Almoço de novembro reúne ex-alunos para comemorar os 171 anos do Colégio Pedro II

Foto: Fernando AlvimA diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 27 de novembro, almoço em homenagem aos 171 anos do Colégio Pedro II. Fizeram parte da mesa principal do evento o presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, e os professores do Colégio Pedro II Vera Maria Ferreira Rodrigues (diretora geral), Anna Cristina Cardozo (diretora de ensino), Jorge Luiz Rodrigues Dimuro (diretor da Unidade Engenho Novo), Miguel Angelo Villardi (diretor da Unidade Realengo), Ana Lúcia Senos de Mello (diretora da Unidade São Cristóvão I), Sidney Paulo Alves Drago (chefe de gabinete da diretora geral), Gentil José Salles Machado (diretor da Administração) e Luiz Fernando de Almeida Nascimento (diretor de Engenharia).
Entre outros, também prestigiaram o almoço os ex-alunos do Colégio Pedro II Jacob e Clara Steinberg, o ex-diretor da Escola Politécnica, Affonso Henriques de Brito, os irmãos José, Bernardo, Elias e Manoel Griner e Eduardo König.

A Diretora Vera Maria Rodrigues disse que o Clube, "um símbolo da engenharia brasileira", tem a mesma tradição do Colégio Pedro II, datando ambos da segunda metade do século XIX.

– Tenho particularmente um apreço enorme pelos engenheiros. Sou casada há 37 anos com um, o engenheiro Gerson, que me acompanha hoje aqui e que conheci ainda no Pedro II. Nosso colégio é um marco na educação brasileira. É com muita honra que fui empossada diretora geral pelo ministro da Educação – a primeira mulher a ocupar esse cargo nos seus 171 anos de existência. A paixão pela instituição veio de berço, pois sou neta de um ex-professor e filha de ex-aluno. Estou vendo aqui vários veteranos, de quem fui caloura. Nós que hoje dirigimos a instituição temos a responsabilidade de provar que é possível existir educação pública com qualidade. Podem estar certos que o Colégio ainda oferece hoje ensino de qualidade a uma massa de crianças e jovens – disse.

Segundo a diretora geral, a escola tem treze unidades escolares espalhadas pelos bairros do Rio de Janeiro, em Niterói e em Duque de Caxias, inaugurada este ano.

– Com isto estamos permitindo que crianças e jovens que residem nos bairros mais distantes possam ter o ensino do Colégio Pedro II ao seu alcance, sem tem que fazer deslocamentos desnecessários. Temos um corpo docente constituído por aproximadamente 1.100 professores, dos quais seguramente mais de 70% tem minimamente especialização; 40% são mestres e 10% são doutores. Hoje temos alunos dos seis aos sessenta anos. O Pedro II ampliou seu raio de ação e atendimento, mas sempre fazendo questão de preservar a qualidade de ensino e de manter sempre acesa a chama e o entusiasmo pela escola. E se orgulha em ter entre os seus antigos alunos um dos grandes nomes da engenharia e deste Clube, Paulo de Frontin, que foi aluno e professor do Colégio Pedro II; Henrique Dodsworth, que foi diretor da Unidade Centro e catedrático de física da instituição. E um com quem tive o prazer de conviver como ex-aluno sempre presente, o engenheiro Maurício Jopert. Sei também que, entre os membros da diretoria do Clube, quatro são ex-alunos do Colégio: Bernardo Griner, aluno eminente, Marcio Paes Leme, Ronaldo Cavalheiro e Alcides Lyra, que foram meus contemporâneos. O Colégio Pedro II agradece sensibilizado esta homenagem da mais tradicional instituição da engenharia brasileira. É o mais tradicional colégio sendo homenageado pela mais tradicional casa dos engenheiros do Brasil – afirmou.

EDUCAÇÃO PÚBLICA

O presidente do Clube de Engenharia lembrou que o Colégio Pedro II foi criado em 1837 por Bernardo Pereira de Vasconcelos e segundo os melhores educandários franceses da época.
– No discurso de inauguração do então Imperial Colégio Pedro II, o ministro Vasconcelos assim se manifestou na sessão solene: "a intenção ao se criar esse colégio é oferecer um exemplo aos que já se acham instituídos nessa capital por alguns particulares, convencidos que estamos de que a educação colegial é preferível à educação privada". Ou seja, a escola oficial criava o espaço de formação do cidadão, dando a todos a possibilidade de ascensão social por meio da valorização da instrução escolar. Configurado pelo critério do saber erudito, o Colégio Pedro II refletia o sistema de valores político-sociais do projeto civilizador do estado e o lugar da educação na sociedade da época.

Segundo Heloi Moreira, o estado criava para a sociedade civil uma formação laica e erudita, em direção ao progresso.

– A reconhecida competência do seu corpo docente, a qualificação do seu alunado comprovada pelos exames de admissão e promocionais e seu excelente programa de ensino colocaram o Pedro II como expoente na formação de alunos para o ensino superior. Na segunda metade do século XIX, durante o processo de consolidação do estado e construção da nação, a preocupação com a instrução pública era uma constante. É dessa época o início do aprofundamento dos ensinamentos científicos, teóricos e práticos da física, química, mineralogia, geologia no colégio. Ao mesmo tempo nas escolas Central e Polytecnica, formavam-se os engenheiros geógrafos e civis.

O presidente do Clube lembrou que o grande celeiro dos engenheiros dessas escolas era o Colégio Pedro II.

– E até hoje ainda o é. Posso assegurar-lhes, com conhecimento detalhado, que o colégio detém o maior percentual de vestibulandos da escola politécnica da UFRJ e das escolas de engenharia da Uerj e Fluminense. E é também na 2ª metade do século XIX que este Clube foi criado. E criado por quem? Basicamente pelos engenheiros daquelas escolas e de origem no Pedro Ii. E com que finalidade? Colocar na prática toda a formação que a engenharia brasileira possui. Está aí á relação entre este Clube e esse colégio; aí está também a relação entre o Pedro II e a engenharia brasileira.

Ele lembrou ainda que inúmeros são os personagens dessas instituições: Frontin, Pereira Passos, Polilo, Afonso Henriques, Bayard Boiterex, Domício Proença, José Luiz Cardoso, Maurício Joppert, Alberto Nunes Serrão, Cesar Dacorso Neto, Haroldo Lisboa da Cunha, Julio Cesar de Mello Souza (Malba Tahan), Cécil Thiré, Otacilio de Novais, Sebastião Sodré da Gama, Augusto de Brito Belford Roxo e centenas de outros nomes.

– Por isso senhores, publicamente estamos reconhecendo o papel fundamental do Colégio Pedro II para a engenharia brasileira.


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