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Presidente do Clube protesta contra "importação" de engenheiros chineses e mobiliza entidades de engenharia
O presidente do Clube de Engenharia, Heloi Moreira, enviou no dia 16 de outubro correspondência ao ministro do Trabalho Carlos Lupi expressando a perplexidade da entidade em relação à autorização da vinda de um grupo inicial de 48 chineses para trabalhar na implantação da coqueria da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, município do Rio. O Clube e o Crea-RJ têm empreendido uma longa e árdua luta contra a "importação" de engenheiros e técnicos chineses para trabalhar nessa implantação.
A posição das entidades tem sido veiculada, entre outros, pelos jornais O Globo e DCI (SP), de que o Brasil possui mão-de-obra qualificada e em quantidade suficiente para a realização dos serviços pretendidos – coqueria desse mesmo tipo foi inaugurada recentemente na usina da Companhia Siderúrgica de Tubarão, em Vitória.
Em duas oportunidades, o presidente e o 1º vice-presidente do Clube, juntamente com o presidente do Crea-RJ, Reynaldo Barros, estiveram em Brasília para manifestar a posição da entidade ao ministro do Trabalho, em março, ministro Luiz Marinho e, em maio, ministro Carlos Lupi, que garantiram que a contratação só seria liberada caso não houvesse mão-de-obra nacional para executar os serviços.
Surpreendentemente, o Clube e o Crea recebem, pela imprensa, a notícia da autorização da vinda desse grupo inicial.
A preocupação do Clube de Engenharia é de que este seja apenas o início de um processo de contratação de mão de obra e serviços, na contramão de toda a política externa implementada pelo Itamarati. A retomada do desenvolvimento, luta do Clube de Engenharia desde a época da Constituinte, não pode ser empreendida pela via de um desenvolvimento dependente, resultado inevitável se não dominarmos os processos tecnológicos envolvidos. Daí a luta travada.
Leia abaixo a íntegra da carta.
Senhor Ministro,
Tomamos conhecimento pela imprensa que o Ministério do Trabalho autorizou a vinda ao Brasil de 48 engenheiros e técnicos chineses para trabalharem na implantação da coqueria da usina da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que está sendo construída no município do Rio de Janeiro, no âmbito do contrato entre a CSA e a empresa chinesa CITIC.
O Clube de Engenharia, juntamente com o Crea-RJ, desde o início do ano vêm alertando as autoridades sobre as graves conseqüências para o país com a pretendida "importação" de 600 engenheiros e técnicos chineses, para trabalharem na montagem da coqueria da CSA, tendo, nesse sentido, mantido contatos em março com o Secretário Geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, e com o então Ministro de Trabalho, Luiz Marinho, e, posteriormente, em 15 de maio, com Vossa Excelência.
Nesses encontros, demonstramos que o Brasil possui engenheiros e técnicos plenamente capacitados para realizar a montagem de coquerias e que, ao contrário do que chegou a ser divulgado, trata-se de tecnologia desenvolvida no início do século XX, de conhecimento dos técnicos brasileiros. A esse respeito, a Arcelor-Mittal acabou de construir na área da Companhia Siderúrgica de Tubarão, em Vitória, uma coqueria do mesmo tipo da que será implantada na CSA, tendo a montagem sido realizada, com sucesso, por empresa brasileira.
Também, nesses contatos, foi ressaltado, ainda, que, se for concretizada essa "importação", além dos prejuízos para a engenharia nacional, que ficará alijada das obras, será aberto um perigoso precedente. O Brasil passará a permitir a importação de serviços, pratica que o governo brasileiro não concorda em colocar na mesa de negociações.
Como fecho dessas reuniões, obtivemos a confirmação que a autorização para trazer técnicos para trabalharem no Brasil só pode ser concedida, conforme estabelece a legislação vigente, se não existir no Brasil mão-de-obra qualificada para a execução dos serviços.
Portanto, não entendemos os fatos que teriam levado a autorização da vinda de um grupo inicial de 48 chineses, já que há no Brasil mão-de-obra qualificada e em quantidade suficiente para realização dos serviços pretendidos.
Solicitamos, por esses motivos, que seja revista essa autorização e nos colocamos à disposição de Vossa Excelência para qualquer esclarecimento.
Cordiais saudações,
Heloi Moreira
Presidente do
Clube de Engenharia.
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