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Almoço de março comemora os 150 anos da Estrada de Ferro Central do Brasil
A diretoria de Atividades Sociais promoveu, no dia 27 de março, almoço em homenagem aos 150 anos da Estrada de Ferro Central do Brasil, ao Dia Internacional da Mulher e aos associados e funcionários do Clube de Engenharia que fazem aniversário no mês de março. Durante o almoço foi lançado o livro do conselheiro vitalício do Clube Aury Sampaio "A Estrada que Trilhei".
A mesa principal foi composta pelo presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, a presidente da Associação de Engenheiros Ferroviários (Aenfer), Clarisse Soraggi, o ex-presidente do Clube e da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), Renato Almeida, o presidente da Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina, Manoel Geraldo Costa, e a diretora da Escola de Engenharia da Uerj, Maria Eugência Mosconi de Gouvêa. Também fizeram parte da mesa as diretoras do Clube de Engenharia Maria Virgínia Brandão e Margarida Lima, a ex-diretora da RFFSA e conselheira do Clube Carmem Sirotski e a engenheira Clara Steinberg, que recebeu uma homenagem especial. Também participaram do almoço o ex-presidente da RFFSA, Waldojete de Albuquerque, e um número expressivo de integrantes do Centro Acadêmico de Engenharia da Uerj.
A presidente da Aenfer, Clarisse Soraggi, ressaltou a importância da Estrada de Ferro Central do Brasil, "nossa terceira ferrovia", para o desenvolvimento e a interligação do país.
– A lembrança histórica é importante para refletirmos sobre o momento atual. Esperamos que, com a atual retomada do desenvolvimento, consigamos novamente reescrever a história da ferrovia em nosso país. É muito importante a presença hoje, nesta casa da engenharia, de estudantes das nossas universidades, que poderão nos ajudar a colocar "o trem de novo nos trilhos". Quero também chamar atenção para a responsabilidade das empresas que hoje são as sucessoras da Central, como a Centro Atlântica, a Vitória-Minas, A MR Logística, a CTPN, a CBTU e a Metrô Rio. Elas têm a missão de completar o que a Estrada de Ferro Central do Brasil realizou – afirmou, para em seguida receber placa comemorativa ofertada pelo Clube à Aenfer.
O conselheiro do Clube Aury Sampaio disse que seu livro lembra passagens de sua vida como ferroviário, desde o começo, em Vitória (ES), até o exterior, onde representou o Brasil em eventos do setor. "Muitas das passagens aconteceram aqui memo na sede social do Clube de Engenharia", destacou.
MARCOS DA CIDADE
A ex-diretora da RFFSA e conselheira do Clube, Carmem Sirotsky, fez uma saudação à engenheira Clara Steinberg.
– Clara Steinberg passou em primeiro lugar no vestibular para a Escola nacional de Engenharia e continuou como primeira aluna da turma durante todo o curso. Lá conheceu e se casou com o colega Jacob Steinber. A preocupação de Clara com o social logo se manifestou. Ela não se contentava simplesmente em construir. Ela também queria o bem-estar. Foi a primeira a construir imóveis que dispunham de áreas de recreação para crianças. Clara acompanhava pessoalmente o projeto e a execução de obras que foram marcos da cidade, tais como o Clube da Aeronáutica, o conjunto de edifícios da rua Marquesa de Santos, o Rio Flat Service – primeiro apart-hotel – e o edifício da Caemi. Participou de várias entidades e esteve à frente delas, como o Banco da Mulher – que fundou e presidiu durante muito tempo – a Associação Comercial, o Sindicato da Indústria da Construção Civil e a Associação Promotora de Estudos de Economia. É fundadora e hoje dirige o Instituo Rogério Steinberg, que atende crianças carentes com habilidades especiais – afirmou.
Heloi Moreira entregou à homenageada uma placa com os dizeres: "O Clube de Engenharia homenageia a querida engenheira Clara Steinberg, no Dia Internacional da Mulher, por suas grandes qualidades humanas, profissionais e empresariais".
Clara Steinberg lembrou que há mais de cinqüenta anos faz parte do Clube de Engenharia, "instituição importante para o Rio de Janeiro", tendo integrado seu Conselho Diretor.
– A primeira mulher ingressou na Escola Politécnica em 1914. Sempre fomos muito bem tratadas. As engenheiras e arquitetas tem muito a agradecer aos colegas. O Brasil é o país que com mais atenção e cordialidade recebe as mulheres em congressos internacionais – comentou.
DEMANDAS DA REGIÃO
A diretora da Escola de Engenharia da Uerj, Maria Eugência Mosconi de Gouvêa disse que sua instituição está totalmente identificada com as demandas da região.
– Precisamos formar mais engenheiros. O mercado exige. Para isto necessitamos de parceiros fortes e ajudas importantes, como a do Clube de engenharia – destacou.
O presidente do Clube de Engenharia lembrou a fundação da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1858, e citou trechos de debates que ocorreram no Senado do Império sobre a criação de estradas de ferro, anteriores a essa a data.
– Um dos senadores diz: "Construam. Os trens carregarão em um dia tudo o que há no interior para transportar e ficarão ociosos 29 dias do mês". Outro acrescenta: "A idéia de estradas de ferro entre nós é uma daquelas apresentadas por espe-culadores que nenhuma intenção nem esperança têm em realizá-las. Ainda não temos nem estradas de barro ; como querem pois fazer uma de ferro e de tão grande extensão? Para passar por ela o quê? Quatro bestas carregadas de carvão em um ou outro dia?" A polêmica era muito grande. Pessoas como Christiano Benedicto Ottoni, Paulo de Frontin, Pereira Passos, Francisco Bicalho e posteriormente Jerônimo Monteiro Filho, Aury Sampaio e William Paulo Maciel construíram a instituição que rasgou o país edificando os caminhos necessários para o desenvolvimento, até hoje – ressaltou.
Em 1958, prosseguiu Heloi, foi criada a Estrada de Ferro D. Pedro II, posteriormente Estada de Ferro Central do Brasil.
– Quem a construiu? Nesse mesmo ano é instituída a Escola Central, dividindo o ensino da engenharia militar do ensino da engenharia civil. Foram seus estudantes que construíram essa grande instituição. Acho que o Clube de Engenharia deveria fazer um trabalho tão profundo quanto fez na época da campanha do petróleo, para resgatar a importância e o investimento em ferrovias – disse, aproveitando para cumprimentar os funcionários e contratados do Clube de Engenharia pelo sucesso na realização do almoço, que lotou o salão nobre da sede social da entidade.
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