Clube, de autoridades, dirigentes de empresas privadas e estatais, diretores de entidades e de conselheiros e associados do Clube, além de dirigentes e funcionários da Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), presidida pelo homenageado.

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Estiveram presentes, entre outros, o vice-prefeito eleito do Rio, Carlos Alberto Muniz, o ex-presidente da Petrobras, Carlos Santana, o presidente da Emop, Ícaro Moreno, o ex-presidente do Clube, Renato Almeida, o secretário geral da FUJB, Luiz Martins de Mello, o futuro subsecretário de Meio Ambiente do Rio, Altamirando Moraes, o subsecretário estadual de Ciência e Tecnologia, Luiz Edmundo Costa Leite, o ex-deputado Marcio Fortes e o presidente do Sindicato dos Escritores, Tanussi Cardoso. Também prestigiaram o evento a mulher do homenageado, Laura Esteves, as filhas Mônica e Marcela e todos os seus netos

O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, ex-diretor da escola Politécnica, falou sobre atuação de Raymundo de Oliveira como professor de cálculo numérico da UFRJ.

– Ele tem uma disponibilidade com o alunado que não é comum nos docentes. Admiro sua solidariedade para com as pessoas, sua preocupação com os povos oprimidos da América Latina. Particularmente, tem sido sempre muito solidário comigo – disse.

Da esquerda para a direita, Sergio Moraes, que saudou o homenageado em nome do Clube, Bernardo Griner, Carlos Santana, Heloi Moreira e Raymundo de Oliveira (Foto: Fernando Alvim)O conselheiro do Clube Sergio Moraes disse que conheceu Raymundo de Oliveira em 1965.

– Nessa época convergimos para o Clube de Engenharia, que nos recebeu, com espírito democrático. Raymundo foi "saído" do ITA e aqui no Clube encontrou abrigo e apoio para se formar. Foi Octávio Cantanhede, então um dos diretores do Clube e diretor da Escola de Engenharia da UFF quem lhe deu abrigo e permitiu que concluísse o curso de engenharia. Raymundo é companheiro, amigo e também um poeta, porque é impossível conviver com Laurinha sem absorver algo de seu dom maravilhoso.

RETRATO EM BRANCO E PRETO

O ex-presidente da Petrobras, Carlos Santana, afirmou que homenagear Raymundo é homenagear alguém que acredita no ser humano.

– Neste mundo cheio de desgraças e decepções ter uma pessoa como o Raymundo, com sua humanidade, faz bem à alma da gente. Seu retrato pode ser em branco e preto, mas sua alma é colorida. Está presente com ele a poesia de sua mulher. Raymundo faz a gente acreditar no ser humano – destacou.

O vice-prefeito eleito do Rio, Carlos Alberto Muniz, falou sobre sua convivência com o homenageado.

– Nossa convivência começou quando ele estava no ITA e eu no grêmio do Colégio Pedro II. Foi quando comecei a namorar a irmã do Raymundo, Ângela, que é minha mulher há 50 anos. Foi um grande parceiro durante o regime ditatorial. Hoje, quando olho para todos, penso que a maioria de nós atuou do lado certo, ajudando no essencial para que chegássemos à redemocratização do país. Raymundo sempre foi nosso parceiro em todas as formas de luta que travamos.

CARTA ABERTA

O ex-presidente do Clube, Raymundo de Oliveira, disse que é uma honra ter seu retrato numa galeria onde figuram ex-presidentes do Clube como Paulo de Frontin e Octácio Cantanhede, "grande figura, que homenageio neste momento".

– O engenheiro é o profissional que tem uma visão prospectiva, de futuro. Hoje, falta justamente um projeto para o Brasil, que é gerenciado pelos fatos. O PAC é um avanço importante, embora não seja tudo o que desejamos. O lado positivo é que agora temos mais empregos para engenheiros. A diretoria do Clube tem tido um papel importante nesse processo, pelas posturas que tem adotado e pelos encontros excepcionais realizados com a presença de ministros, do governador, do vice-governador, que já esteve aqui muitas vezes, e de inúmeros secretários – disse.

O homenageado distribuiu durante o evento um livreto com uma carta aberta ao presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, com sete sugestões: a adoção de medidas de defesa do meio ambiente, com a assinatura do Protocolo de Kyoto; fim das prisões de Guantánamo e Abu Ghraib; convocação de uma reunião dos países que têm armamentos nucleares para debater sua extinção total; retirada imediata das tropas americanas do Iraque e do Afeganistão e sua substituição por soldados da ONU, visando a realização de eleições; fim do bloqueio a Cuba; criação de um fundo com 1% do PIB dos países do G7 para recuperação da África; e o fim de todas as bases militares no exterior.

– Eu me pergunto como será o mundo dos netos dos meus netos. Acho que não dá para dormir tranqüilo. Nesse quadro, resolvi me pronunciar através de uma carta aberta ao presidente Obama. No final do meu documento faço questão de deixar claro as limitações que ele tem, porque não quero bancar o ingênuo. Mas nosso papel é cobrar seus compromissos de campanha. A barbárie é uma possibilidade real. Minha vida é lutar contra essa hipótese, para que o homem possa ser irmão do homem, numa sociedade fraterna e unida – ressaltou.


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