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Carlos Lessa defende "metrovialização" dos ramais ferroviários do subúrbio
A Diretoria de Atividades Técnicas, através da Divisão Técnica de Exercício profissional (DEP) promoveu, no dia 26 de março, a palestra "A Qualificação do Rio de Janeiro como Futuro". A mesa de abertura foi composta pelo presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, pelo chefe da DEP, Fernando Lima, e pelo palestrante, o professor e economista Carlos Lessa.
Lessa abordou os principais problemas estruturais do Rio de Janeiro e as potencialidades da cidade para melhorar, consistentemente, a qualidade de vida de seus habitantes.
O ex-presidente do BNDES examinou os problemas relacionados com a dimensão "físico-urbano-espacial" do Rio de Janeiro, identificando como principal problema o padrão de ocupação urbana, que afetaria todo município de região urbana, em geral "debilmente estruturados". Carlos Lessa sugere, como recomendação principal, equacionar o problema do transporte urbano a partir da "metrovialização" dos ramais ferroviários dos subúrbios, o que permitiria instalar "três tendências positivas" para o povo carioca.
– A primeira seria a redução do tempo de deslocamento residência-trabalho-residência e do gasto com transporte, o que resolveria a segunda tendência: a favelizacão, porque os subúrbios poderiam ter um aumento no número de residências. Isto também estimularia a terceira tendência, que seria o novo ciclo de construção civil. Diretamente, essas iniciativas beneficiariam mais de 60% da população carioca. De forma complementar deveriam ser instalados novos bairros residenciais em zonas desocupadas e degradadas da cidade como o Retroporto, Caju, Catumbi, os galpões da avenida Brasil, entre outros – destacou.
A partir da tendência do carioca de ocupar os espaços públicos, o economista acredita que deveria ser executada uma política de manutenção e adaptação destes mesmos espaços – praças, praias, florestas e equipamentos públicos urbanos – para promoção de atividades de desenvolvimento infanto-juvenil, promoção cultural, organização de festas, exposições, feiras e debates, entre outras.
– Com pequeno esforço financeiro e uma ampla articulação popular, a administração municipal e as entidades locais podem multiplicar estas e outras atividades. Isto reforçaria a cidadania, pelo exercício ativo em participar do que é público no Rio de Janeiro. As questões das políticas públicas de saúde, educação e segurança seriam apresentadas e debatidas pelos cidadãos a partir da reativação desses espaços públicos – disse.
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