|
Secretário estadual de transportes apresenta projeto sobre ligação das linhas 1 e 2 do metrô
O secretário de Transportes do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, apresentou, na reunião do Conselho Diretor do dia 28 de julho, palestra sobre a o projeto de integração das linhas 1 e 2 do metrô.
No dia 27 de dezembro de 2007 o estado assinou um aditamento ao Contrato de Concessão do metrô, que foi prorrogado por 20 anos (até 27 de Janeiro de 2038). Como contrapartida, a concessionária fará investimentos de R$ 1,15 bilhão, para aumentar a capacidade do sistema de 550 mil para 1,1milhão de passageiros por dia, com a ligação da linha 2 à Linha 1 entre as estações São Cristóvão e Central (nova Linha 1A) e construídas duas novas estações – Cidade Nova e Uruguai.
– Hoje, quem passa da Linha 1 para a Linha 2 do Metrô, ou vice-versa, precisa desembarcar na Estação Estácio, mudar de plataforma e pegar outro trem. O projeto para ligar a linha 2 à linha 1, sem necessidade de baldeação no Estácio, propõe reduzir o intervalo entre os trens e aumentar a oferta de lugares. Será construída uma ligação por via elevada de São Cristóvão à Central, a partir de onde os trens da Linha 2 passarão a usar os mesmos trilhos da linha 1, com intervalos médios de 2 minutos até Botafogo. A construção da Linha 1A vai permitir ir da Pavuna até Botafogo sem baldeação e com redução de 6 minutos no tempo de viagem. Apenas quem for para a Tijuca (estações Afonso Pena, São Francisco Xavier e Saens Peña), ou vier das estações de Copacabana terá de fazer a baldeação. O projeto prevê a compra de mais 114 carros, que terão novo layout. O intervalo entre os trens diminuirá de 4 minutos e meio para 4 minutos nas estações das extremidades. A realização do projeto não implica em aumento de tarifa – explicou Júlio Lopes.
O prazo previsto para execução da obra é de 36 meses e vai dobrar a capacidade do sistema. Haverá pouca necessidade de desapropriação em bens públicos e baixo impacto das obras, por se concentrarem em regiões fora de área de grande circulação. O projeto também agrega valor às áreas hoje não inseridas no contexto urbano (final da Presidente Vargas, lado par).
SUPERVIA
Júlio Lopes ressaltou que nos encontros internacionais que tem participado, o metrô do Rio de Janeiro é sempre uma referência.
– A concessionária tem tido uma performance extraordinária, sobretudo na reposição e na manutenção dos carros, que é feita à noite, e que é exemplo no mundo em termos de utilização de frota. O metrô do Rio tem 98% de seus carros em operação no horário de pico. Isso é absolutamente inédito. E o que faz isso é exatamente a carência, porque há poucos carros.
O secretário de Transportes falou também sobre a malha ferroviária administrada pela Supervia.
– Quando a Supervia foi privatizada, tinha 128 mil passageiros. Hoje a concessionária já recuperou 500 mil passageiros e está superavitária. Conseguimos um parcelamento de 300 meses na dívida da Supervia com a Light, o que equacionou um enorme problema de caixa. Uma das questões mais difíceis para a Supervia se soerguer foi a questão da sucessão trabalhista. As demandas judiciais deixaram a empresa com dezenas de milhões de seu caixa bloqueados. A justiça já chegou a determinar até que a Supervia pagasse uma indenização a uma pessoa que se acidentou num trecho de ferrovia no qual ela nunca atuou! O que estou querendo dizer é que muitas vezes estamos pensando numa questão objetiva de transportes e a solução está numa decisão do judiciário ou na interpretação de uma questão – afirmou Lopes.
GRATUIDADES
Falando sobre o sistema de gratuidades, Lopes iniciou dizendo que 74% do transporte no Rio de Janeiro utiliza o modal rodoviário.
– Somos um dos estados da federação que mais concedeu gratuidades – aos idosos, estudantes – diferentemente de São Paulo, onde o aluno paga 50% do preço da passagem – e todos os portadores de doenças crônicas. Isso perfaz um total de 27% do custo do sistema. Desde que assumimos, o metrô vem fazendo um controle enorme na concessão de gratuidades. Infelizmente, no Rio de Janeiro quem paga a passagem do gratuito é o cidadão mais pobre, que mora mais longe. E quanto mais longe ele mora, mais ele paga por aquele que se transporta gratuitamente. Isto é muito injusto. Para começar a acertar essa injustiça, temos que regularizar o pagamento da gratuidade, porque ela está onerando mais o bolso daquele que menos tem e é impeditiva de que façamos o bilhete único.
Segundo o secretário de Transportes, a gratuidade tem um custo grande "sem ninguém que pague por ela".
– Precisamos colocar o estado, de alguma forma, para pagar um pouco dessa gratuidade e desonerar o cidadão mais pobre. O estado pode e deve pagar por isso, porque no mundo subsidia o transporte exatamente para desonerar quem é mais pobre e mora mais longe. O governador Sergio Cabral tem uma enorme consciência disso. Estamos viabilizando para 2008 o pagamento de 50% dessa gratuidade. O secretário Joaquim Levy também está sensível quanto a esse problema. Ano que vem faremos uma auditoria em todo sistema de gratuidade do estado, porque tem muita gente utilizando o benefício sem ter direito. Há estudantes que usam a gratuidade de forma errada, exageradamente. Mas precisamos diminuir esse custo para avançar.
>>
volta >>
topo |