|
Conselho Diretor homenageou gerente do Cenpes, Marcos Assayag, que ganhou prêmio internacional
O Conselho Diretor realizou, no dia 24 de setembro, homenagem ao engenheiro Marcos Assayag, gerente geral de Engenharia Básica do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), pela conquista do prêmio máximo da indústria offshore, o "Distingui-shed Achievement Award for Individuals", da Offshore Technology Conference (OTC), recebido em maio de 2007, nos EUA. Assayag também fez no Conselho uma apresentação sobre o "o papel da engenharia básica na gestão de implantação de empreendimentos da Petrobras".
Os prêmios da OTC são considerados "Oscars" da indústria do petróleo, concedidos a empresas e profissionais com projetos inovadores na indústria offshore de petróleo e gás e aos que mais contribuem para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para esse segmento industrial.
Assayag disse que foi surpreendido pelo prêmio, recebido em Houston (EUA), "um reconhecimento internacional pelo que a Petrobras fez". A OTC reúne setenta mil pessoas anualmente, no maior congresso do mundo, onde são apresentados cerca de trezentos trabalhos técnicos, em todas as áreas. Paralelamente é realizada uma grande feira. Todo ano são entregue dois prêmios: para uma companhia que se destaca por inovação tecnológica e para uma pessoa que tenha feito alguma contribuição relevante para a indústria. A preocupação do norte-americano, disse o engenheiro, é que "o trabalho possa alavancar a indústria como um todo".
– Quando a Petrobras descobriu os campos gigantes de Albacora (1984) e Marlim (1985), o modelo era a aquisição de tecnologia externa. Ainda na década de sessenta, quando implantamos nosso parque de refino, toda a tecnologia vinha do exterior, junto com o projeto.
o final da década de oitenta, quando implantamos as primeiras sete plataformas fixas, seguíamos o modelo do mar do norte. O projeto básico era adquirido no exterior, normalmente de empresas inglesas, mas as empresas de engenharia nacional faziam o projeto de detalhamento – explicou.
MODELO PRÓPRIO
Segundo Assayag, foi neste momento que os técnicos da Petrobras descobriram que não havia nenhuma empresa no mundo capaz de produzir petróleo, comprovadamente, em águas profundas.
– Na falta de um projeto já testado, era necessário que desenvolvêssemos nosso próprio modelo. Foi então que um pioneiro da área, o engenheiro José Paulo Silveira, criou o Programa de Capacitação da Petrobras (Procap). A idéia era capacitar não só os técnicos da companhia, mas a indústria e as universidades, para que fosse criado um modelo de gestão capaz de desenvolver tecnologias para produzir petróleo nessa profundidade. O grande desafio era justamente produzir os campos de Marlim e Albacora. O programa começou em 1986 e, em 1989, passei a integrar a equipe. Ao final de 1991 colocamos em produção o campo de Marlim, através de um sistema piloto que desenvolvemos, com engenharia totalmente nacional – comemorou.
Depois disso, em função desse projeto, contou, a Petrobras ganhou o primeiro prêmio da OCT, em 1982. "Ali começou o reconhecimento".
– O que vale é o trabalho e o resultado, o prêmio é uma conseqüência. Na cultura norte-americana é muito importante você mostrar resultados e registrar – o que já me levou a escrever cerca de trinta trabalhos técnicos. A Petrobras hoje, na área de petróleo nos EUA, tem um reconhecimento muito grande, graças à participação da companhia na organização da OCT, o que aumentou nossa visibilidade.
"RELATÓRIO LINK"
O gerente do Cenpes explicou que, com o campo de Roncador, a companhia bateu outro recorde: entre a descoberta e a entrada em produção do campo decorreram apenas 18 meses. Isso trouxe, em 2001, o segundo prêmio da OTC para a companhia. O engenheiro comparou a atual pujança da Petrobras com o tempo em que ouvia que o Brasil não tinha petróleo.
– Meu pai, já falecido, um nacionalista, não se conformava com isto. Quem fazia a afirmação era um geólogo americano chamado Walter Link. A Petrobras não tinha geólogo próprio. Me interessei pelo assunto e hoje tenho o relatório, de umas quarenta páginas. O famoso "Relatório Link", na década de sessenta, dizia que a possibilidade de ter petróleo em terra era muito reduzida. Que se houvesse petróleo, seria no mar, e a profundidades nas quais não poderíamos produzir. Eu nasci com raiva de alguém que eu não conheci, mas ele era um visionário. O que ele falou, está acontecendo hoje – comentou.
O Jornal do Clube de Engenharia de agosto trouxe matéria de capa sobre o prêmio ganho por Marcos Assayag e sobre as atividades desenvolvidas pelo engenheiro na Petrobras. Em sua edição de setembro, o jornal do Clube publicou matéria sobre palestra do gerente geral de Gestão Tecnológica do Cenpes, engenheiro Carlos Soligo Camerini, que anunciou a realização de obras de expansão que vão dobrar o tamanho do Centro.
>>
volta >>
topo |