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Gerente geral de Gestão Tecnológica diz que Cenpes/Petrobras vai dobrar de tamanho
O gerente geral de Gestão Tecnológica do Centro de Pesquisa da Petrobras, engenheiro Carlos Soligo Camerini, proferiu, no dia 13 de agosto, palestra no Conselho Diretor do Clube de Engenharia sobre o Cenpes. O engenheiro anunciou a realização de obras de expansão que vão dobrar o tamanho do Centro.
– Assim como toda a companhia, crescemos extraordinariamente nos últimos cinco anos a ponto de que nossa área de 45 mil m² ficasse pequena. Estamos partindo para uma ampliação que hoje provavelmente é a maior obra civil do Brasil, com 54 mil m². Vamos mais do que dobrar a área construída – comemorou.
Segundo o gerente geral, dentro do organograma da Petrobras, o Cenpes está localizado na área de serviços, com uma definição clara.
– Ele não é um centro de pesquisas e desenvolvimento tecnológico puro, ou de pesquisas básicas. Ele procura soluções para os problemas da Petrobras, que hoje é uma multinacional que atua em todo o planeta. Desenvolvemos tecnologias não só para o Brasil, como para outras regiões do mundo. Costumo brincar que não somos daquele tipo de centro de pesquisas que desenvolve uma solução e depois sai procurando um problema para ela – comparou.
O engenheiro ressaltou que a estrutura do Cenpes espelha a organização da Petrobras, com áreas de pesquisa em exploração, produção, abastecimento, gás, energia, desenvolvimento sustentável e gestão tecnológica. Para ele, uma característica que diferencia o Cenpes de outros centros de pesquisas é o fato dele possuir uma área de engenharia básica.
O Centro de Pesquisas da Petrobras tem atualmente 1865 funcionários, dos quais 1046 de nível superior e 819 de nível médio. Dos funcionários de nível superior, 41% são graduados, 42% mestres e 16% doutores. Somando-se os prestadores terceirizados, quase quatro mil pessoas trabalham no Cenpes. A meta é chegar a 80% do pessoal de nível superior com mestrado ou doutorado.
UNIVERSIDADES
Para Carlos Camerini, a localização do Cenpes na Ilha do Fundão, dentro do campus da UFRJ, foi proposital. Ele explicou que desde os primórdios da fundação do Centro a idéia era que a Petrobras desenvolvesse sua pesquisa em articulação com as universidades brasileiras.
– Hoje podemos dizer que a Petrobras está muito próxima de ter dois centros de pesquisa e não estou me referindo àquela ampliação de que falei. Há um outro contingente de pesquisadores espalhados em 78 universidades do Brasil que estão sob contrato com o Cenpes. Quando a companhia assina um contrato de concessão com a ANP, a empresa se obriga a investir 1% do faturamento bruto do campo em pesquisa. No caso da Petrobras, ela aplica 0,5% internamente e 0,5% nas universidades. A Petrobras investiu R$ 1,42 bilhão em 2006, em 2007 vai chegar próximo a R$ 1,8 bilhão e ano que vem chegaremos a R$ 2 bilhões, com cerca de 1.500 contratos assinados nos últimos cinco anos.
O engenheiro afirmou que os programas tecnológicos do Cenpes têm objetivos orçamento e prazos "extremamente bem definidos".
– O primeiro deles foi o Programa de Águas Profundas (Procap). No primeiro Procap, o desafio era produzir em lâmina d'água de 300 ou 400 metros, que era a profundidade que o mergulhador conseguia atingir. Depois avançamos para mil metros, dois mil metros e hoje estamos concluindo o Procap de três mil metros. Tive o grande orgulho de ver no Jornal do Clube de Engenharia de agosto uma homenagem a nosso maior coordenador do Procap, Marcos Assayag, que recebeu o maior prêmio mundial como engenheiro do ano em tecnologia offshore e será homenageado pelo Clube no dia 24 de setembro – disse.
"PETRÓLEO NÃO VAI ACABAR"
Camerini disse que os óleos pesados são produzidos a até seis mil metros de profundidade, em altas temperaturas e depois passam por uma água a quatro graus centígrados, sofrendo um processo de resfriamento.
– Se não tivermos tecno-logia apropriada fica muito difícil, às vezes impossível, extraí-lo. Quanto às refinarias, que foram projetadas para óleo árabe leve, já estão sendo adaptadas para o óleo pesado brasileiro. O programa de tecnologia de refino do Cenpes tem como objetivo viabilizar o refino de todo o óleo pesado nacional – destacou.
O representante do Cenpes falou sobre o Sistema Tecnológico Petrobras, "que é maior do que o Cenpes".
– Várias outras áreas da Petrobras fazem desenvolvimento tecnológico, seja através de técnicos das suas áreas operacionais, ou contratando universidades, ou empresas no Brasil e no exterior que aportem tecnologia.
Segundo o engenheiro, um dos principais desafios para o futuro será aumentar o fator de recuperação dos campos maduros.
– Estamos começando a ter uma quantidade muito grande de campos no final da curva na Bacia de Campos. Cada vez que conseguimos otimizar o fator de recuperação, por exemplo em 1%, é como se tivéssemos encontrado outro campo de petróleo. Normalmente uma companhia consegue tirar de um campo apenas 30%, no máximo 35% do petróleo. O restante fica lá em baixo. E muitas vezes só consegue retirar 20%. Isso é um desafio para a indústria do petróleo. Há o mito de que o petróleo vai acabar. Não vai acabar nunca. Se parármos de utilizá-lo será porque não conseguimos retirá-lo, ou porque ele começará a ficar muito caro, ou porque ele vai ser abundante mas ninguém vai querer mais – previu.
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