|
Clube de Engenharia sedia seminário sobre Metrô do Rio
O Clube de Engenharia,
através da Divisão
Técnica de Geotecnia (DTG), a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e a Associação Brasileira de Geologia de Engenharia Ambiental (ABGE), promoveram, no dia 13 de setembro, o seminário "Lições e Desafios do Metrô no Rio de Janeiro", realizado no auditório do 25º andar do Edifício Edison Passos. Participaram da mesa de abertura o secretário estadual de Transportes, deputado federal Julio Lopes, e os presidentes do Clube, Heloi Moreira, da ABMS, Alberto Sayão, da ABGE, Cláudio Amaral, do Crea-RJ, Reynaldo Barros e da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (Aeerj), Francis Bogossian.
Foram debatidas as experiências acumuladas com a construção das últimas estações – Siqueira Campos e Cantagalo – e os desafios a serem enfrentados na implementação das futuras linhas do metrô.
Julio Lopes disse que os desafios são "inúmeros e as possibilidades nem tão grandes".
– O orçamento de custeio da Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro é de R$ 22.561,00, insuficientes para seu mínimo funcionamento. Estamos fazendo um enorme esforço para sobreviver no dia-a-dia com recursos absolutamente inexistentes. A Rio Trilhos tem um custo aproximado de R$ 800 mil reais/mês, mas só consegue ter da Secretaria de Fazenda uma verba de custeio em torno de R$ 550 mil reais/mês. Então, a cada mês, colocamos as contas numa sacolinha e sorteamos o que não vamos pagar naquele mês. Por outro lado, a Secretaria Estadual de Transportes de São Paulo tem um orçamento de investimento nos próximos quatro anos de R$ 16 bilhões de reais e fará com recursos próprios investimentos de R$ 4 bilhões, como contraparte de empréstimos.
Para o deputado, o gargalo atual do metrô está localizado na estação do Estácio, onde 200 mil passageiros não conseguem se servir desse meio de transporte.
Ao mesmo tempo, o Rio tem uma companhia de transportes metropolitanos que é uma das três únicas companhias privadas de operação no mundo que não conta com qualquer nível de subsídio público. Nosso metrô roda exclusivamente em cima das passagens que todos pagam. O expressivo investimento que o estado fez foi na infra-estrutura, que subsiste em carros, trilhos, plataformas e estações. Mas é de total custeio da operadora toda a operação de todo o metrô, sem que o estado arque com qualquer real. Já São Paulo vai gastar só no sistema de ônibus do bilhete único R$ 500 milhões de subsídio e outros R$ 560 milhões no metrô, que transporta três milhões de passageiros e tem o dobro do tamanho da nossa rede – disse o secretário estadual de Transportes.
Júlio Lopes disse que na secretaria tem que fazer "um omelete sem ter os ovos, a manteiga, ou a frigideira".
– Temos que atrair investidores que acreditem na estabilidade das regras – num país em que as regras mudam muito – que acreditem em contratos que muitas vezes são discutidos numa justiça muito lenta e que façam esses investimentos acreditando que vão recuperar seu capital. Há alternativas várias em outras áreas de investimento no segmento de transporte, inclusive em São Paulo, que tem R$ 4 bilhões para gastar com contrapartida.
DATA E HORA
Segundo Lopes, é preciso dobrar o número de 108 carros que o metrô tem hoje.
– O estado não tem qualquer um real sequer para fazê-lo, nem perspectiva de ter esses reais nos próximos dois ou três anos. Restou-nos então conversar com o operador e discutir uma forma de, alongando os contratos de concessão. Esses investimentos serão ressarcidos apenas tão somente em cima do resultado das operações.
O secretário assegurou que "pela primeira vez na história do Rio de Janeiro" está sendo marcada data e hora para a inauguração de uma estação de metrô.
– Tomem nota: vamos inaugurar a estação de Ipanema às 11h do dia 17 de dezembro de 2009. E vai ser feita sem recursos do estado, porque fizemos uma competente negociação com o BNDES, a Odebrecht e a Oportrans e conseguimos, com o apoio do secretário de Meio Ambiente, viabilizar uma contraparte de apenas R$ 24 milhões, contra os R$ 86 milhões que foram investidos no ano passado. Portanto, estamos fazendo mágica. Quem for ao canteiro de obras verá que já estamos debaixo da pedra do Cantagalo, em frente à praça General Osório, escavando para abrir a ventilação da Rua Nascimento Silva – disse.
Ele ressalvou que a obra proposta que seria realizada com os recursos da concessionária "não é a obra que o governador Sergio Cabral gostaria, mas é a obra que a Oportrans e seu conjunto de acionistas se dispõe a fazer".
– Diante dessa possibilidade, o que estamos fazendo é uma árdua negociação que já dura seis meses. Acredito que estamos avançando muito. Queremos fazer uma negociação absolutamente transparente para a opinião pública e para os senhores, que são conhecedores desse assunto com tanta propriedade – afirmou.
COPA DO MUNDO
O secretário destacou, também, a importância da realização de grandes eventos na cidade do Rio de Janeiro, como a Copa do Mundo de 2014. Para isso, a secretaria já está elaborando um planejamento em função das necessidades da Fifa, visando duplicar a capacidade do sistema de transportes e oferecer uma melhor mobilidade urbana, principalmente na área do Maracanã, onde se dará a maior concentração de pessoas.
– Estamos estudando as melhores soluções para oferecer acesso fácil àquela área. Espero que o sucesso ocorrido com o Pan se repita na Copa do Mundo – disse Julio Lopes.
O subsecretário de Transportes do estado, Delmo Pinho, sustentou que o Rio não tem uma malha de transporte adequada a uma região metropolitana que possui vinte municípios, 11,28 milhões de habitantes, 19 milhões de viagens por dia e 12 milhões de viagens motorizadas .
– É uma área que está muito aberta. Deveríamos estar freando o processo de expansão da metrópole do Rio de Janeiro, porque é impossível manter um nível de investimento adequado em infra-estrutura para fazer frente ao gigantismo dessa área. O Rio teve os primeiros projetos de metrô contratados pelo governo federal no final da década de 60. O que temos são planos de linha, mas as linhas efetivamente executadas não são muitas. O pessoal da FIFA se espantou pelo fato de nosso aeroporto internacional, um dos maiores da América do Sul, não ter ligação de metrô com a cidade. Não tem, mas vai ter um dia. Os investimentos são muito altos e nossa possibilidade de investimento é bastante limitada.
Delmo Pinho disse que a nova solução "não é a melhor solução do mundo".
– Pode não ser uma Brastemp, mas é uma Consul. É uma solução razoavelmente boa. Muito melhor do que a falta de solução que temos hoje do transpasse de passageiros da linha 1 para a linha 2 e vice-versa. É uma solução que vai contemplar com uma boa margem de êxito o transbordo de passageiros. Mas esse esforço tem que ser feito associado a um incremento do número de carros de metrô.
O subsecretário lamentou que "a duras penas" o estado só consiga inaugurar a cada quatro anos uma estação de metrô.
– É uma solução totalmente desalentadora. São Paulo inaugura quatro ou cinco estações em um único governo. Ainda assim, conseguimos concluir a obra da estação Cantagalo, que estava em pré-operação e fizemos a readequação do projeto do trecho Cantagalo-General Osório. O metrô do Rio, apesar de não ter nem de perto o números de passageiros do de São Paulo, tem uma altíssima qualidade de transporte e está seguramente entre os melhores do mundo.
– O metrô do Rio de Janeiro é limpo, silencioso e tem ar refrigerado – disse.
BILHETE ÚNICO
Segundo ele, um dos desafios do governo estadual é implantar o bilhete único, que traria benefícios como a redução de tarifas, o combate à ilegalidade, a integração de modais e a racionalização do sistema ferroviário.
O presidente do Comitê Brasileiro de Túneis, Tarciso Celestino afirmou que são de conhecimento público as carências de infra-estrutura do país.
– Não chegamos ainda àqueles índices, por exemplo, alcançados no metrô de Seul, que tem uma malha de 400km de túneis. Estamos distantes ainda, mas estamos no caminho. Cinco linhas serão discutidas aqui, nesta tarde. Elas tiram proveito da boa geologia da cidade e do uso de tecnologias que esse país domina, como esse Clube sempre defendeu. Como exemplo, cito o uso de concreto projetado no revestimento das estações de Arco-verde e Cantagalo, com grandes benefícios de custo e cronograma.
Para o presidente da Aeerj, Fancis Bogossiam, o Rio tem sido preterido em relação aos demais estados da federação.
– O dinheiro para o Rio vinha como empréstimo, mas seguia para outros estados a fundo perdido.
Na primeira parte do evento, representantes das empresas construtoras e dos projetistas abordaram aspectos técnicos dos trechos Arco Verde–Siqueira Campos e Cantagalo–General Osório. A implantação de novas linhas foi debatida por engenheiros, projetistas e representantes da Rio Trilhos, companhia responsável pelo metrô carioca.
Engenheiros das construtoras Andrade Gutierrez e Odebrecht abordaram os desafios enfrentados nas obras das novas estações de Copacabana. O engenheiro Werner Bilfinger relatou os problemas de recalques diferenciais do Edifício Rochedo. A solução adotada constou de rebaixamento do lençol freático e subfundação com 88 estacas raiz.
Na segunda parte do evento, foram detalhados os planos de expansão das atuais linhas 1 e 2, além dos projetos para implantação das novas linhas 3 e 4, Niteroi-São Gonçalo e São Conrado-Barra da Tijuca.
No dia 14 de setembro, cerca de 100 pessoas acompanharam a visita técnica às obras da futura estação General Osório, em Ipanema
No dia 14 de setembro, cerca de 100 pessoas acompanharam a visita técnica às obras da futura estação General Osório, em Ipanema.
>>
volta >>
topo |