Clube de Engenharia sediou V Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro

O 1º vice-presidente do Clube, Carlos Heitor Faria, fez a abertura do evento (primeiro à esquerda, na mesa)O Clube de Engenharia sediou, nos dias 3 e 4 de outubro, a quinta edição do Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro. O Fórum foi organizado por integrantes do Movimento por Software Livre, pelo Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj), pela Rede Software Rio (composta por Riosoft, Assespro e Seprorj), pela Associação Brasileira de Software Livre (Abrasol) e pela UniRio, onde aconteceu a segunda etapa do evento, nos dias 5 e 6 de outubro. O foco desta edição, que teve o apoio da Divisão Técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação (DETI), foi o estímulo à formação de novos desenvolvedores e a adesão de novos usuários a soluções abertas.

Realizado anualmente, o encontro já é uma referência para o setor e se firmou também como pólo de negócios e de divulgação de inovações e pesquisas. Os dois primeiros dias de evento foram dedicados às palestras e aos fóruns de negócios. Nos dois últimos dias, no campus da UniRio na Praia Vermelha, foram ministrados os mini-cursos e as palestras orientadas para a comunidade de TI.

A abertura do Fórum foi feita pelo 1º vice-presidente do Clube de Engenharia, Carlos Heitor Faria, que destacou que a entidade, pioneira no uso de software livre no Brasil, vem sediando todas as edições do Fórum.

– Gostaríamos de ressaltar e destacar a posição firme do Clube com relação à utilização de software livre, coerente com nossa postura de apoio ao desenvolvimento da engenharia nacional – disse.

Entre outros, foram abordados durante o V Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro temas como linguagens de programação e software livre na TV digital brasileira. Entre os palestrantes, o destaque foi para Jon "Maddog" Hall, um dos fundadores do movimento Open Source mundial. Além da filosofia que envolve o software livre, ele defendeu as possibilidades práticas criadas pelo código aberto.

"Maddog" argumentou que o software livre representa uma oportunidade de desenvolvimento para países como o Brasil. Para ele, ampliar a indústria do software cria empregos e reforça a soberania por acabar com a dependência de empresas estrangeiras. Fazer pesquisas e gerar conhecimento em conjunto é, de acordo com ele, o grande mérito do Linux, sistema operacional que ajudou a criar após conhecer o projeto, ainda em 1995, pelas mãos do finlandês Linus Torvald.

Outra atividade de destaque no primeiro dia foi a etapa final da Olimpíada de Algoritmos da Hostnet, uma competição que confrontou 22 escolas de Ensino Médio do estado e premiou as cinco finalistas. Os alunos da Faetec de Quintino foram os vencedores e ganharam notebooks, cursos e hospedagem de sites grátis na empresa, além de convites para estagiar na Hostnet.
Luiz Manoel Figueiredo, coordenador de Capacitação em Software Livre do Projeto Piraí Digital, disse que na prefeitura de Piraí o sistema operacional e os aplicativo de VoIP, correio eletrônico, monitoramento de rede e os usados nas escolas são de código aberto.

TV DIGITAL

O gerente do Ministério do Planejamento Corinto Meffe, que já participou das cinco edições do evento, afirmou que o padrão tecnológico do V Fórum melhorou.

– Pouca gente sabe que o Brasil é o primeiro país a disponibilizar software livre na área de TV Digital, o "Ginga", desenvolvido em parceria pela PUC-Rio e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Nossa marcha evolutiva é lenta e gradual, porém consistente e sem retrocessos, como os que já ocorreram na Europa – afirmu.

O Ginga é a camada de software intermediária que permite o desenvolvimento de aplicações interativas para a TV digital, de forma independente da plataforma de hardware dos fabricantes de set top boxes – "caixinhas" que convertem os sinais analógicos em digitais.

Segundo o corrdenador da incubadora Senac-Rio, Vinícius Alves, o benefício primário da TV Digital será a melhoria da qualidade tanto de som quanto de imagem. Com ela, não haverá sinais ruins, que são comuns ao sistema analógico. A TV Digital usará um decodificador, semelhante aos que já existem nas TVs a cabo.

A principal inovação da TV Digital será quanto à interatividade dos usuários. O palestrante citou como exemplo um jogo de futebol no Maracanã. O telespectador poderá escolher por quais câmeras assistirá à partida.

O funcionamento dos diferentes níveis de licença disponíveis para execução, distribuição e aperfeiçoamento de softwares livres foi o primeiro tema debatido no segundo dia do Fórum. Em pauta a GPL3 – modelo mais utilizado no mundo – e o badalado Creative Commons.
Representando a Free Software Foundation Latin America (FSFLA), Alexandre Oliva disse que a GPL é baseada nos princípios universais de direitos autorais e prevê a livre utilização do programa, a liberdade para conhecer o seu funcionamento e realizar modificações necessárias e a redistribuição de cópias.

Pablo Cerdeira, professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio, disse que a licença do tipo Creative Commons é algo "entre o copyright e o domínio público", que abrange todo tipo de obras intelectuais, fomentando e viabilizando ainda mais a colaboração de conteúdo. A flexibilidade do modelo proposto pelo CC, segundo ele, permite que o autor da obra defina que direitos quer ou não ceder.


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