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O CLUBE DE ENGENHARIA NOS SÉCULOS XIX E XX
Retrato da Águia *
No período de 1989 a 1991 foram restaurados diversos retratos a óleo de eminentes engenheiros e professores da Escola Politécnica, fundadores e militantes de primeira hora do Clube de Engenharia. Estão todos na sala do Conselho Diretor. Restaurações adicionais foram feitas no final dos anos noventa, inicio do século XXI. Pendentes de restauração estão três retratos. Um deles do Senhor Rui Barbosa. Quando e porque o Clube recebeu esse regalo – A pesquisar! Certamente o retrato do conselheiro está entre nós desde a primeira ou do inicio da segunda década do século XX. Poderia ter sido entronizado no Clube logo após o falecimento de Rui em 1922.
Os grandes engenheiros daquela transição império-república viviam num cenário no qual Rui era considerado a águia, no caso, de Haia, pela sua apregoada participação no Congresso da Paz em 1907. Assim, o retrato a óleo de Rui Barbosa deve ter sido recebido com festa. Dúvida fica se os nossos antecessores no Conselho Diretor e na Diretoria, naquele momento, já tinham claras as atividades de Rui durante seu período de Ministro da Fazenda do primeiro governo republicano?
Há poucas semanas atrás, no inicio do caso Renan Calheiros, um bisneto de Rui solicitou a retirada do seu busto do Senado. Segundo o bisneto, o ancestral famoso, linear e de honestidade sem mácula para a família, não estaria tolerando o convívio com os senadores de hoje. Não sei se passou pela cabeça de diversos brasileiros a contradição inserida no apelo. Mas, certamente deve ter ocorrido ao jornalista Luís Nassif autor do livro Os Cabeças de Planilha – Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa. Transcrevo trecho final do sub-capítulo Os Negócios de Rui nas páginas 102 a 104:
"Em 1893, dois anos depois de deixar o governo, Rui estava suficientemente rico para comprar o palacete neoclássico na Rua São Clemente, em Botafogo, que pertencera ao Barão da Lagoa".
Se ainda vivo a mesma dúvida irônica teria passado pela cabeça de Edmundo Campos Coelho. Na obra prima (1) publicada em 1999, dois anos antes de falecer, ele escreveu no rodapé da página 173:
"... Como em vários outros aspectos, Rui Barbosa foi imbatível no uso da retórica que edificava frequentemente o que o prof. Wanderley Guilherme dos Santos, lendo uma versão preliminar deste trabalho, chamou com precisão e argúcia de 'belos exemplos de conjunto vazio'. Dizendo-se 'patrono da lei e não da parte', afirmava Rui: 'Não lido pelos interesses de uma clientela; bato-me por um direito, que as mais antigas leis da Nação fizeram meu, pela inteireza da constituição, que representa a fórmula perfeita da solidariedade de todos os cidadãos no regime legal'.
Como se vê, outro belo exemplo de conjunto vazio, até porque Rui Verbosa, digo, Barbosa com uma exquisita (sic) inclinação a comentar publicamente sobre seus ganhos profissionais, anunciava que de março a outubro de 1896 ganhara com sua banca pequena fortuna de 680:000$000 em honorários ajustados com vários comerciantes da praça".
Concluo: apesar de tudo, continuo propugnando pela preservação permanente do patrimônio do Clube de Engenharia. Incluo os três retratos a óleo em péssimo estado pendentes de restauração. O de Rui Barbosa entre eles.
* Olavo Cabral Ramos Filho
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